Elvis 1956


sexta-feira, 31 de março de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 3

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continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 3


O tempo tornara-se meu inimigo. Elvis deveria voltar aos Estados Unidos a 1º de março de 1960. Só me restavam alguns meses para passar tanto tempo em sua companhia quando fosse possível.

Pensava nele em cada minuto em que não estava ao seu lado. Minha vida estava agora dominada por Elvis, mas apesar disso havia ocasiões em que ele me desapontava. Uma noite ele me disse que telefonaria e não o fez. No dia seguinte, ao me ligar, ele falou:

— Oi, Baby. Acha que pode vir esta noite?

— O que aconteceu ontem à noite? Você ficou de telefonar.

— É mesmo? Oh, merda!

Ele estava concentrado em sua aula de caratê e esquecera por completo. Tive de aprender a não considerar sua palavra como infalível. Era desapontador, mas esse era o seu jeito. Elvis geralmente ligava depois das sete e avisava que seu pai viria me buscar por volta das oito horas. Eu tinha de me vestir depressa, tentando encontrar algum meio de parecer mais velha.

Seu pai estava preocupado com o fato de ele namorar uma menor. minhas roupas eram bem jovens, saias e blusas sem qualquer sofisticação. Havia ocasiões em que eu pegava roupas de minha mãe emprestadas, torcendo para que todos presumissem que tinha pelo menos dezesseis anos de idade.

À medida que passei a conhecer Elvis melhor, constatei que ele vivia praticamente como um recluso quando não estava na base. Não tinha muita alternativa. No instante em que saía de casa, era imediatamente cercado por uma multidão. A simples ida a um cinema local exigia um planejamento meticuloso. Alguém levava o carro para a frente da casa. Elvis saía correndo, pulava a cerca e entrava no carro antes que as fãs começassem a suplicar autógrafos. Havia sempre multidões a persegui-lo, telefonando,

 
cercando a casa, atacando-o literalmente quando aparecia em qualquer lugar público.

Muitas noites, quando Elvis entrava de serviço muito cedo na manhã seguinte, quem me levava para casa, na Goethestrasse, 14, era Lamar Fike, um amigo que ele trouxera dos Estados Unidos, ou Vernon Presley. Uma noite, quando nem Lamar nem Vernon podiam me levar em casa, Elvis pediu a um "amigo" chamado Kurt (não é o seu verdadeiro nome) que cuidasse disso.

Kurt concordou, pegou o carro e deixou a casa de Elvis, a caminho de Wiesbaden. Eu estava muito cansada e comecei a cochilar. Subitamente, o carro começou a avançar aos solavancos. Abri os olhos.

— O que ouve? — indaguei.

— Você já vai descobrir — respondeu Kurt, virando a cabeça.

Deixáramos a rodovia e estávamos numa estradinha de terra. Eu podia divisar as luzes de uma casa distante, mas todo o resto se encontrava mergulhado na total escuridão. Fiquei assustada.

— Qual é o problema? — balbuciei, confusa.

Kurt parou o carro e desligou o motor. Repeti a pergunta, mas ele não respondeu. Virou-se e me agarrou, tentando me beijar.

Repeli-o, lutando. Ele me forçou para baixo, no banco. Em pânico, supliquei:

— Não! Deixei-me em paz!

Passei a me debater freneticamente. Abri a porta do meu lado com o pé, estendi a mão e abri a outra também, ao mesmo tempo em que tocava a buzina, acendia os faróis e arranhava seu rosto.

Por frustração e medo de ser apanhado em flagrante, Kurt acabou desistindo. Ele não disse nada pelo resto do percurso até minha casa. Fiquei chorando, incrédula, rezando para chegar em casa sã e salva.

Três dias passaram antes que eu tornasse a ter notícias de Elvis. Meus pais sabiam que alguma coisa estava errada; contudo, eu não podia lhes contar que Kurt tentara me violentar, pois então nunca me permitiriam sair outra vez com ele. E se isso acontecesse, como eu poderia visitar Elvis quando Vernon e Lamar não estivessem disponíveis? Minha imaginação estava desenfreada. Tinha receio de contar a Elvis, Porque achava que Kurt

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ELVIS E EU


era seu amigo. Comecei a pesar que talvez Elvis soubesse o que Kurt fizera. Talvez eu fosse apenas uma mera diversão para Elvis, alguém que ele podia passar para Kurt ou qualquer outro que me desejasse. Sentia-me torturada pelos pensamentos.

Finalmente Kurt ligou e disse que Elvis queria me ver. Eu não tinha alternativa que não acompanhá-lo. Durante a viagem para Bad Neuheim Kurt não fez qualquer menção ao incidente e eu também não falei nada. Fiquei calada. Estava apreensiva por me encontrar em sua companhia. Não sabia, quando ele tirava a mão do volante, se ia tentar me agarrar ou qualquer outra coisa. Não tinha a menor idéia do que se passava em sua cabeça. E cheguei à conclusão de que precisava contar a Elvis.

Naquela noite, quando estávamos a sós em seu quarto, Elvis me perguntou se havia algo errado. Minha voz tremia, mal consegui falar. Depois que contei tudo, Elvis ficou transtornado e gritou:

— Vou matá-lo!

Ele ficou andando de um lado para outro do quarto, xingando Kurt. Eu era sua garota, disse Elvis, mas ele nunca fora até o fim. E de repente aparecia um cara que se dizia seu amigo e tentava me violentar. Escutei em silêncio enquanto ele esbravejava, secretamente aliviada por sua reação. Como pudera duvidar de Elvis?

Elvis estava tão furioso que levei a noite inteira para acalmá-lo. Ao final, convenci-o de que devíamos esconder de meus pais a agressão de Kurt ou eu não teria mais permissão para voltar. Elvis me abraçou firmemente, como se quisesse assim eliminar a recordação angustiante. Ele sentia-se culpado por me levar a uma situação tão perigosa.

Desse momento em diante, Kurt foi virtualmente excluído da vida de Elvis. Não creio que Elvis tenha lhe explicado o motivo, mas Kurt deve ter compreendido. Quase não apareceu depois disso.

Comecei a entender que Elvis esperava lealdade absoluta dos amigos. Se era traído, cortava a pessoa de sua vida.

Vernon estava agora usando um bigode impecavelmente aparado; segundo Elvis, fora Dee Stanley quem o encorajara a isso. Nossas conversas no carro eram um tanto superficiais e sempre tive a impressão de que ele


preferia estar fazendo outra coisa, como passar o tempo com Dee, que às vezes o acompanhava.

Agora,quando eu chegava na Goethestrasse, 14, muitas vezes encontrava Elvis lá em cima, estudando a arte antiga do caratê com seu instrutor. Em outras ocasiões ele estava na sala de estar a demonstrar orgulhoso para o seu círculo os novos movimentos que aprendera, todos admirando a sua maestria naquela forma de arte marcial recentemente popularizada.

Elvis também passava horas com um massagista alemão meio louco que o convencera que podia rejuvenescer a pele do rosto com seu tratamento secreto. Ele sempre se sentia constrangido com alguns poros grandes em seu rosto. Joe Esposito sempre zombava de Elvis, alegando:

— O que ele está fazendo de tão especial? Você continua a parecer o mesmo para mim.

Elvis respondia, na defensiva:

— Ele diz que demora algum tempo antes dos resultados aparecerem. Vernon interferia:

— Mais algum tempo? Provavelmente para nos levar à falência pelo que ele está cobrando. Não confio nele.

Um permanente centro de atividade na casa era a avó de Elvis, a quem ele dera o apelido de Dodger. Acontecera quando Elvis era um garoto de cinco anos e num acesso de raiva jogara uma bola de beisebol em cima da avó, errando sua cabeça por poucos centímetros. Elvis comentava jovial:

— Ela se esquivou muito depressa.

A partir desse momento, ele passara a chamá-la de Dodger, a que se esquiva.

Vovó cuidava da casa, cozinhava, mantinha a tudo e a todos sob controle. Tinha o ar de uma pessoa com um propósito resoluto na vida, que no caso de Elvis era providenciar para que ele fosse bem cuidado. Quando eu queria um pouco de sossego, enquanto Elvis treinava caratê, no quarto de Dodger era o lugar para onde escapar. Ficávamos sentadas por horas a fio, ela me falava dos velhos tempos, sobre Gladys e seu profundo amor por Elvis, sobre a terrível luta que os Presley haviam travado pela


sobrevivência. Ela vivia com Vernon e Gladys desde o nascimento de Elvis, ajudando quando Gladys arrumava um emprego fora para ajudar no sustento da família. Uma mulher forte, Vovó agüentara firme quando o marido fora embora, deixando-a com cinco filhos. Queria que todos acreditassem que tinha um ressentimento contra J. D. Presley, mas Dodger tinha um coração que a tudo perdoava e tenho a impressão de que ainda gostava dele.

Ela ajudou a criar Elvis como se fosse seu próprio filho, mimando-o um pouco, como as avós costumam fazer. Sempre saía em sua defesa quando achava que Gladys estava sendo rigorosa demais. Dodger me contou um dia:

— Gladys sempre me chamou de Sra. Presley, desde o instante em que a conheci até o dia em que morreu. Uma ocasião Elvis veio correndo para mim e gritou "Oi, Minnie!" Senti muita pena do menino. Gladys levantou-se, deu-lhe uma palmada e disse: "Nunca mais a chame pelo primeiro nome. Isso é falta de respeito. Ela é sua avó. "Ele chorou durante um hora. Fui confortá-lo e expliquei: "Vai ficar tudo bem. Ela estava fazendo o que acha certo. E agora vá pedir desculpa a sua mãe. "O pobre coitado fitou-me desesperado com aqueles olhos azuis. Gladys era às vezes muito dura com ele. Mas Elvis sempre foi um bom menino. Nunca se meteu em qualquer encrenca mais grave, sempre saía da escola e voltava direto para casa, cumpria suas obrigações. E Gladys o vigiava de perto, com medo de que ele fosse machucado. Elvis queria muito jogar futebol americano na escola.

Vovó balançava para frente e para trás em sua cadeira, contemplando alguma coisa no passado que a fazia começar a tirar grampos dos cabelos. Ela pegou sua caixinha de rapé, aspirou um pouco e depois continuou nas reminiscências:

— É verdade, ele adorava esportes.

— Então por que ele não praticava nenhum, Vovó?

— Gladys não permitia. Ela me dizia: "Eu não suportaria se Elvis se machucasse, Sra. Presley. Isso me mataria. Já observei como eles jogam naqueles campos. São brutos demais. Acho que gostam de machucarem uns


aos outros. Elvis não é assim. Ficaria como um pássaro ferido no meio de lobos. Não posso deixar que isso aconteça com meu garoto."

Fui informada de que o esforço constante de Gladys para proteger Elvis era o resultado de sua angústia pela morte do irmão gêmeo de Elvis Jesse Garon. Aprendi a amar Dodger e o que ela representava — compaixão e devoção total à família.

Meu maior problema naquela época era o fato de que Elvis e eu parecíamos nunca ter tempo suficiente a sós. Havia sempre muitas pessoas aparecendo, instalando-se na sala de estar, conversando e rindo, até que Elvis descia de seu quarto. Assim que ele surgia, todos na sala ficavam em silêncio, esperando que revelasse seu ânimo. Ninguém, inclusive eu, se atrevia a gracejar, enquanto ele não risse... e então todos riam.

Como tinha de partilhar meu pouco tempo em companhia de Elvis com tantas pessoas, comecei a me sentir ciumenta e possessiva. Só quando íamos para o seu quarto é que eu me sentia realmente feliz. Tínhamos um ritual noturno. Por volta das dez ou onze horas, Elvis olhava para mim e depois para a escada. Ingenuamente, presumindo que ninguém sabia para onde me encaminhava, eu subia para o seu quarto e deitava na cama, esperando impaciente por sua chegada. Elvis deitava ao meu lado, o mais junto que podia, sussurrando:

— Eu amo você... — Ele punha os dedos em meus lábios quando eu fazia menção de falar, — Não diga nada. Não compreendo muito bem o que estou sentindo, sei apenas que passei a amar você, Cilla. Papai está sempre me lembrando de sua idade e dizendo que não é possível... Quando eu voltar para casa... Só o tempo nos dirá o que vai acontecer. A cada noite que eu passava em sua companhia ele me confiava mais alguma coisa — suas dúvidas, segredos, frustrações. Era esperar demais que uma garota impressionável de quatorze anos compreendesse tudo, mas eu bem que me esforçava. Angustiava-me pela morte de sua mãe. Afligia-me pelo seu desejo de se tornar um grande ator, como seus ídolos Marlon Brando, James Dean, Karl Malden e Rod Steiger. Preocupava-me com seus temores de não recuperar a popularidade que achava que perdera ao servir o exército. E desatava a rir quando ele especulava:


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— E se algum dia eu terminasse como um motorista de caminhão? Não seria sensacional?

Havia ocasiões em que Elvis entrava em seu quarto na maior animação. Eu ansiava pelas noites em que ele apagava todas as luzes e se estendia ao meu lado.

— Você é linda, Honey — murmurava ele, abraçando-me.

E trocávamos beijos prolongados e ardentes. Suas carícias deixavam-me trêmula de desejo.

Nas noites em que estava calmo e descontraído ele me descrevia a sua mulher ideal e dizia como eu me ajustava com perfeição à imagem. Elvis gostava de morenas de olhos azuis, de fala suave. Queria me moldar às suas opiniões e preferências. Apesar de sua reputação de ser um rebelde, ele se apegava à visão tradicional dos relacionamentos. A mulher tinha o seu lugar e era o homem quem devia tomar a iniciativa.

A fidelidade era muito importante para ele, especialmente da parte da mulher. Elvis me lembrava constantemente que sua namorada tinha de ser absolutamente fiel. Admitia que estava preocupado com Anita. Ela era uma beldade de Menphis e personalidade da televisão. Elvis comentou que ultimamente as cartas de Anita haviam se tornado bastante impessoais e desconfiava que ele andava saindo com outro homem.

Apesar de suas pregações moralistas, eu temia que Elvis nem sempre me fosse fiel. Suas brincadeiras com algumas outras garotas que freqüentavam a casa me levavam a suspeitar que tinha alguma intimidade com elas.

Uma noite ele estava tocando piano para o grupo regular e mais uma dupla de garotas inglesas. Depois, pegou a guitarra e olhou ao redor, mas não encontrou a palheta. E indagou:

— Alguém viu a palheta da minha guitarra?

Uma das garotas inglesas sorriu-lhe.

— Esta lá em cima, na mesinha-de-cabeceira, em seu quarto. Vou buscar.

Todos os olhos, inclusive os meus, fixaram-se na garota, enquanto ela subia a escada, consciente de que era agora o centro das atenções. Furiosa por sua traição óbvia, virei-me para Elvis, mas ele evitou meu



olhar, concentrando-se na guitarra, como se precisasse afiná-la, dedilhando as notas de leve. E um momento depois pôs-se a tocar "Lawdy, Miss Clawdy".

Sem a palheta, seus dedos deviam doer bastante, mas não importava; ele não largaria aquela guitarra. Sabia que estava metido numa encrenca. Depois de apresentar algumas canções, Elvis pediu licença e retirou-se para a cozinha. Fui atrás dele.

— Você esteve no quarto com ela? — perguntei.

— Não

— Então como ela soube onde estava a palheta e qual era o quarto?

— Ela passou pela porta uma noite e comentei que o quarto estava muito sujo e desarrumado — respondeu Elvis, com um sorriso infantil. — A garota se ofereceu então para arrumar. Foi só isso.

Apesar de sua declaração de inocência, eu não me senti tranqüilizada. Ele era ídolo sexual de milhões de mulheres e podia escolher quem quisesse, sempre que quisesse. Aprendi rapidamente, para a minha própria sobrevivência, a não fazer perguntas demais.



ELVIS E EU


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CONTINUA,,,,,,,,

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