Elvis 1956


terça-feira, 25 de abril de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 19

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 19




Na próxima vez que Elvis foi para Los Angeles, onde estava começando a filmar Kissi'n Cousins, fui em sua companhia.

Eu adorava Los Angeles. Era uma cidade emocionante, em comparação com o ritmo lento a que me acostumara em Memphis. E o melhor de tudo: eu me sentia parte do mundo de Elvis. Sua programação frenética e a intensa atividade cotidiana eram agora realidades para mim, não mais apenas acontecimentos remotos, relatados em nossas conversas telefônicas noturnas.

O problema era que a vida de Elvis ainda incluía Ann-Margret, apesar do filme que haviam feito juntos, Viva Las Vegas, ter sido concluído seis semanas antes. Os jornais noticiavam todas os dias que o romance entre os dois estava "desabrochando", cada artigo me atingindo como uma bofetada. Pensei: Quando tudo isso vai acabar... as notícias, fofocas, manchetes, o romance?

Uma tarde Elvis voltou do estúdio com um jornal na mão, furioso.

— Não posso acreditar que ela tenha feito isso! — Ele jogou o jornal contra a parede, num acesso de raiva. — Teve a desfaçatez de anunciar que estamos noivos!

Eu tinha certeza absoluta da resposta, mas assim perguntei:

— Quem?

— Ann-Margret. Todos os grandes jornais dos Estados Unidos deram a notícia. O rumor espalhou-se como uma doença contagiosa. Virando-se para mim, ele acrescentou:

— Vou ter de pedir a você para ir embora, Honey. A imprensa ficará de vigia no portão e me seguirá por toda parte, à espera de uma declaração. O Coronel sugere que talvez seja melhor você voltar para Memphis, até que as coisas esfriem.



Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Subitamente, todos os meses de silêncio insuportável afloraram e gritei:

— O que está acontecendo por aqui? Já não agüento mais esses segredos! Telefonemas! Bilhetes! Jornais! — Peguei um vaso com flores e joguei para o outro lado do quarto, espatifando-o contra a parede. — Eu a odeio! Por que ela não continua na Suécia, que é o seu lugar? Elvis agarrou-me pelo braço e puxou-me para a cama.

— Pare com isso! Eu não sabia que a situação ia escapar ao controle. Quero uma mulher que compreenda que essas coisas sempre podem acontecer. — Ele me lançou um olhar duro, penetrante. — Você vai ser essa mulher.. ou não?

Sustentei o seu olhar, furiosa, desafiadora, odiando-o por tudo o que estava me obrigando a suportar.

Depois de uma pausa prolongada, nós dois nos acalmamos. Mais uma vez ansiosa em agradar, murmurei:

— Partirei amanhã. Ficarei em Memphis à sua espera.

Elvis voltou duas semanas depois. Pouco falamos na noite de seu retorno. Trocamos alguns sorrisos forçados. Por sorte, havia muitos rostos familiares presentes, o que ajudou a disfarçar o constrangimento do momento.

Depois que todos foram embora, Elvis e eu finalmente tivemos de nos encarar. Ele se aproximou, pegou meu rosto entre as mãos, fitou-me nos olhos e murmurou:

— Está tudo acabado, Cilla. Juro para você. Acabou.

Não falei nada. Apenas escutei com toda atenção enquanto ele continuava:

— Acho que fui envolvido por uma situação que escapou ao controle desde o início. Ela e eu vínhamos de dois mundos diferentes. Não gosto de ser explorado. Não posso viver assim. Não me interprete mal. Ela é uma boa garota, mas não é para mim.

Eu não queria ouvir mais nada. Fitei-o, apenas meio escutando o que ele dizia, ao mesmo tempo em que me perguntava como poderia continuar sabendo que o futuro só lhe traria mais tentações. O amor era muito mais complicado do que eu jamais imaginara.



ELVIS E EU



Houve um silêncio entre nós, que persistiu até que Elvis não pôde mais suportar e disse:

— Vamos esquecer tudo. Perdoe-me, por favor. — Depois, com expressão de garotinho que parecia sempre conquistar meu coração, ele acrescentou: — Acho que foi o diabo que me levou a fazer isso. Concordei.

Seria um pouco mais cética agora. E ainda havia mais um problema a resolver. Fui para o banheiro de Elvis, revistei seu estojo de maquilagem e tirei um telegrama que sabia que ele recebera antes. Dizia simplesmente:

NÃO POSSO ENTENDER— SCOOBIE."

Era de Ann-Margret. Tive certeza, scoobie era um apelido que ela dera a si mesma, como Elvis me confessou depois. A frase era também o título do primeiro disco de sucesso que ela gravara, no início dos anos sessenta. Era evidente que Elvis se dissociara totalmente de Ann-Margret, cortando os vínculos entre os dois.

— Incomoda-me saber que está aqui — murmurei. Rasguei o telegrama em pedacinhos, joguei no vaso e puxei a descarga, com a maior satisfação.

— Não deixa passar muita coisa, não é mesmo, Baby? Para uma garotinha, você é uma mulher típica. — Ele estava rindo. — Acho que é melhor eu tomar cuidado.

Retribuí o sorriso, mas pensei: Nada disso. Sou eu quem precisa tomar cuidado. A amizade mútua e o respeito profissional entre Ann-Margret e Elvis persistiriam até o dia de sua morte.

Depois da provação com Ann-Margret, eu ainda desconfiava que havia outras mulheres. De vez em quando eu lia ou ouvia falar de um romance de Elvis com a estrela de seu último filme. Via fotografias dos dois passeando pelo Sunset Boulevard na nova motocicleta de Elvis, era informada de que ele comprara um carro novo para uma jovem starlet com quem começara a fazer um filme. Havia sempre margem para dúvida. Era

 
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ELVIS E EU



difícil diferenciar entre rumor e fato e eu ficava desesperada de tanta preocupação.

Antes de começar a viajar com Elvis em caráter permanente, descobri bilhetes e cartões escondidos no fundo de uma prateleira em seu armário. Diziam: "Foi maravilhoso, querido. Obrigada pela noite." Ou então: "Quando vamos nos encontrar de novo? Já se passaram dois dias e sinto muita saudade." Quando manifestei minhas suspeitas, Elvis negou tudo e alegou que eu estava "imaginando coisas". Disse-me que estava sendo ridícula por acreditar nos colunistas de fofocas. Contudo, eu não podia deixar de lembrar que ele me dissera a mesma coisa quando eu o interrogara a respeito de Ann-Margret.

Se eu o contestasse firme, corria o risco de ele ameaçar me mandar de volta para a casa dos meus pais.

Elvis sabia que essa tática sempre funcionava. Na primeira vez em que aconteceu ele estava filmando Spinout e conversávamos sobre a estrela do filme, Shelley Fabares. Sugeri que eu podia ir ao cenário para conhecê-la.

— Seria melhor que você não fosse — respondera Elvis.

— Por que não? Afinal, não estou fazendo nada. Podia ir e depois almoçar com você.

Ficara evidente que eu dissera a coisa errada. Elvis me lançara um olhar ameaçador e dissera suavemente:

— Já chega, mulher! não quero ouvir mais nada!

Fora tolice de minha parte, mas eu não ligara para sua advertência.

— Há alguma coisa que você está escondendo e não quer que eu veja?

Ele tivera um acesso de raiva.

— Não tenho nada para esconder! Você está sendo agressiva e exigente demais. Talvez fosse uma boa idéia você ir visitar seus pais por algum tempo.

Chocada, eu berrara:

— Não vou de jeito nenhum!

— Acho que deve ir. E vou até ajudá-la.

Elvis fora ao meu armário e começara a tirar as minhas roupas, jogando-as no chão, com os cabides inclusive. Pegara minha mala e largara em cima das roupas.



— Muito bem, mulher, comece a arrumar sua coisas!

Eu não podia acreditar naquela reação exagerada. Só podia ser uma de quatro coisas: Ele era inocente, eu o fizera sentir-se culpado, ele era culpado e eu o fizera sentir-se ainda mais ou simplesmente ele estava irritado com o roteiro insípido de sue filme e me escolhera para descarregar sua raiva.

Chorando, eu começara a arrumar a mala, enquanto ele se virava e saía do quarto. Momentos depois, eu o ouvira gritar para Joe que fizesse uma reserva no avião.

— Arrume uma vaga no primeiro vôo! Ela vai voltar para a casa dos pais!

Havia uma determinação em sua voz que eu nunca ouvira antes. Histérica, eu me pusera a dobrar as roupas, enquanto ele continuava a berrar lá fora. Arrumara tudo devagar, atordoada pelo golpe. Eu me sentia humilhada quando ele voltara ao quarto. Continuara a arrumar as roupas, chorando incontrolavelmente.

— Você é exigente demais — dissera Elvis, depois de me fitar em silêncio por algum tempo. — Apresse-se. Está na hora de partir.

Eu me levantara lentamente e me encaminhara para a porta. No instante em que lá chegava, milagrosamente, eu estava em seus braços, ele me apertava com força.

— Está compreendendo agora? — Enquanto ele falava, eu chorava contra o seu ombro. — Percebe que precisa disso? Precisa de alguém para levar você a esta ponto e pô-la em seu lugar.

Eu me sentira aliviada e feliz por estar de volta a seus braços. Qualquer coisa que ele dissesse teria feito sentido para mim naquele momento. O que só compreendi depois foi que aquela era a técnica de Elvis para me manter sob controle.


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CONTINUA,,,,,,,,,
 




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