Elvis 1956




sábado, 15 de abril de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 11

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 11


Embora Elvis tivesse recomendado que eu cumprimentasse meus pais com um sorriso cordial, a atitude que assumi, desde o momento em que desembarquei do avião, foi de desafio. Estava agora convencida de que meus pais representavam uma ameaça para a minha felicidade futura. Não compreendia que seus temores e preocupações eram absolutamente justos. Tudo o que me importava era o que Elvis e eu queríamos e ninguém iria se interpor em nosso caminho.

O tempo estava frio e cinzento, o que não contribuía para me animar. Passei pela alfândega para encontrar meus pais à espera no outro lado. Percebendo minhas atitudes, assumiram expressões frias, os cumprimentos foram formais. Não houve braços afetuosos a me envolverem, não houve palavras de carinho a me saudarem. Só a ordem brusca de papai:

— Vamos embora.

A viagem para Wiesbvaden pareceu mais longa do que 45 minutos. Eu estava sentada no banco traseiro, num silêncio gelado. Ninguém mencionou meu pedido para continuar em Graceland.

— Em tudo e por tudo, você se divertiu? — perguntou papai.

— Claro — respondi, olhando pela janela para as árvores desfolhadas no rigor do inverno.

— Elvis gostou do seu presente? — perguntou mamãe, esperançosa.

— Claro — murmurei. — Ele adorou.

— Estava tão frio em Menphis quanto fica? — indagou papai, mantendo a conversa amena, tentando me levar a falar.

— Não. Está mais frio aqui.

Falei asperamente, referindo-me tanto ao tempo como à minha atitude. Nossos olhos se encontraram pelo espelho retrovisor. Surpreendentemente, papai desviou os olhos, em vez de reagir ao meu comentário mordaz.


Eu sabia que estava indo longe demais, mas não podia reprimir meus sentimentos e fingir que estava tudo bem. Sentia-me tão profundamente apaixonada que toda aquela conversa parecia inútil... como tudo o mais, à exceção de Elvis, Lembrei como ele me abraçara antes de nos despedirmos, com tanta emoção e necessidade que nada podia me manter longe dele. Como poderia explicar esses sentimentos adultos a meus pais? Estava convencida de que eles nunca poderiam compreender, haveriam de me julgar apenas tola ou com uma paixonite passageira. Assim que chegamos em casa, papai disse:

— Você tem aula amanhã. Assim, procure descansar o máximo que puder esta noite.

E mamãe acrescentou:

— Deve jantar e depois ir direto para cama.

Os dois pensavam mesmo que eu poderia retornar à rotina de uma vida comum?

Rebelei-me contra a escola. Faltava às aulas, ia para o centro da cidade, tomava algumas cervejas com quem quer que quisesse me acompanhar. Minha atitude foi se tornando cada vez pior, assim como as notas na escola.

Meus pais estavam confusos, como ficariam quaisquer pais afetuosos, acalentando a esperança de que o problema acabaria desaparecendo. Mas eu não facilitava a situação para eles. O que começara como uma simples apresentação ao maior astro de rock-and-roll do mundo acabara se transformando num pesadelo para meus pais.

Elvis começou a telefonar quase que imediatamente e passávamos horas a conversar. Meus pais me ouviam sussurrando e rindo até três horas da madrugada, especulavam sobre o que poderíamos falar por tanto tempo. Nada, no fundo... mas parecia tudo. Revelei a mamãe que Elvis e eu nos amávamos e ansiávamos por ficarmos juntos. Finalmente tomei coragem e disse a ela que Elvis queria que eu terminasse a escola secundária em Menphis. Sua reação: um não categórico. Ela achava que podia esperar até que terminasse o prazo de serviço de papai na Alemanha. Seria no final do verão, disse mamãe, não havia necessidade que eu voltasse para Elvis antes disso.


— Mas você não entende, mamãe! — supliquei .— Ele me quer ao seu lado!

— Por que você? — indagou mamãe, a voz trêmula de emoção. — Por que ele não pode arrumar alguma garota de sua idade? Você só tem dezesseis anos. O que esse homem está fazendo com nossa família? Ela pôs o rosto nas nãos e desatou a chorar.

Senti pena de mamãe. Sempre fôramos íntimas, ela sempre me apoiara em tudo, mas desta vez não podia compreender. Eu detestava vê-la angustiada, mas nada era mais importante do que Elvis para mim. Nem mesmo minha mãe.

— Ele não é como você imagina e precisa de mim, mamãe. Não se preocupe que nada de terrível me acontecerá. Converse com papai, por favor.

Bem devagar, ela levantou a cabeça e me fitou nos olhos.

— Cilla, nunca me perdoarei se deixá-la partir e você voltar com o coração partido. É jovem demais. Não tem a menor idéia do que a espera. Tudo o que você sabe é que está apaixonada. Sabe como é difícil lutar?

Ela suspirou.

— Eu não desejaria esta situação a qualquer outra mãe.

Ela removeu as lágrimas e, depois de uma pausa, acrescentou:

— Está certo, falarei com seu pai... mas não agora. Ainda é muito cedo.

Abracei-a, murmurando:

— Obrigada, mamãe. Sei que pode conseguir. Amo você.

Eu tinha agora de esperar pela interferência de mamãe. Sabia o quanto papai era contra a idéia. Meus pais ainda não conheciam as verdadeiras intenções de Elvis em relação a mim. Só sabiam o que lhes dissera. Mas também liam as notícias nos jornais de que Elvis namorava todas as estrelas de seus filmes e por isso se mostravam desconfiados, como era natural. Um dia, pelo telefone, eu disse a Elvis:

— Se quer que eu volte e fique estudando aí, terá de conversar com meu pai diretamente.

— Ponha-o na linha — respondeu Elvis. — Não sou Mac-Arthur, mas sempre posso tentar.


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ELVIS E EU

Usando todo o seu charme, Elvis garantiu a meu pai que eu não ficaria com ele em Graceland, se tivesse permissão para me mudar para Menphis, mas sim com seu pai, Vernon e a esposa dele, Dee. Elvis prometeu que me matricularia numa boa escola católica — iria escolhê-la pessoalmente — e tudo faria para que eu me formasse.

Disse que eu estaria sempre devidamente acompanhada por toda parte e que ele cuidaria bem de mim por todos os modos. Declarando que suas intenções eram as mais honradas possíveis, ele jurou que me amava, precisava de mim e me respeitava. E não podia viver sem mim, acrescentou, insinuando que um dia nos casaríamos. Isso deixou meus pais num dilema. Se Elvis era tão sincero quanto parecia, havia uma possibilidade de que nosso relacionamento pudesse dar certo. Mas se isso não acontecesse, havia o risco da minha volta desiludida e desolada. Se negassem permissão à minha partida, talvez eu nunca mais os perdoasse e me arrependesse amargamente, durante o resto da vida, por esse amor não consumado. Sob esse ponto de vista, não havia praticamente qualquer outra coisa que eles pudessem fazer senão concordar com a minha viagem. E foi o que acabou acontecendo.

Na verdade, eu estava tão aturdida quanto meus pais sobre os motivos pelos quais Elvis queria que eu fosse viver em Menphis. Acho que ele se sentia atraído pelo fato de eu ter tido uma infância normal e estável e ser muito responsável, ajudando meus pais a criarem meus irmãos menores. Eu estava mais amadurecida aos dezesseis anos do que aos quatorze, quando ele me conhecera, não apenas porque passara pelo estágio de crescimento normal, mas também experimentara o sofrimento de viver longe dele durante dois anos.

Acima de tudo, Elvis sabia que podia contar comigo. Eu não estava interessada numa carreira, em Hollywood ou em qualquer outra coisa que desviasse minha atenção dele. Também possuía os atributos físicos que Elvis apreciava, os elementos fundamentais que ele poderia usar para me converter em sua mulher ideal: juventude e inocência, devoção total e nenhum problema pessoal. E não era difícil de conquistar.

Eu tencionava fazer qualquer coisa que fosse necessária para mantê-lo, porque se algum dia ele me mandasse de volta para casa isso significaria

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não apenas que eu errara ao ir ao seu encontro, mas também que meus pais erraram ao conceder permissão.

Decidi que nosso relacionamento daria certo, não importava o que acontecesse.



ELVIS E EU





CONTINUA,,,,,,,,,

 
 





LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 10

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 10


— Feliz Natal! — exclamou Elvis, orgulhoso, entregando-me um cachorrinho cor de mel, de seis semanas.

— Oh, Elvis, é a coisinha mais linda que eu já vi! — Abracei-o e ouvi um latido abafado entre nós. — Oh, Honey, desculpe!

Involuntariamente, eu acabara de batizar o cachorrinho de Honey. Era a véspera de Natal. Elvis rezara por um Natal branco e — como em resposta a seu pedido — naquela noite caíram dez centímetros de neve. A reunião em torno da árvore de Natal incluía Vernon e Dee, os três filhos dela – David, Ricky e Billy — o círculo íntimo com suas mulheres e mais um punhado de outros amigos e parentes de Elvis. Todos se mostraram simpáticos e me fizeram saber que era bem-vinda, embora devesse parecer estranho ver a mim e não Anita sentada ao lado de Elvis. Anita partilhara o Natal com ele nos dois últimos anos. Havia ocasiões em que eu não podia deixar de especular se Elvis sentia saudade dela. Não era fácil para ele se separar das pessoas. Eu sabia disso. Foi divertido observar Elvis abrir os presentes.

— Exatamente o que eu estava precisando, outra caixa de jóias! -gracejou ele, desembrulhando a quarta da noite.

Ele olhou para Gene Smith, uma das poucas pessoas que era capaz de fazê-lo rir sistematicamente.

— Foi você quem me deu isto, Gene?

— Não, E, não fui eu.

— Pensando bem, não podia ser você, Gene. É bom gosto demais Puxa, E, como você pode dizer uma coisa dessas? — murmurou Gene, em seu arrastado sotaque sulista.

— Muito fácil. — Elvis estreitou os olhos. — Basta olhar para você, Gene, um exemplo vivo do mau gosto.

Fingindo se sentir ofendido,

Gene afastou-se a coçar a cabeça, enquanto todos riam.



Embora houvesse muitas brincadeiras, eu sentia uma tristeza em Elvis quando nossos olhos se encontravam. Não pude deixar de recordar o que ele me dissera certa ocasião na Alemanha:

— O Natal nunca mais será o mesmo em Graceland sem mamãe. Será terrível para mim e não sei se sou capaz de suportar a solidão. Mas acho que conseguirei, de alguma forma. Deus me dará a força necessária.

— Aqui está mais um, que você esqueceu de abrir.

Era o meu presente, uma cigarreira musical, que eu deliberadamente deixara para último. Prendi a respiração enquanto ele abria.

No momento em que ele levantou a tampa, soaram os acordes de "Love Me Tender".

— Adorei! Juro que adorei, Cilla! Muito obrigado!

Havia um brilho intenso em seus olhos e desejei sempre poder fazê-lo feliz assim.

Depois do Natal fazíamos alguma coisa emocionante todas as noites, quase sempre começando após meia-noite. Às vezes Elvis alugava todo o Memphian ou o Malco para assistirmos a um filme. Em outras ocasiões ele alugava o ringue de patinação Rainbow, de que eu tanto ouvira falar.

Na primeira noite ali eu estava prendendo os patins quando os rapazes me perguntaram:

— Você sabe patinar?

— Claro — respondi.

— Mas sabe como patinar aqui?

Percebi o recado no instante em que apareceu uma caixa com joelheiras. O que se fazia ali não era a patinação normal em torno do ringue. A idéia era simplesmente a de evitar que algum osso saísse quebrado. Entrei no ringue só para sair um momento depois. Não estava disposta a correr qualquer risco depois de ver as expressões determinadas dos patinadores. Eles faziam o Roller Derby parecer brincadeira de criança. Da beira, observei-os circularem pelo ringue, ajustando os casacos e camisas, a fim de não ficarem muito apertados, verificando se os braços e pernas estavam devidamente protegidos. Depois, Elvis patinou para o meio, dizendo:


- Muito bem, vamos começar. Saíam todos da beira. Não quero ninguém machucado por aí. Honey, por que não vai ficar no outro lado com Louise (a esposa de Gene Smith)? E os demais podem tirar o rabo daí e se instalarem em outro lugar.

Todos desataram a rir e Elvis arrematou:

— E agora vamos começar!

Cerca de 25 patinadores se deram as mãos, formando o que eles chamavam de um chicote. Patinando emparelhados, começaram a circular pelo ringue, aumentando a velocidade. O objetivo do jogo era permanecer ileso a velocidades superiores a quinze quilômetros horários. Pode ser muito perigoso quando a pessoa perde o equilíbrio ou se encontra na extremidade e todos viram rapidamente, "estalando o chicote".

Havia muitas quedas, mas apesar do perigo Elvis parecia saber exatamente o que fazia. Notei que sempre que alguém se machucava ele era o primeiro a verificar se estavam todos bem e a decidir se deveriam continuar.

Ainda não sei como todos evitavam lesões mais graves, mas a verdade é que ninguém se queixava e a maioria se mostrava disposta a repetir tudo na noite seguinte. Era uma brincadeira das mais rudes, mas Elvis costumava comentar:

— Se você é bastante homem para entrar na brincadeira, então é melhor ser também bastante homem para agüentar firme.

A véspera de Ano-Novo estava se aproximando. Elvis mandou que Alan alugasse o Manhattan Club e convidasse cerca de duzentas pessoas para a festa, seus amigos e as diretoras de diversos fãs-clubes. Embora eu estivesse excitada com a festa, não podia deixar de pensar a respeito. Notei que sempre que eu levantava algum problema, ele se apressava em dizer:

— Tudo vai acabar bem. Não se preocupe. Já tenho coisas demais em que pensar e não quero me preocupar com mais um problema.

Elvis sempre evitara os problemas. Se me sentia perturbada ou deprimida, se achava que estávamos ficando distantes e queria recuperar a



ELVIS E EU


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intimidade com uma conversa, ele me evitava ou dizia que a ocasião era inoportuna. Nunca havia um momento oportuno.

Houve uma ocasião em que o censurei pela atenção excessiva que dispensava à namorada de um dos rapazes do círculo íntimo. Ela era bastante atraente, mais ou menos da minha altura, cabelos pretos, um corpo bem-feito. Ela entrara na cozinha, onde vários de nós estavam sentados. Elvis, que usava óculos, pôs-se a fazer comentários assim:

— Puxa, como está ficando quente aqui. Alguém mais sente tanto calor?

Fiquei transtornada que me retirei. Esperei que ele subisse e o segui.

— Preciso conversar com você, Elvis.

— Está certo, Honey. Qual é o problema?

— Vi a maneira como você estava olhando para aquela garota. Isso me aborreceu.

— Escute, mulher, ninguém me diz a quem posso olhar e a quem não posso — respondeu ele, irritado. — Além do mais, você está se deixando dominar por sua imaginação. Há muito tempo que aquela garota circula por aqui.

Retirei-me furiosa, batendo a porta do quarto. Sentia-me traída por ele desejar outra mulher e contrariada porque nunca o admitia. Tornei-me obcecada, procurando descobrir tudo o que Elvis apreciava, o que o atraía, tentando ser tudo o que ele imaginava que uma mulher devia ser e mais ainda.

A festa de reveillon no Manhattan Club começou por volta das dez horas da noite, mas Elvis calculou nossa chegada para poucos minutos antes da meia-noite. Mal tivéramos tempo de pedir nossos drinques, vodca com suco de laranja, quando se iniciou a contagem regressiva. Depois, todos cantamos "Auld Lang Syne".

Enquanto as pessoas gritavam "Feliz Ano Novo!", Elvis abraçou-me e murmurou:

— Não quero que você volte, Baby. Vai ficar aqui. Pode telefonar para seus pais pela manhã.


Eu me encontrava em tamanho estado de êxtase que nem percebi o que estava bebendo. Tomei quatro drinques de vodca com suco de laranja, sempre por um canudinho. Depois do primeiro, eu estava me sentindo alta; depois do quatro, estava cambaleando. Fui ao banheiro com Louise e lá fiquei pelo que me pareceram horas, balançando de um lado para outro tentando me recuperar.

Quando finalmente voltamos à mesa, tentei me comportar como se tudo estivesse normal, mas Elvis percebeu como eu estava e disse:

— É melhor levarmos você para casa, Baby. — Não está em condições de continuar na festa.

Ele pediu a seu velho amigo George Klein, o disc-jockey de Menphis, para me levar em casa.

Passei a maior parte da viagem de volta com a cabeça esticada pela janela. George e sua namorada me acompanharam até a porta e ali se despediram. Entrei na casa. Segurando-me no corrimão, subi devagar a escada branca, tirando as roupas pelo caminho — o casaco, a bolsa, os sapatos e a blusa, formando uma trilha pelos degraus. Ao chegar ao quarto, estava apenas de sutiã e calcinha. Arriei na cama e apaguei. Poucas horas depois ouvi Elvis entrar no quarto na ponta dos pés e se aproximar. Seu estado não era muito melhor que o meu. Podia divisar sua silhueta contra o teto por cima. Não me mexi. Gentilmente, ele tirou o resto de minhas roupas. E, depois começou a me beijar. Naquela noite quase fomos longe demais. Ele quase quebrou sua promessa. Minha paixão o contagiara e ele enfraqueceu sob a influência do álcool. Mas antes que eu compreendesse o que estava acontecendo, ele bateu em retirada, murmurando:

— Não... não assim...

Tinha de ser especial, como ele sempre planejara. Não posso deixar de admitir que naquele momento eu não me importava se fosse especial ou não, não me importava com sua promessa. Mais do que isso, não me importavam com o que ele queria. Sabia apenas que eu queria.

Na manhã seguinte minha cabeça latejava com uma tremenda ressaca. Sentia-me envergonhada e embaraçada... mas não estava absolutamente


arrependida do que fizéramos. Elvis estava um pouco mais próximo de ser todo meu.

O momento da verdade chegou quando ligamos para meu pai na Alemanha. Elvis estava na extensão em seu escritório, enquanto eu falava de outro telefone na casa. Embora a ligação para Wiesbaden estivesse cheia de estática, não havia qualquer possibilidade de equívoco nas palavras de papai.

— Mocinha, não quero mais conversar sobre isso. Fizemos um acordo. Você deveria partir no dia 2 de janeiro. Só lhe resta mais um dia... e aviso que é melhor embarcar naquele vôo! Elvis interveio:

— Capitão, gostaria que ela pudesse ficar mais alguns dias. Tenho de voltar a Los Angeles em breve e seria maravilhoso...

— Não é possível, Elvis. Ela tem de voltar à escola e foi esse o acordo. Sinto muito. Priscilla Ann, você está na linha?

— Estou, sim.

— Estaremos à sua espera no aeroporto. Sabe a que horas. Até lá.

Fiquei furiosa. Corri para o escritório de Elvis, onde ele continuava sentado atrás da mesa, desolado.

— Odeio meus pais! — gritei, como uma criança mimada. — Por que eles querem impedir o nosso namoro? Só estão me pedindo para voltar para que eu fique tomando conta dos meus irmãos!

O rosto de Elvis estava vermelho de raiva.

— Fizemos um acordo miserável... e quem ele pensa que é, falando assim pelo telefone? ...ele e sua maldita educação militar.

Elvis pegou o telefone e ligou para a cozinha, indagando:

— Onde está meu pai? Diga a ele para subir imediatamente ao escritório!

Poucos segundos depois Vernon estava na porta.

— Qual é o problema filho?

— O maldito Capitão Beaulieu! — gritou Elvis. — Acabamos de telefonar para perguntar se Cilla podia passar mais alguns dias aqui e ele


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ELVIS E EU
 
 
assumiu uma atitude arrogante, entrando com seu jargão sobre acordos e recusando.
— Fique calmo, filho. A situação não é terrível assim.
Provavelmente ele estava querendo apenas que ela voltasse a tempo para o reinício das aulas.
— E quem se importa com as aulas? — berrou Elvis, ignorando os esforços do pai para acalmá-lo. — Basta matriculá-la numa escola aqui e todos os problemas estarão resolvidos. Além do mais ela não precisa de nenhuma escola. Afinal, não ensinam mesmo coisa alguma hoje em dia.
— Mas ela tem de voltar, filho. Não há outro jeito.
— Não está ajudando em nada, papai!
Mas Elvis começou a se acalmar. Recostou-se na cadeira grande e virou-se para olhar pela janela, por algum tempo.
E, depois, anunciou que tinha um plano. A estratégia de Elvis exigia que eu votasse à Alemanha e chegasse animada. Deveria me concentrar nos estudos, a fim de que meus pais não usassem minhas notas fracas como um pretexto para não permitir meu retorno. Elvis queria que eu concluísse a escola secundária em Menphis e tomaria todas as providências para que voltasse o mais depressa possível.



CONTINUA,,,,,,,,



quinta-feira, 13 de abril de 2017

CURIOSIDADE SOBRE O TRAJE Black Brocade & Gold Trim UM TRAJE POUCO CONHECIDO?



galera postei agora há alguns minutos algumas curiosidade sobre as duas versões deste traje mas esta versão dourada é muito interessante tanto que até merece mais um capitulo vamos conhece-lo ?


Black Brocade & Gold Trim é um traje preto de uma cor com três polegadas de largura bordados em ouro em torno da abertura do peito e do colarinho alto. O padrão consiste em pequenas baleias bordadas. Este traje tem detalhes   padrão de  ouro é exatamente o mesmo  vestido  pelo dançarino afro-americano na canção Motherless Child, na introdução para Elvis Gospel Medly no Comeback 1968 Especial, Elvis se impressionou tanto com os desenhos em ouro que dizem que Elvis pode ter   usado o mesmo  em Vegas em 1970 . Em cada lado das mangas, há três botões de punho preto. O cinto é tecido macramé em preto, com pregos dourados. As cordas do cinto  no final estavam amarradas no lado esquerdo de Elvis. Algumas pessoas afirmam que Elvis usou este terno no show de abertura em 26 de janeiro de 1970, mas não foi verificado. Nenhuma foto conhecida de Elvis  vestindo  este macacão.








OUTROS FATOS E HISTORIA

Black & Gold Brocade, Black Sleek ou Black Tapestry, como também é conhecido, foi provavelmente usado várias vezes na temporada de Las Vegas de janeiro a fevereiro de 1970. Este terno está hoje em exibição em Graceland sem o cinto, que estava em exibição no Museu do Rei em Las Vegas, antes do Museu ser  fechado.





AS JUMPSUITS DO REI PARTE 9



queridos amigos fãs e seguidores do Elvis The Man retornamos com a historia das JUMPSUITS DO REI, e o traje de hoje será o belo Black Brocade Suit mais um belo traje  usado pelo REI em suas primeiras temporadas no inicio dos anos 70, vamos conhece-lo?

Jumpsuit preto com unicórnios e flores 'trim' em lapelas e colarinho.

Um dos primeiros macacões que Elvis usou no palco. Usado primeiramente durante seus primeiros shows ao vivo em 1970 em  Las Vegas de janeiro / fevereiro, e também  possivelmente outra vez durante os shows  de agosto / setembro.
  Houve também um segundo "Black Brocade Suit", é apenas a diferença em comparação com este esta na decoração do peito . enquanto este tinha um belo design com unicórnios e flores, a outra versão tinha uma guarnição de ouro. Não há fotos de Elvis realmente vestindo a versão dourada pelo menos até presente momento








INFORMAÇOES DO TRAJE


NOME ORIGINAL

Black Brocade Suit

ou Black Sleek Suit


CINTOS USADOS COM O TRAJE

Original black macrame belt



LOCAIS ONDE O TRAJE FOI USADO

show de estreia  em Las Vegas em 1970



MÉS EM QUE AS DUAS VERSÕES DO TRAJE FORAM USADOS

FEVEREIRO DE 1970






CONTINUA,,,,,,



LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 9

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 9



Um dia antes do meu retorno à Alemanha, Elvis levou-me para um canto e disse:

— Por mais que eu deteste dizer isso, Baby, temos de enfrentar a realidade. Nosso tempo se esgotou.

Perdi completamente o controle e me agarrei a ele, comprimindo a cabeça contra o seu peito.

— Não vou embora — balbuciei, chorando. — Não vou deixar você nunca mais. Ligarei para meus pais e direi que perdi o avião.

— Ora, Baby você acha mesmo que eles vão numa conversa assim?

— Pois então direi a verdade: que amo você e não quero voltar.

— Calma, calma... Só vai contribuir para tornar as coisas mais difíceis na próxima vez. Tenho pensado muito a respeito e sempre quis que você conhecesse Graceland. Mas neste momento tenho alguns negócios para tratar em Menphis e depois farei outro filme. Mas se você voltar agora, tirar boas notas na escola e se comportar direito, talvez seus pais deixem passar o Natal em Graceland, comigo e minha família.

Adorei a idéia, mas ainda faltavam seis meses para o Natal. Qualquer coisa podia acontecer nesse intervalo. Naquela noite na cama, Elvis manteve-me apertada em seus braços por um longo tempo. Senti que ele estava fazendo algo mais do que apenas me confortar. Era o seu jeito de declarar que gostava profundamente de mim.

E mais do que isso: Sua convicção firme de que só devia consumar o nosso amor no casamento me dava uma enorme esperança para o futuro Nossas carícias e demonstração de afeto naquela noite tiveram mais sentimento e intensidade do que em qualquer outra ocasião anterior. Elvis não me deixaria voltar para casa sem levar um pouco dele. Não entrou em mim; não precisava. Satisfez todos os meus desejos.



— Quero você de volta do jeito como está agora — sussurrou ele, pouco antes do amanhecer. — E não se esqueça de uma coisa: eu sempre saberei.

Eu sorri e assenti. Não podia conceber a idéia de querer qualquer outro.

Elvis não me acompanhou ao aeroporto. Trocamos um beijo de despedida na limusine. Foi um momento de ternura, mas terrivelmente breve. Acho que a angústia não poderia ser maior, mesmo que ele me dissesse que eu nunca mais voltaria. Andei para o avião como um robô. Estava num estado de torpor, que persistiu durante todo o vôo de onze horas. Não falei com ninguém e não me importei que os outros vissem as lágrimas que a todo instante me escorriam pelo rosto. Meu mundo chegara a um fim abrupto. Finalmente fechei os olhos e revivi na imaginação cada momento da visita. E de repente a aeromoça estava nos dizendo para prender os cintos de segurança, pois aterrissaríamos em breve.

Não me passou pela cabeça a idéia de lavar o rosto antes da chegada. Continuei sentada, atordoada, esperando que o avião terminasse de taxiar e parasse. Depois, apaticamente, peguei minhas coisas e desembarquei. Mamãe chorou de alegria ao me ver, papai exibia um sorriso largo de boas vindas. Mas quando me aproximei, suas expressões mudaram de satisfação para horror absoluto. Papai virou o rosto, furioso. Por um momento, mamãe ficou imóvel, fitando-me fixamente. Depois, abriu a bolsa, tirou um espelho e estendeu-o em minha direção.

Olhe para você! Como pôde sair do avião desse jeito? Contemplei-me no espelho e no mesmo instante compreendi a reação dos dois. Eu os deixara duas semanas antes como uma garota viçosa de dezesseis anos, usando um costume branco apropriado para a minha idade e sem qualquer vestígio de máscara no rosto.

Agora, não apenas estava usando a maquilagem intensa que Elvis apreciava, mas também a borrara por completo com, as lágrimas. Não me dera ao trabalho de pentear os cabelos, que estavam desgrenhados. Meus pais estavam chocados e desapontados.


ELVIS E EU

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Embaraçada demais para encará-los, levei a mão ao rosto e discretamente tentei remover o resíduo de máscara preta. E, depois, murmurei:

— Eu gostaria de ir ao banheiro.

— Você vai direto para casa — disse papai, em tom áspero. — Se deixou essa coisa no rosto por tanto tempo, pode muito bem agüentar por mais uma hora.

Ele não disse praticamente mais nada até que cheguei em casa e lavei o rosto.

O Natal na família Beaulieu sempre foi uma grande festa, mas o Natal de 1962 foi uma ocasião em que eu não estava preocupada com presentes. Seguia para o lugar com que muitas vezes sonhara, mas nunca me permitira acreditar que algum dia conheceria — Graceland.

Não foi fácil chegar lá. A trama para isso começou uma madrugada, às 2:10 horas, quando acordei sonolenta para atender o telefone e ouvi a voz de Elvis. Ele parecia na maior animação. Rindo e gracejando, contou que a RCA lhe enviara discos de demonstração horríveis para o seu próximo filme.

— Estou ouvindo os discos, Baby, e não dá para acreditar. Tenho de rir, porque se não, vou chorar.

Também ri, em solidariedade, mas podia perceber a tristeza em sua voz. Depois, ele acrescentou, suavemente:

— Quero você aqui no Natal. Não me importo como vai conseguir ou o que terá de dizer a seus pais. Apoiarei qualquer história que contar, desde que esteja aqui.

Eu tremia toda quando desliguei. Não podia imaginar que meus pais me permitissem viajar de novo — especialmente no Natal — Mas não havia a menor possibilidade de desapontar Elvis.

Depois de alguns dias a evitar o assunto, transmiti o pedido de Elvis a mamãe.

— De jeito nenhum — declarou ela. — Não tem o menor cabimento. O Natal é uma festa para a família. É assim que sempre foi e não vai mudar... nem mesmo por Elvis Presley.



Eu não ia desistir. Minha pobre mãe estava dividida entre converter em realidade um sonho de sua filha e cumprir o que julgava ser a sua obrigação familiar.

— Quando isso vai acabar? — ela murmurou, com uma expressão angustiada.

Mas ela acabou concordando em falar com papai. Foi a primeira brecha. Outra vez súplicas. Outra vez as promessas. Um mês depois eu estava num avião, a caminho dos Estados Unidos. Elvis pedira a Vernon e Dee que fossem me esperar no Aeroporto La Guardia, em Nova Iorque, levando-me a Menphis, porque ele não queria viajar sozinho.

Quando chegamos a Menphis, eu estava ao mesmo tempo exausta e exultante. Fomos para casa de Vernon, na Hermitage Drive, a pouca distância de Graceland. Elvis dera instruções expressas de que somente ele poderia me levar pelos portões de Graceland.

Ele telefonou poucos minutos depois que chegamos à casa de seu pai. Vernon me passou o fone. Antes que eu pudesse dizer duas palavras, Elvis gritou que já estava a caminho. Minutos depois a porta foi aberta bruscamente e me joguei em seus braços.

Graceland era tudo o que Elvis dissera. O gramado da frente estava enfeitado com um cena da Natividade e as colunas brancas da mansão brilhavam com pequenas lâmpadas coloridas. Foi uma das cenas mais lindas que já contemplei em toda minha vida.

Dentro da mansão havia uma porção de amigos e parentes de Elvis, todos esperando para me cumprimentar. Eu me sentia relaxada e confiante enquanto ele me apresentava a todos, porque já conhecera a maioria dos seus amigos, quando estivera em Los Angeles. Depois, Elvis disse:

— Cilla, tem uma pessoa muito especial esperando por você. Com um sorriso, ele levou-me pela escada e foi abrir a porta do quarto da avó, gritando:

— Dodger, olhe só quem está aqui! É a pequena Cilla. Ela fez uma longa viagem só para passar o Natal com a gente!

— Dodger sorriu e me cumprimentou com sua voz gentil:

 
— Santo Deus, criança, você levou muito tempo para vir até aqui. Ela estava sentada numa poltrona de encosto alto. Inclinei-me e abracei-a, afaguei suas costas.

Estava feliz pela aparência da boa Dodger. Seus cabelos, outrora completamente grisalhos, exibiam agora um castanho-escuro de aspecto natural. Notei que ela não estava tão magra como na Alemanha. Na Goethestrasse, 14, Dodger cuidava de uma casa sempre movimentada; em Graceland, ela se retirava para o seu quarto.

Quando Elvis nos deixou a sós, compreendi que alguma coisa a estava incomodando e perguntei:

— Vovó, como estão as coisas com ele?

Ela me fitou e depois baixou os olhos para o lenço de renda em seu colo.

— Não sei, meu bem. Estou preocupada com Elvis e Vernon. Elvis ainda está zangado por causa do casamento do pai. (Vernon e Dee haviam casado um ano antes.) Ele quase não fica mais em Graceland e isso deixa Vernon preocupado. Não suporto ver os dois zangados assim. Deus tenha misericórdia. Elvis não foi ao casamento, como você já deve saber. Bem que Elvis se esforça, mas quando ela entra na sala ele simplesmente se levanta e sai. Não sei se ele algum dia aceitará o casamento. Ela puxou a caixinha de rapé. Era um hábito cativante, que ela tentava manter em segredo.

— Mas não quero que se preocupe com essas coisas, querida — acrescentou ela. — Vá se divertir com Elvis. O rapaz está precisando de você agora.

Balancei a cabeça e beijei-a.

— Prometo que cuidarei muito bem dele, Dodger.

Senti-me culpada por deixá-la. Ela se preocupava demais, como acontecia com todos os Presley. Era contagiante. Vovó riu suavemente e comentou:

— Ninguém jamais me chamou assim além de Elvis.

Durante toda aquela noite a turma jogou sinuca, assistiu televisão e fez incursões à cozinha, assediando Alberta ("VO5"), que não parava de fazer comida.


 
Compreendi que não havia qualquer rotina determinada em Graceland. Todos entravam e saíam como lhes aprouvesse. Não era um lar, mas sim uma casa aberta, à disposição de todos os amigos... e com plena aprovação de Elvis, é claro.

A noite terminou por volta das quatro horas da madrugada, quando Elvis despediu-se de todos e pegou-me pela mão. Eu estava exausta, já que, na expectativa da viagem, passara dois dias sem dormir. Enquanto subia pela escada de carpete branco, fechei os olhos e desejei já estar na cama. Em seu quarto, Elvis deu-me duas pílulas vermelhas grandes, explicando:

— Tome isto agora e quando for deitar estará relaxada e revigorada. Eu não precisava de nada, mas ele insistiu, dizendo que me ajudariam a dormir melhor e que eram um pouco mais fortes do que as pílulas que eu tomara antes.

Não as reconheci. Eram maiores do que as outras. Deviam ser uma dose para cavalos, pensei; mas acabei tomando as pílulas, apesar de toda relutância.

Fui tomar um banho. Arriei na banheira, encostando a cabeça na beira. O braço parecia tão pesado que mal conseguia levantar a mão; as pálpebras davam a impressão de serem de chumbo. Mas eu me sentia bem e um pouco tonta.

Quanto mais eu ficava de olho na banheira, menos energia tinha. Foi com bastante dificuldade que consegui me levantar. Tentando focalizar a cama, cambaleei para o lugar em que Elvis estava deitado. E depois apaguei.

Era despertada de vez em quando pelo som de vozes distantes. Houve uma ocasião em que tive a impressão de que Elvis me sussurrava algumas palavras. Em outro momento, vi seu pai. Não sabia se estava sonhando ou tendo alucinações. Quando fechava os olhos, sentia o quarto girando. Depois de um longo tempo, senti uma mão macia me massageando e acariciando o braço.

— Priscilla? Priscilla? Sou eu, Vovó. Você está bem querida?

Lentamente, tentei levantar a cabeça, mas estava pesada demais e descaiu. 



ELVIS E EU


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— O que deram a essa menina? — ouvi alguém indagar. — Não podem dar alguma coisa a que ela não está acostumada. Talvez fosse melhor chamarmos um médico, filho. Ela se encontra em péssimo estado. Não devemos correr qualquer risco.

Consegui focalizar os olhos parcialmente fechados em Elvis, pisquei para ele, sorri.

— Não vamos chamar médico nenhum — declarou Elvis. — Ela já está se recuperando.

Ajoelhando-se ao meu lado, ele me levantou a cabeça. Descobri então que não estava em seu quarto, mas sim estedida na "chaise longue" branca que ficava em seu escritório, ao lado do quarto.

— O que estou fazendo aqui?

— Eu a trouxe para cá depois do primeiro dia — respondeu ele, em tom preocupado. — Estávamos tentando revivê-la.

— Mas acabei de ir para a cama — murmurei, engrolando as palavras.
— Baby, você nos deixou apavorados. Está apagada há dois dias, por causa de duas pílulas de Placidyl quinhentos miligramas. Eu devia estar doido quando dei isso a você.


— Dois dias? Mas vou perder dois dias de minha viagem! Que dia é hoje?

— 23 de Dezembro.

— Oh, não!

— Não se preocupe. Ainda temos bastante tempo. — Elvis sorriu e acrescentou: — Prometo, Baby, que vou compensá-la por tudo.


ELVIS E EU



CONTINUA,,,,,,,,

 
 

 





quarta-feira, 12 de abril de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 8

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 8


Foi uma estranha experiência, fazer compras com uma pessoa que eu mal conhecia, ainda por cima um homem. Alan parecia tão contrafeito quanto eu, mas garantiu que encontraríamos alguma coisa. Ele conhecia bem as butiques e também me levou à Saks Fifth Avenue. Enquanto escolhia as roupas, pensei na minha outra preocupação: a carta diária que prometera a meus pais. Como explicaria os carimbos postais de Las Vegas? Não era possível. Mas podia escrever as cartas com antecedência, numerá-las de um a sete e pedir que Jimmy remetesse de Los Angeles diariamente. Meus problemas estavam resolvidos. A Las Vegas!

Naquela noite o gramado na frente da casa de Elvis estava fervilhando de atividade. Parecia haver gente por toda parte. O enorme ônibus que George Barris mandara fazer especialmente para Elvis estava no caminho. Gente entrava e saía, carregando malas, discos, um aparelho estereofônico, caixas de Pepsi-Cola. Todos os preparativos e agitação davam a impressão de que Elvis estava se mudando, mas na verdade ele sempre viajava assim. Elvis ainda tinha receio de voar — um medo que mais tarde superou-e sentia-se mais tranqüilo quando estava no volante. Como não sabíamos por quanto tempo ficaríamos, Alan e Gene Smith providenciaram tudo o que Elvis gostava, a fim de que ele pudesse se sentir tão confortável como se estivesse em casa. Eu me sentia feliz. Era a primeira vez que estaríamos juntos sem restrições ou horário para voltar. Pouco antes de meia-noite todos se reuniram em torno do ônibus; era o momento de se despedir de quaisquer visitantes que o círculo habitual deixaria para trás.


Elvis vestia camisa branca, calça preta, luvas pretas e o eterno quepe de iatista. Ao partimos, ele gritou pela janela:

— Vamos voltar!

Pegamos a estrada para Las Vegas, no estado de Nevada. Eu não sabia para onde estava indo, mas a perspectiva de aventura me fascinava. E também me sentia orgulhosa; Gene sentava à direita, eu no meio, Elvis ao


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volante. Soube que Elvis sempre preferia guiar à noite, pois era mais fresco e havia menos tráfego. Ele parecia adquirir uma vida intensa a noite. Havia uma enorme diferença entre o Elvis durante o dia e o Elvis noturno. Depois que o sol se punha, outra personalidade assumia o controle e naquela noite em particular ele estava em grande forma. Num intervalo entre filmes, longe do Coronel Parker, livre das pressões e responsabilidades, ele podia relaxar e se divertir.

A caminho de Las Vegas, escutávamos músicas, comíamos e bebíamos Pepsi. No banco da frente, Elvis e Gene pilheriavam em sua linguagem especial. Elvis dizia alguma coisa e Gene respondia com um absurdo total. Quando a conversa parava, os dois se lançavam em ataques de surpresa, socando um ao outro. Se Gene achava que acertara um bom golpe, saía correndo para o fundo do ônibus, sabendo que Elvis sempre se recuperava e partia em seu encalço.

As brincadeiras continuaram durante a maior parte da extenuante viagem através do deserto. Eu me sentia fora de sintonia com as piadas particulares e as brincadeiras glamorosas. Era evidente que a turma percebia cada ânimo de Elvis. Eu ainda não me ajustara.

Chegamos a Las Vegas por volta das sete horas da manhã. Eu estava cansada e dormia quando Elvis gritou:

— Estamos entrando em Las Vegas. Olhe ao redor... só se vê hotéis. É conhecida como a Cidade do Pecado. Não é isso mesmo, Smith? Gene murmurou uma de suas respostas absurdas e Elvis riu, como sempre. O lugar parecia sossegado. Havia muitos táxis, alguns carros e poucas pessoas cansadas andando pelas ruas. Notei que fazia muito calor para sete horas da manhã, ainda mais para o mês de junho.

Fomos nos hospedar no Sahara Hotel. Para meu espanto, apesar de tão cedo, havia muita gente por toda parte. Elvis apontou para o cassino, estrondoso com os sons ritmados das máquinas caça-níqueis, as campainhas e um ou outro grito das mesas de dados.

— Isso é normal? perguntei a ele.

— Você ainda não viu nada, Honey. Espere até a noite para ver como isto aqui fica.



Não seria fácil esperar. Apesar de cansada, eu estava fascinada, observando os jogadores agrupados em torno das várias mesas e dos caça-níqueis. Elvis pegou-me pelo braço.

— Vamos subir para o quarto, Baby. Teremos tempo suficiente para isso mais tarde. É melhor descansarmos um pouco agora.

Seguimos o carregador para a suíte. A comitiva de Elvis começou no mesmo instante a arrumar os cômodos a seu gosto. Abriram as malas, arrumando suas roupas no armário com todo cuidado, alinharam os sapatos pelas cores, levaram os artigos de higiene para o banheiro. Armaram na sala seu toca-discos e os alto-falantes, reduziram a intensidade das luzes para criar o ambiente certo, ligaram todos os aparelhos de televisão.

— Por que sempre fica com a televisão ligada? — perguntei a Elvis.

— Porque me faz companhia — explicou ele. — Quando está ligada, tenho a sensação de que há pessoas ao redor.

Ele detestava entrar num cômodo silencioso e logo adotei também o hábito de ligar a televisão sempre que entrava num cômodo. Uma hora depois todos se retiraram, deixando a suíte com a impressão de que estava ocupada há muito, cada coisa em seu devido lugar. Elvis deu boa noite a todos e avisou que não deveriam nos acordar muito cedo. Ele trancou a porta do quarto, despiu-se e foi para a cama. Quando deitei ao seu lado, notei que ele estava tomando algumas pílulas para dormir. Mas não dei muita atenção. Não sabia o suficiente para sequer desconfiar de alguma ameaça potencial.

Eu sentia uma felicidade absoluta. Finalmente podíamos passar uma noite inteira dormindo juntos. Elvis me fitou e disse:

— Pode acreditar nisso, Baby? Depois de tanto tempo, aqui está você. Quem poderia jamais imaginar que chegaríamos a isso? Não vamos nem pensar na sua volta. Agora, só devemos pensar em nos divertir. Pensaremos no resto quando chegar o momento. Suas palavras estavam começando a ficar, enroladas. As reações eram mais lentas.

Ele me abraçou firme, murmurando várias vezes:

— Estou contente por ter você aqui... E, depois... o silêncio.



Olhei para os vidros de pílulas na mesinha-de-cabeceira e compreendi que ainda tinha competição. Quando acordei, à tarde, olhei para Elvis e aconcheguei-me contra seu corpo o máximo possível. Ele me enlaçou, apertando-me enquanto dormia. Contemplei suas sobrancelhas, as pestanas pretas e compridas, o nariz perfeito, a boca linda, de lábios cheios. Depois de algum tempo, eu estava dolorida de me manter na mesma posição, mas não me mexi, pois não queria despertá-lo.

Pensei nas pílulas que Elvis tomara antes de dormir. Estava aturdida, mas pensei que Elvis devia saber o que era melhor para ele e decidi não me preocupar mais com isso. Ele deve ter sentido que eu o observava atentamente, porque de repente abriu os olhos e desatou a rir.

— O que está fazendo? Se eu não a conhecesse, diria que está tentando me lançar um encantamento.

— Não conseguia mais dormir — murmurei, embaraçada por ele ter me surpreendido a observá-lo. — Acho que estou excitada demais.

Sentando na cama, Elvis disse:

— A primeira coisa de que preciso, Baby, é de uma xícara de café puro. Aperte o número quatro no interfone diga a Billy para encomendar o nosso desjejum. Ele sabe o que eu gosto e você informa o que quer. Diga a ele que deve estar aqui dentro de meia hora e para cuidar que o café esteja bem quente.

Saindo da cama, ele ligou a televisão e foi para o banheiro. Um momento depois ele enfiou a cabeça pela porta e acrescentou, sorrindo:

— Vista-se menina. Quero exibi-la por aí.

Era tudo o que eu precisava ouvir. Saltei da cama e corri para o meu banheiro. Enquanto me vestia, uma roupa informal de verão, podia ouvir música na sala. Entreabri a porta e fiquei surpresa ao constatar que todos os rapazes estavam ali, já vestidos, o desjejum posto na mesa de jantar. Terminei de escovar os cabelos e saí para a sala, onde todos me cumprimentaram com sorrisos afáveis. Elvis ainda não chegara e por isso ninguém começara a comer.

Todos estavam muito quietos. Embora já passasse de quatro horas da tarde, parecia que ainda era de manhã bem cedo. Cerca de quinze minutos depois Elvis entrou na sala, vestindo um terno com colete. Compreendi que


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não havia nada em meu guarda-roupa que se ajustasse à sua elegância. Ele foi até o aparelho estereofônico e pôs seu último disco para tocar, dizendo que a gravação era recente e queria que eu ouvisse suas últimas canções.

Só depois é que todos sentamos para comer. Era ótimo ouvir suas gravações antes de serem lançadas no mercado. Ele me perguntou o que eu achava de cada canção. Como eu sabia o que a juventude na Europa estava escutando, achei que meus comentários poderiam ser úteis. Ou pelo menos queria acreditar que fossem.

— Gosto muito das canções de ritmo rápido, como "Jailhouse Rock". Por que não grava mais canções assim? Não parecem tanto com o rock de seus discos anteriores.

Elvis me lançou um olhar de aversão tão intensa que fiquei apavorada.

— Mas que merda! explodiu ele. — Não pedi sua opinião sobre o estilo em que devo cantar. Perguntei se gosta das canções e mais nada... sim ou não. Já estou cheio das opiniões de amadores.

Não preciso de mais uma. Ele levantou-se, foi para o seu quarto e bateu a porta. Tentando recuperar o controle, fiz um esforço para reprimir as lágrimas. Estava embaraçada e confusa. O que havia de errado no meu comentário? Como podia deixá-lo tão transtornado? Por sorte, os rapazes já haviam deixado a mesa e estavam ocupados com diversas tarefas na outra sala. Não sabia se algum deles ouvira a explosão de Elvis, mas não queria confrontá-los. Sabia que Elvis possuía um temperamento explosivo-já o testemunhara antes, na Alemanha — mas nunca descarregara em cima de mim.

Lentamente, levantei-me, especulando para onde ir. A porta do quarto de Elvis ainda estava fechada. Embora partilhássemos o quarto, eu hesitava em entrar, com medo de que ele começasse a gritar comigo. Sem saber o que mais fazer, sentei ao lado dos discos e comecei a examiná-los, fingindo estar muito interessada.

E logo ouvi a porta do quarto abrindo, avistei Elvis parado ali. Ele fez um gesto para que eu me aproximasse. Relutante, larguei os discos e fui para o quarto, temendo o que ele ia dizer. Elvis fechou a porta, sentou-me na beira da cama e, para minha surpresa, começou a pedir desculpas:


— Desculpe, Baby. O que aconteceu antes não tinha realmente nada a ver com você. Acabei as gravações e ficaram ótimas, em comparação com o que geralmente querem de mim para os filmes.

Ele falou mais sobre o seu último filme, relatou a história, as canções, os diálogos, achando que era tudo uma porcaria.

Eu começava a compreender alguma coisa de sua frustração e insatisfação. Lembrei nossas conversas na Alemanha. Elvis sentia orgulho dos filmes que fizera antes de ingressar no exército. Falara cheio de esperanças sobre a perspectiva de fazer filmes com mais substância e menos canções.

— Cilla, daqui por diante planejo manter separadas a carreira de cantor e a carreira de ator.

Ele achava que era capaz de desempenhar papéis mais difíceis do que estavam lhe dando. A fim de se preparar, estudava determinados atores, aos quais admirava, como James Dean em "Assim Caminha a Humanidade" e Marlon Brando em "Sindicato de Ladrões" e "O Selvagem".

— Mas continuam a me oferecer apenas os mesmos musicais, Cilla, as mesmas histórias insípidas... e estão se tornando cada vez piores.

Seu maior problema era o fato de que esses filmes e os álbuns com trilha sonora eram sucessos espetaculares. Mas livrando-se de sua seriedade, ele pegou-me a mão e disse:

— Vamos fazer compras, Baby.

Essa era a maneira de Elvis compensar a sua explosão, mas eu levei algum tempo para superar. Acompanhei-o assim mesmo, forçando um sorriso entusiasmado. Estava começando a compreender como todos se comportavam de acordo com o ânimo de Elvis.

Levando Gene e Alan, embarcamos numa limosine à espera e andamos até que Elvis avistou uma butique em que vestidos atraentes, de lantejoulas, renda e babados, enfeitavam manequins na vitrine. Ele gritou para o motorista:

— Vamos parar aqui!

Pegando-me pela mão, ele levou-me para a butique. Todo o séquito acompanhou-nos, certamente o bando mais disparatado que já invadiu uma loja elegante como aquela. A vendedora ficou atônita.


— Oi dona. Sou Elvis Presley. Estamos dando uma olhada por aí. Talvez possa nos mostrar alguma coisa que agrade à minha amiga.

Os dois olharam para mim. A expressão da vendedora indicava que nós duas estávamos pensando a mesma coisa: aquelas roupas eram sofisticadas demais para uma garota como eu. Mas quando deparava com alguma coisa de que gostava, Elvis não pensava em termos de idade. Enquanto a vendedora ia até os fundos para buscar as roupas que encontrasse nos tamanhos seis e quatro, Elvis pôs-se a vasculhar os cabides, tirando diversas criações deslumbrantes e indagando quais me agradavam.

— São todos lindos — balbuciei. — Mas não sei como eu ficaria neles.

— Deixe que eu julgue isso — Disse Elvis, piscando um olho para Gene, que murmurou um de seus comentários absurdos.

Todos desatamos a rir, o que trouxe a vendedora de volta, apressadamente, carregando várias roupas. Elvis indicou suas preferências e declarou:

— Experimente essas roupas. E escolha quaisquer sapatos combinando, encaminhei-me para a cabine. A vendedora seguiu-me.

Longe dos olhos de Elvis, ela tratou-me como uma garotinha, mas eu estava tão encantada com as roupas que não me importei. Ao me contemplar no espelho com um vestido longo de jérsei preto e sandálias douradas de saltos, mal pude me reconhecer. Parecia mais velha, muito sensual e sofisticada. Quando saí da cabine, a vendedora murmurou:

— Não está nada mau para uma criança.

Elvis deu uma olhada e exclamou:

— Maravilhoso! Vamos levar!

Ficamos na butique por mais duas horas. Elvis me comprou não apenas o vestido preto, mas também outro de cetim azul, diversas roupas lindas de seda e "chiffon" além de um lindo vestido de brocado azul-claro, tudo acompanhado por bolsas e sapatos combinando. Quando saímos, deparamos com uma multidão formada lá fora.

Elvis olhou para Alan, que desapareceu no mesmo instante. Depois, ele deu autógrafos a diversas pessoas e despediu-se. Gene levou-nos pelos fundos da loja, onde Alan esperava com o carro, pronto para nos levar de volta ao hotel. Chegamos à suíte, Elvis anunciou:


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— Estou morrendo de fome. Joe, peça-me um filé, mas cuide para que seja feito como eu gosto. O que vai querer, Honey?

— Eu sempre mando eles fazerem como você gosta, Elvis — protestou Joe.

— Pois mande de novo — disse, Elvis em tom áspero. — A carne sempre vem meio crua.

Para Elvis, bastava a carne estar um pouco rosada para ser crua. Quando pediam um filé para ele, todos especificavam "muito bem passado". Virando-se para Alan, Elvis determinou:

— Orelha de Porco (ele sempre punha apelidos em todos os seus empregados), faça reservas para o show de Red Skelton à meia-noite. E veja se há alguém no hotel que possa pentear e maquilar Cilla.

— Pentear e maquilar? — repeti. — O que há de errado com os meus cabelos?

Eram compridos e castanho-escuros, penteados de um jeito informal. Mas além de sentir que ele não gostava do meu penteado, comecei a pensar agora que também não gostava de minha aparência.

— Não há nada de errado com seus cabelos, querida. Acontece apenas que estamos em Las Vegas. Todas as mulheres andam com um penteado formal. E você precisa de um pouco de maquilagem em torno dos olhos. Para ressaltá-los ainda mais. Gosto de bastante maquilagem. Serve para definir as feições.

Definir as feições? Na ocasião, fazia muito sentido... e Elvis sabia o que estava fazendo.

Enquanto esperávamos o jantar, Elvis pôs um dos seus discos na vitrola e sentou ao meu lado, cantando alto, acompanhando sua própria voz no disco. Naquele momento toda a minha paixão foi reavivada. Quando ele cantava sobre o amor perdido ou uma vida passada no sofrimento e angústia, dizia a letra com tanta convicção que eu podia sentir toda a intensidade de sua dor. Elvis era fã da música Country muito antes que se tornasse popular e sempre se mostrara impressionado com a emoção intensa que tais gravações ofereciam.

Depois do jantar começamos a nos aprontar para a noitada. A pedido de Elvis, Armond, um cabeleireiro do hotel, veio à suíte e passou duas


horas ajeitando minha nova aparência. Ele puxou e torceu meus cabelos, fazendo uma mecha comprida cair pela frente do ombro esquerdo. Depois, aplicou tanta maquilagem que não dava para determinar se meus olhos eram pretos, azuis ou pretos e azuis. Era a aparência dos anos sessenta, só que mais extremada.

Era assim que Elvis queria. Quando pus meu vestido novo de brocado completou-se a transformação de uma garota inocente de dezesseis anos para uma sereia sofisticada. Eu parecia uma das dançarinas do Folies-Bergère.

— Mas o que aconteceu com a pequena Cilla? — disse Elvis, ao me ver. — Você está linda. Joe, dê um pulo até aqui. Veja o que descobri.

Joe entrou, teve uma reação de surpresa e comentou:

— Não parece a garotinha que conhecemos na Alemanha, usando um vestido de marinheira.

Todos riram e partimos para assistir ao show da meia-noite de Red Skelton. Chegamos pouco depois que as luzes apagaram e o maître, usando uma lanterna, conduziu-nos à nossa mesa. Elvis sempre procurava chegar desapercebido, a fim de não desviar a atenção do artista que estivesse fazendo o espetáculo. Mas espalhou-se pela audiência a notícia de que ele estava ali e poucos segundos depois os murmúrios começaram, várias cabeças se viraram.

Ao final do espetáculo, Elvis sempre tentava sair antes que as luzes acendessem. Mas naquela noite não o fizemos. As luzes se acenderam e no instante seguinte estávamos cercados por uma multidão entusiástica,as pessoas se empurrando e acotovelando,ansiosas em conseguirem um autógrafo.

Tendo apenas pouco mais de 1,60m de altura, fui engolfada pelo aperto e me senti sufocada. Estendi a mão para Elvis, dominada pelo pânico, e balbuciei:

— Não consigo respirar. Tenho de sair daqui.

A princípio ele sorriu, depois assumiu uma expressão de preocupação, ao perceber meu desespero. Ainda sorrindo e dando autógrafos, ele disse a Alan:



— Tire Cilla daqui o mais depressa que puder. Irei me encontrar com vocês assim que for possível.

Alan olhou para mim, pegou-me a mão e abriu caminho pela multidão, saindo do hotel. Respirando o ar fresco lá fora, recuperei o controle. Pela experiência, aprendi a efetuar um reconhecimento das saídas sempre que entrava com Elvis em alguma sala apinhada.

Quando ele saiu também, poucos minutos depois, a limusine já estava à espera. Embarcamos e partimos para o Sahara Hotel, ao encontro da minha primeira aventura no jogo. Elvis não era um jogador sério, pois não se importava se ganhava ou perdia. Jogava apenas pela diversão. Um charuto sobressaindo no canto da boca, um copo na mão, os olhos se estreitando desconfiados para as cartas, ele oferecia uma encenação impecável de Clark Gable como Rhett Butler. Sentei orgulhosa ao seu lado, a própria Scarlet O'Hara.

Eu nunca jogara vinte-e-um antes, mas depois de algumas mãos Elvis concluiu que eu pegara o jeito. Entregou-me quinhentos dólares e disse, jovialmente:

— Está agora por conta própria, menina. O que ganhar é seu e o que perder... discutiremos a respeito mais tarde.

Sorri e pedi ao crupiê que me incluísse no jogo. Olhei para as minhas cartas, contando com os dedos por baixo da mesa. Nove mais oito dá dezessete e depois um cinco faz...

— Vinte e um! — gritei, abrindo as cartas por baixo da mesa e olhando para Elvis, em busca de aprovação.

— Deixe-me dar uma olhada. — Ele recolheu as cartas, cerrando um olho ao contar. Depois, inclinando-se para mim, ele sorriu e sussurrou: — Desculpe Baby, mas você está com vinte e dois.

Fiquei tão embaraçada que pedi licença e fui me refugiar no banheiro. Acabei tomando coragem para voltar, tentei de novo e a sorte me ajudou, pois ganhei duzentos dólares.

Durante as duas semanas seguintes dormíamos de dia e jogávamos à noite. Se havia algum show, íamos assistir; se havia um cassino, íamos jogar. A fim de me adaptar a esse estilo de vida vertiginoso e horários insólitos, passei a acompanhar Elvis e os outros, tomando anfetaminas e


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pílulas para dormir. E tomava as pílulas apesar de todas as apreensões que sentia a respeito. Eram essenciais para que eu não ficasse para trás. Estava me adaptando. As inibições foram se desvanecendo, tornei-me mais positiva, especialmente depois que tomava as pílulas. Gostava da sensação. Embora fosse uma fuga da realidade, estávamos em sintonia e eu me convencia de que me ajustava cada vez mais ao mundo de Elvis. Estávamos aprendendo tudo a respeito um do outro e aproveitando aquela viagem para compensar os dois anos de separação. Ambos ficávamos cada vez mais apaixonados... e evitávamos pensar no momento em que teríamos de nos separar mais uma vez.


ELVIS E EU





CONTINUA,,,,,,,,
 

 









LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 7

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 7



Era um dia frio e nevado, em março de 1962, quase dois anos depois que Elvis deixara a Alemanha. Ao final da tarde, ele me telefonou. Há meses que não nos falávamos.

— Eu gostaria que você viesse a Los Angeles, Baby. Acha que podemos dar um jeito?

Atordoada, balbuciei:

— Não sei... Oh, Deus, eu não esperava por isso! Vai precisar algum tempo, algum planejamento.

Eu achava que jamais conseguiria persuadir papai a me deixar viajar. Houve vários telefonemas, com Elvis procurando dizer todas as palavras certas para agradar os meus pais. Tive conversas separadas com mamãe, na esperança de que ela me ajudasse a convencer papai.

Mais uma vez, Elvis atendeu a todas as exigências de papai: que esperássemos até eu iniciar as férias de verão, que ele me enviasse uma passagem de ida e volta em primeira classe, que apresentasse um roteiro meticuloso das minhas atividades durante as duas semanas que passaria em Los Angeles, que eu tivesse uma companhia constante e escrevesse todos os dias para meus pais.

Os poucos meses subseqüentes pareceram anos. Eu marcava no calendário cada dia até o nosso reencontro.


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Quando o avião pousou em Los Angeles eu descobri que o terminal estava fervilhando de estudantes em férias. Mas não tive qualquer dificuldade em avistar Joe Esposito, que ainda trabalhava para Elvis. Foi um prazer rever Joe. Seu sorriso largo e abraço afetuoso foram confortadores. Adorei quando ele disse que eu estava maravilhosa. Mas eu não pensava assim. Quando Elvis me vira pela última vez eu tinha quatorze anos e três quilos a menos. Receava agora que ele ficasse desapontado ao me ver e me mandasse de volta para casa no dia seguinte. Tive o primeiro vislumbre de Los Angeles ao deixarmos o aeroporto. Era uma cidade linda, muito diferente da insipidez da Alemanha do pós-guerra. Ao passarmos pelos estúdios da MGM, em Culver City, Joe comentou:

— Foi aqui que Elvis fez a maioria de seus filmes.

Logo estávamos percorrendo a lendária Sunset Strip e passando pelos enormes portões de ferro batido de Bel Air.

Eu estava entrando num mundo que jamais conhecera. Cada casa ao longo da rua sinuosa parecia mais espetacular de que a anterior. Entramos na casa de Elvis na Bellagio Road, no estilo de uma villa italiana. Fomos recebidos pelo mordomo de Elvis, que se apresentou como Jimmy e disse:

— O Sr. P. está no estúdio.

Ao passarmos pela porta, pude ouvir música tocando alto e pessoas rindo. Joe levou-me lá para baixo.

Antes de entrar, respirei fundo. Os anos de espera estavam agora encerrados. Na semi-escuridão, avistei pessoas refesteladas num sofá e outras de pé, junto a uma vitrola automática, selecionando canções. E depois vi Elvis, de calça preta, camisa branca e quepe. Senti vontade de correr para os seus braços, mas aquela sala cheia de pessoas não era o


cenário com que eu sonhara para o nosso primeiro encontro. Ele se virou e me avistou; depois de uma breve pausa, seu rosto se abriu num sorriso.

— Lá está ela! — exclamou ele, largando seu taco. — É Priscilla! Ele se adiantou, abraçou-me e beijou-me. Apertei-o por tanto tempo quanto pude... até que ele me largou.

— Já não era sem tempo — disse ele, jovialmente. — Por onde você andou durante toda a minha vida?

Consciente de que todos os olhos na sala se fixavam em nós, eu me sentia embaraçada. Enxuguei rapidamente as lágrimas, antes que alguém percebesse. Elvis pegou-me pela mão e apresentou-me, depois fomos sentar juntos.

— Não sabe como estou contente por ter você aqui comigo — ele repetia a todo instante. — Não imagina como estou ansioso em lhe mostrar tudo. Você cresceu. E está sensacional. Deixe-me contemplá-la. Fique de pé. Enquanto ele me olhava, fui ficando cada vez mais inibida. Não queria que ele continuasse a me contemplar por muito tempo. Poderia encontrar defeitos.

Elvis estava lindo, mas fiquei surpresa ao descobrir que seus cabelos louros do tempo do exército estavam agora pintados de preto. Ele parecia mais magro e feliz.

— Não vá embora Baby.

Ele deu-me um beijo afetuoso e depois voltou à mesa de sinuca, a fim de terminar a partida.

A noite parecia se arrastar devagar... devagar demais. Enquanto Elvis estava jogando, algumas garotas se aproximaram de mim e se puseram a falar. Disseram que Elvis oferecia festas quase todas as noites. Ouvindo isso e observando-o, enquanto a noite avançava, senti-me fora de contato com sua nova vida, embora as garotas dissessem que ele falava a meu respeito com freqüência e até mostrava minha fotografia a todo mundo.

Jogando sinuca, Elvis ria e gracejava. Quando uma das garotas se inclinou sobre a mesa, a fim de tentar uma tacada, Elvis espetou seu traseiro com o taco. Ela soltou um grito de surpresa e todos riram... menos eu. Não pude deixar de notar que houvera uma pequena mudança em

Elvis. Ele deixara a Alemanha como um garotão gentil, sensível e inseguro; durante a noite, eu iria constatar que se tornara malicioso e confiante, ao ponto da arrogância.

Elvis parecia também ser capaz de explodir em raiva muito depressa. Quando uma garota advertiu-o a tomar cuidado com um copo, empoleirado precariamente na beira da mesa de sinuca, ele lançou-lhe um olhar furioso, como a dizer "Pegue o copo você mesma."

Eu me sentia apreensiva. Não sabia o que fazer ou dizer. Entre as tacadas, Elvis se aproximava e me dava um beijo afetuoso, indagava se eu estava bem, depois voltava para sua tacada seguinte. Enquanto isso, os olhares curiosos de suas admiradoras nunca se afastavam de mim. Passava de meia-noite e meia quando Elvis finalmente sentou ao meu lado. Agora, foi como nos velhos tempos na Alemanha. Ele sugeriu que eu fosse para o seu quarto.

— Lá em cima, a primeira porta à direita, Baby. As luzes estão acesas. Subirei daqui a pouco. — Comecei a me levantar e ele acrescentou: — Espere alguns minutos, até eu me afastar. Assim, não vai parecer tão óbvio. A situação não me agradava. Sabia que ele estava me protegendo, mas havia muitas garotas bonitas presentes e eu queria que todas soubessem que Elvis me pertencia... pelo menos enquanto eu estivesse ali. Esperara tempo demais para ser discreta.

Levantei-me, espreguicei-me um pouco, desejei polidamente boa noite a todos, esperando que soubessem com certeza para onde eu estava indo.

Subi a escada correndo e encontrei o quarto de Elvis sem qualquer dificuldade. Era muito diferente dos seus aposentos de aparência comum na Alemanha. Nunca o imaginara a viver com tanto luxo — tapetes grossos, móveis requintados — mas o quarto parecia aconchegante. E depois meus olhos se fixaram na cama enorme, no meio do quarto. Pensei no mesmo instante em quantas mulheres já teriam dormido ali... corpos que ele abraçara e acariciara... e ainda pior, lábios que ele beijara ardentemente e o levaram ao êxtase. Eu não podia pensar em qualquer outra coisa.

Fui até as portas francesas que davam para o pátio e observei os convidados de Elvis se despedindo e se encaminhando para seus carros.


Sabendo que provavelmente ele subiria dentro de um instante, corri para o enorme banheiro adjacente.

Dez minutos depois eu entrara e saíra da banheira, penteara os cabelos, escovara os dentes e passara no corpo todo um talco que encontrara no armarinho da pia. Pus meu pijama azul predileto e fiquei parada, imóvel, diante da porta para o quarto. Sentia-me tão apreensiva que não era capaz de abrir a porta. Aquele era o momento que tanto ansiáramos e temêramos. Sentei numa cadeira e lembrei que Elvis dissera, quando eu tinha quatorze anos, que era "jovem demais". Agora que tinha dezesseis anos, tentei imaginar o que aquele Elvis, a quem eu mal conhecia, podia esperar de mim.

Cerca de quinze minutos depois ouvi-o abrir a porta do quarto e gritar para o primo, Billy Smith, que também trabalhava para ele:

— Não me deixe dormir até depois das três horas amanhã, Billy. No instante seguinte ele fechou a porta, trancou-a e indagou:

— Onde você está Baby?

— Estou no banheiro. Estarei aí com você dentro de mais alguns minutos.

Não demore muito. Quero ver minha garota. Eu ainda não conseguia me mexer. Elvis chamou de novo:

— O que está fazendo aí, Cilla?

Ninguém leva tanto tempo para se aprontar para deitar. Era o momento da verdade. Respirando fundo, abri a porta e saí. Elvis estava deitado na cama, fitando-me. Avancei em sua direção devagar, subi na cama, deitei ao seu lado. Nossos rostos estavam separados por poucos centímetros. Era um momento de ternura tão inesperado que fiquei mesmerizada a contemplar os seus olhos. Ficamos assim por um longo tempo, fitando-nos, até que nossos olhos se encheram de lágrimas. Elvis acariciou meu rosto, suavemente, sussurrando:

— Não pode imaginar como eu senti saudade. Você tem sido uma inspiração para mim. Não me pergunte por quê, mas não consegui tirar você dos pensamentos desde que deixei a Alemanha. É a única coisa que me mantém firme.

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ELVIS E EU


Não pude me controlar por mais tempo. As lágrimas escorriam-me pelas faces. Elvis abraçou-me e apertou-me, mas parecia que eu não conseguia ficar bastante perto dele. Se pudesse entrar dentro dele, eu o teria feito.

— Tudo vai dar certo, Baby. Eu prometo. Você está aqui agora e isso é tudo o que importa. Vamos nos divertir ao máximo e não pensar na sua volta.

Deitados ali, na semi-escuridão, Elvis logo descobriu que eu continuava tão intacta quanto me deixara, dois anos antes. Aliviado e satisfeito, Elvis comentou que isso significava muito para ele. Foi como se todos os meus sentimentos de mulher começassem a aflorar. Passei a beijá-lo ardentemente. Eu o queria... estava pronta para me entregar totalmente. Ele reagia ao meu ardor, mas de repente parou.

— Espere um pouco, Baby — murmurou ele. — Isso pode escapar ao controle.

— Há algum problema?

Eu temia não estar agradando-o. Elvis sacudiu a cabeça, tornou a me beijar e depois, gentilmente, puxou minha mão para si.

Senti o quanto ele desejava, física e emocionalmente. Elvis comprimiu seu corpo contra o meu, era uma sensação maravilhosa.

— Eu quero você, Elvis.

Ele pôs um dedo em meus lábios e murmurou:

— Ainda não... não agora. Temos muitas coisas pela frente. Não quero macular você. Desejo apenas que continue assim como está, por enquanto. Haverá um momento e um lugar certo e saberei quando isso acontecer.

Embora confusa, eu não estava disposta a argumentar. Elvis deixou bem claro que era isso o que queria. Fazia com que parecesse muito romântico e, estranhamente, era algo para se aguardar com ansiedade. Mas tarde, naquela mesma noite, ele disse que eu tinha de ficar na casa de amigos seus, George e Shirley Barris. Embora eu protestasse, Elvis insistiu:

— Não quero quebrar a promessa que fiz a seu pai. E se ele descobrisse que você está aqui comigo, certamente a obrigaria a voltar para casa no mesmo instante.



Não fazia o menor sentido, mas saí da cama e Elvis mandou Joe me levar até a casa dos Barris, onde passei a noite. Relutante, é claro. Posteriormente, descobri através de uma das esposas com quem fiz amizade o motivo para eu passar aquela primeira noite com George e Shirley. Anita fora despachada de volta a Memphis no dia anterior e Elvis estava tomando as precauções necessárias para evitar situações constrangedoras que poderiam resultar de telefonemas durante a madrugada, já passava de três horas da tarde seguinte quando Elvis telefonou, informando:

— Alan já está indo buscá-la.

Alan Fortas era outro dos seus empregados. Quando chegamos a casa, encontrei Elvis lá em cima, vestindo-se. Assim que me viu, ele beijou-me e perguntou:

— Gostaria de ir a Las Vegas? Podemos nos divertir a valer e eu lhe mostraria meus lugares prediletos.

Sem compreender sua contradição em relação à minha permanência com Barris na noite anterior e me sentindo apreensiva para fazer qualquer pergunta, limitei-me a dizer:

— Adoraria. Quando?

— Esta noite. Vamos pegar o ônibus e partir por volta de meia-noite. Chegamos pela manhã, dormimos durante o dia inteiro e assistimos aos shows e nos divertíamos pela noite afora.

O excitamento estava no ar... Las Vegas! Eu jamais sonhara em ir até lá e não tinha a menor idéia do que esperava. Na verdade, não me importava para onde fôssemos, desde que eu estivesse em sua companhia.

Tinha duas preocupações imediatas. A primeira, não sabia se podia comprar — ou se na minha idade deveria usar — as roupas glamorosas apropriadas para Las Vegas. Mas Elvis disse que eu não me preocupasse com isso, Alan me levaria às compras naquela tarde.


ELVIS E EU


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CONTINUA,,,,,,,,,