Elvis 1956


quarta-feira, 17 de maio de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 37

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 37


Como a maioria dos casais rompendo um casamento, passamos por um período difícil, antes de finalmente aceitarmos o fato de que estávamos nos separando. O divórcio foi consumado a 9 de outubro de 1973. Embora Elvis e eu continuássemos a nos falar regularmente, não nos encontrávamos pessoalmente durante os últimos meses, um período de tensão, enquanto os advogados procuravam acertar tudo. Elvis e eu acabamos resolvendo tudo diretamente. Ambos éramos bastante sensíveis e ainda preocupados com os sentimentos um do outro para saber que queríamos evitar acusações amargas e tentativas de atribuir a culpa um ao outro. A principal preocupação era Lisa, cuja custódia concordamos em partilhar. Permanecemos tão ligados que Elvis nunca se deu ao trabalho de pegar a sua cópia da sentença do divórcio.

Acompanhada por minha irmã Michelle, esperei no tribunal em Santa Monica, Califórnia, pela chegada de Elvis. Quando ele apareceu, fiquei chocada por sua aparência. Suas mãos e rosto estavam inchados, ele suava profusamente.

Fomos para a sala do juiz, seguidos por Vernon, Michelle e os advogados. Elvis e eu sentamos diante do juiz, de mãos dadas, enquanto ele efetuava as formalidades do divórcio. Mal ouvi qualquer coisa, de tão atordoada pelo estado físico de Elvis; não parava de passar os dedos por suas mãos inchadas.

Imaginei se a nova namorada de Elvis, Linda Thompson, saberia o quanto ele precisava de amor e atenção. E acabei sussurrando:

— Sattnin, ela está cuidando direito de você... vigiando seu peso e dieta, esperando que você pegue no sono à noite?

O juiz acabou de ler a sentença. O sonho que eu acalentara, de uma união perfeita, estava encerrado. A esperança de um casamento ideal, que absorvera todos os meus pensamentos e energia desde os quatorze anos de


idade, findava com o movimento de uma caneta. Sentindo um vazio enorme, voltei com Michelle para meu carro. Elvis, seu pai, seu advogado e alguns dos rapazes encaminharam-se para a limusine. Na passagem, eu acenei, ele piscou-me. A afinidade mútua que partilhávamos sempre existiria. Continuamos a nos falar com freqüência, especialmente sobre Lisa, que sabíamos que ficaria infeliz. Queríamos que ela soubesse que não seria de jeito nenhum privada de qualquer dos dois. Quando nos encontrávamos, era como se nunca tivéssemos nos separado, trocando beijos afetuosos e sentando de braços dados, com Lisa em nossos colos; quando estávamos apartados, jamais criticávamos um ao outro. Lisa visitava Elvis com freqüência, tanto em Los Angeles como em Memphis. Ele garantia que cuidaria bem dela, mas eu não podia deixar de me preocupar, por causa de seu estilo de vida. Telefonava para verificar como estavam as coisas quase todas as noites. Era uma hora da madrugada em Memphis quando perguntei a Elvis:

— Lisa tomou seu banho e já está na cama?

— Claro — respondeu ele. — Lisa está sendo muito bem cuidada. Já está na cama, profundamente adormecida.

Poucos minutos depois Tia Delta me telefonou e queixou-se que Lisa não estava na cama e não conseguia fazer com que ela tomasse seu banho.

Falei com Lisa, que disse:

— Papai queria que eu ficasse acordada.

Liguei de novo para Elvis e comentei:

— Pensei que você tivesse dito que ela já estava na cama.

— Ora, deixe-a ficar acordada — protestou ele. — Não tem a menor importância.

O pai dava tudo a Lisa na proverbial travessa de prata, o que criava um conflito quando ela voltava para casa e tinha de enfrentar a realidade. Tínhamos uma discussão permanente sobre a maneira que ela deveria ser criada.

— Que se danem os valores — dizia Elvis, jovialmente.

Eu sabia que era essencial que Lisa adquirisse alguma perspectiva da vida, mas era difícil explicar isso a Elvis Presley. À medida que os meses passavam, Linda Thompson tornou-se uma companheira constante de Elvis



ELVIS E EU

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e achei que isso era bom para ele. Elvis começou a fazer viagens a Aspen e Havai, saindo mais, por causa da personalidade extrovertida de Linda. Quando conversávamos, ele parecia bastante animado. Sua carreira no cinema ainda se encontrava num impasse e ele se concentrava nas apresentações em Las Vegas e na excursões. Elvis tinha dificuldades em se imaginar como "um homem de quarenta anos ainda se sacudindo aos acordes de 'Houd a Dog'". Tinha outras ambições. Falou um dia em produzir e até dirigir, mas nunca tomou quaisquer providências para isso. E apareceu uma proposta. Barbra Streisand e Jon Peters convidaram-no para trabalhar numa refilmagem de Nasce uma Estrela.

Quando Elvis telefonou de Las Vegas, tive a impressão de que ele aceitaria o convite. Sua energia e entusiasmo eram contagiantes. Era um filme clássico e ele estava convencido de que era a sua grande oportunidade de se lançar em papéis dramáticos. Estava confiante de que poderia representar muito bem o papel de Norman Mayne.

— Parece que a coisa está certa — disse ele. — Só falta acertar os detalhes.

Mas o projeto encalhou nesses detalhes. Era o primeiro filme de Jon Peters. O fato de que ele dirigiria o filme sem créditos anteriores representava um problema, na opinião do Coronel Parker. Outra dificuldade era o fato de que o nome de Elvis ficaria em segundo lugar, depois de Barbra — algo que o Coronel não podia admitir. O projeto foi rejeitado, deixando Elvis desolado com a oportunidade perdida. Com o tempo, tornou-se evidente que ele não estava cuidando de sua saúde. Chegou a comentar, em algumas ocasiões:

— Não vou passar muito além dos quarenta anos.

Todas as pessoas costumam fazer declarações assim, mas no caso de Elvis o pensamento era profundamente arraigado e crônico. Gladys morrera aos 42 anos; como Gladys, Elvis queria morrer antes do pai, sentindo que não poderia suportar outra perda.

De vez em quando eu era informada de que ele se internara num hospital. Preocupada, eu sempre telefonava, indagando:

— Você está bem?
— Claro — respondia ele, rindo um pouco para demonstrar que não havia nada de grave. — Só preciso de um pouco de descanso, Sattnin.

Eu concluía então que ele fora para o hospital pelo mesmo motivo que o fizera no tempo do exército. Era a sua maneira de conseguir algum repouso; precisava sair de Graceland e afastar-se de todas as pressões. Por volta de 1976 todos estavam ficando alarmados com seu estado mental, além da aparência física. O rosto estava inchado, o corpo anormalmente pesado. Quanto mais as pessoas tentavam lhe falar a respeito, mais ele insistia que estava tudo bem.

O Coronel estava preocupado até com as ações de Elvis no palco. Elvis começava a esquecer as letras e a recorrer às partituras. Comportava-se de maneira imprevista, ignorando a audiência e se apresentando apenas para a banda. Alguns shows foram cancelados e ninguém podia prever se ele apareceria ou não no palco.

Na ausência de qualquer desafio profissional significativo, Elvis criava os seus próprios dramas da vida real. Seu fascínio por armas de fogo era agora uma obsessão. Tornou-se paranóico em relação às ameaças de morte. Através de sua associação com a polícia de Memphis, ele teve acesso à lista de traficantes de tóxicos. Achava que tinha a responsabilidade pessoal de tirá-los das ruas. Uma noite, bem tarde, ele me telefonou e disse:

— Cilla, você tem alguém que gostaria que fosse liquidado? Posso dar um jeito. Tudo rigorosamente confidencial.

A classe, charme e orgulho que durante os últimos oito anos haviam caracterizado as apresentações ao vivo de Elvis Presley beiravam agora à paródia. Frustrado pela falta de desafio a cada show que passava, Elvis passou a recorrer à pura exuberância, simbolizada por seus trajes, cada um mais requintado do que o anterior, com uma abundância de pedras falsas, tachas e franjas. Havia capas enormes e cintos incômodos. Ele se apresentava em trajes que acrescentavam quinze quilos a seu peso. Era como se estivesse determinado a conquistar a audiência por sua aparência, em vez de confiar apenas em seu talento.


Houve ocasiões, durante o último ano, em que ele foi criticado pela maneira como se relacionava com o público. Algumas pessoas comentaram que ele gracejava demais com os músicos e não terminava as canções. Houve uma noite em que ele chegou a reclamar no palco da "péssima administração" do hotel, citando um determinado empregado do Hilton que estava sendo despedido. No dia seguinte o Coronel Parker pediu a Elvis que cuidasse apenas do que lhe competia — o show deixando o hotel cuidar de seus empregados.

Vernon tendia a tomar a defesa de Elvis em todas as crises, mas o Coronel tinha motivos para estar preocupado. Um dos rapazes disse a Elvis que ele estava parecendo mais e mais com uma apresentação de Liberace. Sua esperança era de que Elvis compreendesse a insinuação e recuperasse o bom senso, passando a se basear apenas em seu talento. Mas Elvis insistira desde o início:

— Só quero ler as críticas positivas. Não quero tomar conhecimento de qualquer comentário negativo.

Como adolescente, ele fora resguardado das críticas desfavoráveis por Gladys. Quando fazia seus álbuns, ela só colava os recortes favoráveis. Se não tivesse sido tão protegido, Elvis poderia ter uma perspectiva melhor de sua carreira. Pelo menos estaria a par de tudo o que se dizia a seu respeito e talvez usasse alguns comentários de maneira construtiva. Não importa o que ele fizesse, porém, seus fãs continuavam a aclamá-lo. Eram fiéis nos bons e maus desempenhos e chegou um momento em que esse amor era a única gratificação de que Elvis dispunha. Apoiavam tudo o que ele fazia. Talvez ele pensasse que estava tudo bem enquanto recebesse as aclamações. Mas, na verdade, o Coronel Parker estava certo quando disse a Elvis que precisava se corrigir ou toda a sua carreira estaria comprometida.

Sua vida pessoal não ajudava em nada. Ele estava namorando Ginger Alden, que era vinte anos mais moça. A diferença de idade se tornava um problema cada vez maior. Elvis dizia:

— Estou cansado de criar crianças. Não tenho paciência para passar por tudo outra vez.

Havia conflitos — e muitos. Ginger não gostava das excursões, dos shows de uma noite só. Era muito chegada à família e não queria deixá-la.



ELVIS E EU

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Elvis experimentou levar metade da família, mas isso só acarretou mais problemas.

— Ela passa mais tempo com a irmã e a mãe do que comigo — queixou-se ele.

— Acha que pode viver apenas com uma mulher?

— Acho, sim. E agora mais do que nunca.

Sei que fiz muitas coisas estúpidas, mas a pior de todas foi não compreender o que tinha até que perdi. Quero minha família de volta. Especulei se haveria alguma possibilidade de fazermos com que tudo desse certo.

— Talvez fosse cedo demais para nós, Sattnin — comentei. — Talvez um dia chegue o momento certo para nós.

— Tem razão. — Elvis soltou uma risada. — Quando eu tiver setenta anos e você estiver com sessenta. Ambos estaremos tão velhos que vai parecer uma tolice sairmos em disparada em carrinhos de golfe.

Em abril de 1977 Elvis ficou doente, teve de cancelar uma excursão e voltar a Graceland. Lisa e eu estávamos lá, visitando Dodger. Ele me chamou a seu quarto. Não olhou para si mesmo; o rosto e o corpo estavam inchados. Vestia um pijama, o traje que parecia preferir agora quando estava em casa. Tinha nas mãos o Livro dos Números de Cheiro e disse que queria que eu lesse uma coisa. Sua busca por respostas não se extinguira. Ainda procurava seu propósito na vida, ainda achava que não encontrara sua vocação. Se descobrisse uma causa para defender, quer fosse uma sociedade sem drogas ou a paz mundial, teria o papel que procurava na vida. Sua generosidade era prova dessa parte de sua natureza — a legendária propensão para dar, até mesmo a incontáveis pessoas que não conhecia.

Mas Elvis jamais encontrou uma cruzada para tirá-lo de seu mundo enclausurado, uma disciplina bastante forte para anular a fuga nas drogas. Naquela noite ele leu para mim, procurando por respostas, exatamente como fizera no ano anterior e em todos os outros anos antes.



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CONTINUA,,,,,,,

 
 

 

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