Elvis 1956




quarta-feira, 17 de maio de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 37

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 37


Como a maioria dos casais rompendo um casamento, passamos por um período difícil, antes de finalmente aceitarmos o fato de que estávamos nos separando. O divórcio foi consumado a 9 de outubro de 1973. Embora Elvis e eu continuássemos a nos falar regularmente, não nos encontrávamos pessoalmente durante os últimos meses, um período de tensão, enquanto os advogados procuravam acertar tudo. Elvis e eu acabamos resolvendo tudo diretamente. Ambos éramos bastante sensíveis e ainda preocupados com os sentimentos um do outro para saber que queríamos evitar acusações amargas e tentativas de atribuir a culpa um ao outro. A principal preocupação era Lisa, cuja custódia concordamos em partilhar. Permanecemos tão ligados que Elvis nunca se deu ao trabalho de pegar a sua cópia da sentença do divórcio.

Acompanhada por minha irmã Michelle, esperei no tribunal em Santa Monica, Califórnia, pela chegada de Elvis. Quando ele apareceu, fiquei chocada por sua aparência. Suas mãos e rosto estavam inchados, ele suava profusamente.

Fomos para a sala do juiz, seguidos por Vernon, Michelle e os advogados. Elvis e eu sentamos diante do juiz, de mãos dadas, enquanto ele efetuava as formalidades do divórcio. Mal ouvi qualquer coisa, de tão atordoada pelo estado físico de Elvis; não parava de passar os dedos por suas mãos inchadas.

Imaginei se a nova namorada de Elvis, Linda Thompson, saberia o quanto ele precisava de amor e atenção. E acabei sussurrando:

— Sattnin, ela está cuidando direito de você... vigiando seu peso e dieta, esperando que você pegue no sono à noite?

O juiz acabou de ler a sentença. O sonho que eu acalentara, de uma união perfeita, estava encerrado. A esperança de um casamento ideal, que absorvera todos os meus pensamentos e energia desde os quatorze anos de


idade, findava com o movimento de uma caneta. Sentindo um vazio enorme, voltei com Michelle para meu carro. Elvis, seu pai, seu advogado e alguns dos rapazes encaminharam-se para a limusine. Na passagem, eu acenei, ele piscou-me. A afinidade mútua que partilhávamos sempre existiria. Continuamos a nos falar com freqüência, especialmente sobre Lisa, que sabíamos que ficaria infeliz. Queríamos que ela soubesse que não seria de jeito nenhum privada de qualquer dos dois. Quando nos encontrávamos, era como se nunca tivéssemos nos separado, trocando beijos afetuosos e sentando de braços dados, com Lisa em nossos colos; quando estávamos apartados, jamais criticávamos um ao outro. Lisa visitava Elvis com freqüência, tanto em Los Angeles como em Memphis. Ele garantia que cuidaria bem dela, mas eu não podia deixar de me preocupar, por causa de seu estilo de vida. Telefonava para verificar como estavam as coisas quase todas as noites. Era uma hora da madrugada em Memphis quando perguntei a Elvis:

— Lisa tomou seu banho e já está na cama?

— Claro — respondeu ele. — Lisa está sendo muito bem cuidada. Já está na cama, profundamente adormecida.

Poucos minutos depois Tia Delta me telefonou e queixou-se que Lisa não estava na cama e não conseguia fazer com que ela tomasse seu banho.

Falei com Lisa, que disse:

— Papai queria que eu ficasse acordada.

Liguei de novo para Elvis e comentei:

— Pensei que você tivesse dito que ela já estava na cama.

— Ora, deixe-a ficar acordada — protestou ele. — Não tem a menor importância.

O pai dava tudo a Lisa na proverbial travessa de prata, o que criava um conflito quando ela voltava para casa e tinha de enfrentar a realidade. Tínhamos uma discussão permanente sobre a maneira que ela deveria ser criada.

— Que se danem os valores — dizia Elvis, jovialmente.

Eu sabia que era essencial que Lisa adquirisse alguma perspectiva da vida, mas era difícil explicar isso a Elvis Presley. À medida que os meses passavam, Linda Thompson tornou-se uma companheira constante de Elvis



ELVIS E EU

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e achei que isso era bom para ele. Elvis começou a fazer viagens a Aspen e Havai, saindo mais, por causa da personalidade extrovertida de Linda. Quando conversávamos, ele parecia bastante animado. Sua carreira no cinema ainda se encontrava num impasse e ele se concentrava nas apresentações em Las Vegas e na excursões. Elvis tinha dificuldades em se imaginar como "um homem de quarenta anos ainda se sacudindo aos acordes de 'Houd a Dog'". Tinha outras ambições. Falou um dia em produzir e até dirigir, mas nunca tomou quaisquer providências para isso. E apareceu uma proposta. Barbra Streisand e Jon Peters convidaram-no para trabalhar numa refilmagem de Nasce uma Estrela.

Quando Elvis telefonou de Las Vegas, tive a impressão de que ele aceitaria o convite. Sua energia e entusiasmo eram contagiantes. Era um filme clássico e ele estava convencido de que era a sua grande oportunidade de se lançar em papéis dramáticos. Estava confiante de que poderia representar muito bem o papel de Norman Mayne.

— Parece que a coisa está certa — disse ele. — Só falta acertar os detalhes.

Mas o projeto encalhou nesses detalhes. Era o primeiro filme de Jon Peters. O fato de que ele dirigiria o filme sem créditos anteriores representava um problema, na opinião do Coronel Parker. Outra dificuldade era o fato de que o nome de Elvis ficaria em segundo lugar, depois de Barbra — algo que o Coronel não podia admitir. O projeto foi rejeitado, deixando Elvis desolado com a oportunidade perdida. Com o tempo, tornou-se evidente que ele não estava cuidando de sua saúde. Chegou a comentar, em algumas ocasiões:

— Não vou passar muito além dos quarenta anos.

Todas as pessoas costumam fazer declarações assim, mas no caso de Elvis o pensamento era profundamente arraigado e crônico. Gladys morrera aos 42 anos; como Gladys, Elvis queria morrer antes do pai, sentindo que não poderia suportar outra perda.

De vez em quando eu era informada de que ele se internara num hospital. Preocupada, eu sempre telefonava, indagando:

— Você está bem?
— Claro — respondia ele, rindo um pouco para demonstrar que não havia nada de grave. — Só preciso de um pouco de descanso, Sattnin.

Eu concluía então que ele fora para o hospital pelo mesmo motivo que o fizera no tempo do exército. Era a sua maneira de conseguir algum repouso; precisava sair de Graceland e afastar-se de todas as pressões. Por volta de 1976 todos estavam ficando alarmados com seu estado mental, além da aparência física. O rosto estava inchado, o corpo anormalmente pesado. Quanto mais as pessoas tentavam lhe falar a respeito, mais ele insistia que estava tudo bem.

O Coronel estava preocupado até com as ações de Elvis no palco. Elvis começava a esquecer as letras e a recorrer às partituras. Comportava-se de maneira imprevista, ignorando a audiência e se apresentando apenas para a banda. Alguns shows foram cancelados e ninguém podia prever se ele apareceria ou não no palco.

Na ausência de qualquer desafio profissional significativo, Elvis criava os seus próprios dramas da vida real. Seu fascínio por armas de fogo era agora uma obsessão. Tornou-se paranóico em relação às ameaças de morte. Através de sua associação com a polícia de Memphis, ele teve acesso à lista de traficantes de tóxicos. Achava que tinha a responsabilidade pessoal de tirá-los das ruas. Uma noite, bem tarde, ele me telefonou e disse:

— Cilla, você tem alguém que gostaria que fosse liquidado? Posso dar um jeito. Tudo rigorosamente confidencial.

A classe, charme e orgulho que durante os últimos oito anos haviam caracterizado as apresentações ao vivo de Elvis Presley beiravam agora à paródia. Frustrado pela falta de desafio a cada show que passava, Elvis passou a recorrer à pura exuberância, simbolizada por seus trajes, cada um mais requintado do que o anterior, com uma abundância de pedras falsas, tachas e franjas. Havia capas enormes e cintos incômodos. Ele se apresentava em trajes que acrescentavam quinze quilos a seu peso. Era como se estivesse determinado a conquistar a audiência por sua aparência, em vez de confiar apenas em seu talento.


Houve ocasiões, durante o último ano, em que ele foi criticado pela maneira como se relacionava com o público. Algumas pessoas comentaram que ele gracejava demais com os músicos e não terminava as canções. Houve uma noite em que ele chegou a reclamar no palco da "péssima administração" do hotel, citando um determinado empregado do Hilton que estava sendo despedido. No dia seguinte o Coronel Parker pediu a Elvis que cuidasse apenas do que lhe competia — o show deixando o hotel cuidar de seus empregados.

Vernon tendia a tomar a defesa de Elvis em todas as crises, mas o Coronel tinha motivos para estar preocupado. Um dos rapazes disse a Elvis que ele estava parecendo mais e mais com uma apresentação de Liberace. Sua esperança era de que Elvis compreendesse a insinuação e recuperasse o bom senso, passando a se basear apenas em seu talento. Mas Elvis insistira desde o início:

— Só quero ler as críticas positivas. Não quero tomar conhecimento de qualquer comentário negativo.

Como adolescente, ele fora resguardado das críticas desfavoráveis por Gladys. Quando fazia seus álbuns, ela só colava os recortes favoráveis. Se não tivesse sido tão protegido, Elvis poderia ter uma perspectiva melhor de sua carreira. Pelo menos estaria a par de tudo o que se dizia a seu respeito e talvez usasse alguns comentários de maneira construtiva. Não importa o que ele fizesse, porém, seus fãs continuavam a aclamá-lo. Eram fiéis nos bons e maus desempenhos e chegou um momento em que esse amor era a única gratificação de que Elvis dispunha. Apoiavam tudo o que ele fazia. Talvez ele pensasse que estava tudo bem enquanto recebesse as aclamações. Mas, na verdade, o Coronel Parker estava certo quando disse a Elvis que precisava se corrigir ou toda a sua carreira estaria comprometida.

Sua vida pessoal não ajudava em nada. Ele estava namorando Ginger Alden, que era vinte anos mais moça. A diferença de idade se tornava um problema cada vez maior. Elvis dizia:

— Estou cansado de criar crianças. Não tenho paciência para passar por tudo outra vez.

Havia conflitos — e muitos. Ginger não gostava das excursões, dos shows de uma noite só. Era muito chegada à família e não queria deixá-la.



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Elvis experimentou levar metade da família, mas isso só acarretou mais problemas.

— Ela passa mais tempo com a irmã e a mãe do que comigo — queixou-se ele.

— Acha que pode viver apenas com uma mulher?

— Acho, sim. E agora mais do que nunca.

Sei que fiz muitas coisas estúpidas, mas a pior de todas foi não compreender o que tinha até que perdi. Quero minha família de volta. Especulei se haveria alguma possibilidade de fazermos com que tudo desse certo.

— Talvez fosse cedo demais para nós, Sattnin — comentei. — Talvez um dia chegue o momento certo para nós.

— Tem razão. — Elvis soltou uma risada. — Quando eu tiver setenta anos e você estiver com sessenta. Ambos estaremos tão velhos que vai parecer uma tolice sairmos em disparada em carrinhos de golfe.

Em abril de 1977 Elvis ficou doente, teve de cancelar uma excursão e voltar a Graceland. Lisa e eu estávamos lá, visitando Dodger. Ele me chamou a seu quarto. Não olhou para si mesmo; o rosto e o corpo estavam inchados. Vestia um pijama, o traje que parecia preferir agora quando estava em casa. Tinha nas mãos o Livro dos Números de Cheiro e disse que queria que eu lesse uma coisa. Sua busca por respostas não se extinguira. Ainda procurava seu propósito na vida, ainda achava que não encontrara sua vocação. Se descobrisse uma causa para defender, quer fosse uma sociedade sem drogas ou a paz mundial, teria o papel que procurava na vida. Sua generosidade era prova dessa parte de sua natureza — a legendária propensão para dar, até mesmo a incontáveis pessoas que não conhecia.

Mas Elvis jamais encontrou uma cruzada para tirá-lo de seu mundo enclausurado, uma disciplina bastante forte para anular a fuga nas drogas. Naquela noite ele leu para mim, procurando por respostas, exatamente como fizera no ano anterior e em todos os outros anos antes.



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terça-feira, 16 de maio de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 36

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 36


Nosso casamento era agora apenas de tempo parcial. Elvis queria liberdade para ir e vir conforme lhe aprouvesse — e era o que fazia. Quando estava em casa, ele se mostrava atencioso e amoroso, como pai e marido. Mas estava bem claro que eu era a principal responsável pela criação de Lisa.

Ocorreu um incidente que me levou a compreender que precisava passar mais tempo com Lisa. Ela, Elvis e eu estávamos prestes a posar para uma fotografia de família. Eu a vestia, enquanto a babá escovava seus cabelos. Depois, quando comecei a me encaminhar para o local em que a foto seria batida, ela se recusou a me acompanhar.

— Qual é o problema? — indaguei. — Vamos logo, meu bem.

— Não! Não! — protestou Lisa, agarrando-se à babá.

Quando ela começava a chorar, eu ficava nervosa e irritada. Peguei-a pela mão e exortei-a, como se uma criança pudesse entender minha lógica:

— Mas você tem de ser feliz! Vai tirar fotografias com mamãe e papai! Cada foto foi um tremendo esforço, enquanto tentávamos persuadi-la a rir. Por um momento conseguíamos, mas no instante seguinte as lágrimas tornavam a aflorar. Ela chorou até mesmo no colo do pai, enquanto eu tentava suborná-la com brinquedos para obter um sorriso.

Foi nesse instante que percebi a situação. Santo Deus, ela está tão afeiçoada à babá que não quer deixá-la! Eu sabia agora que tinha de arrumar mais tempo para passar com Lisa. Ela fora afetada por meus problemas. Empenhada em concentrar minha vida em torno de Elvis, mesmo durante suas ausências, eu negligenciara não apenas as minhas próprias necessidades, mas também as de minha filha.

Estava dividida entre os dois. Quando Elvis se encontrava em casa, eu queria ficar ao seu lado, sem outras responsabilidades; mas também queria fazer companhia a Lisa, sabendo o quanto ela precisava de mim. Comecei a


levar Lisa aos parques, festas vespertinas e a aulas diárias de natação. Convenci-me de que em breve não precisaria mais recorrer a brinquedos, pirulitos e sorvetes para lhe arrancar um sorriso.

Ela sentava entre Elvis e mim à mesa de jantar, espremendo espinafre entre as mãos e sujando o rosto. Elvis tentou convencer a si mesmo de que achava aquilo maravilhoso, mas o fato é que ele se retirava, dizendo à empregada:

— Vamos comer no estúdio. Lisa irá se encontrar conosco lá depois que terminar de brincar com sua refeição.

Quando Elvis estava ausente, o que infelizmente acontecia durante a maior parte do tempo agora, eu continuava a enviar as remessas regulares de fotos e filmes, documentando cada momento do crescimento de Lisa. Quando ele estava conosco, eu o estimulava a participar das caçadas a ovos de Páscoa e outras diversões, convidando Joe, Joanie e seus filhos, assim como outras famílias amigas.

Lisa e eu o visitávamos em Las Vegas nos aniversários dela, com festas enormes na suíte. Lisa ganhava todos os presentes inimagináveis, de máquinas caça-níqueis a dois filhotes de são-bernardo (um presente do Coronel Parker) e uma sala inteira cheia de balões — tudo, em suma, que uma garota de dois ou três anos não devia ter e não podia apreciar. Era importante para mim que Elvis estivesse em casa no Dia dos Pais e no dia das Mães, mas invariavelmente ele telefonava para avisar que não poderia comparecer. Depois, tentava compensar, levando para casa presentes como uma caixa de jóias de mármore cheia de anéis, colares e brincos de diamantes, ou um guarda-roupa feito por um modista exclusivo, comprado numa butique de Las Vegas. Mas não adiantava. Eu não queria as peles e jóias — tinha todas que poderia usar — queria apenas que Elvis ficasse em casa. Era um esforço constante, tentando sozinha manter as tradições familiares.

Embora preferisse mimar Lisa, Elvis a disciplinava de vez em quando. Houve uma ocasião em que lhe deu uma surra por escrever com creiom num lindo sofá de veludo Entrou em pânico no instante seguinte, querendo que eu lhe assegurasse que fizera o que era certo e que Lisa não guardaria ressentimento. Só sentiu-se melhor quando eu declarei:



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— Se você não tivesse batido nela, eu o teria feito.

A única outra ocasião em que Elvis tocou nela com raiva foi depois de adverti-la repetidamente que não se aproximasse da piscina e Lisa desobedeceu. (Ela se lembra nitidamente e sente-se orgulhosamente satisfeita pelas duas surras.)

Quando tinha quatro anos, Lisa compreendeu que podia manipular os empregados. Sempre que alguém se recusava a fazer alguma coisa para ela, Lisa declarava:

— Vou falar com papai e você vai ser despedido.

Como ninguém queria que ela falasse com Elvis, todos lhe permitiam fazer o que bem desejasse, de ficar acordada até tarde a evitar os banhos noturnos e não ir à escola. O resultado era que Lisa tinha dificuldade para aprender o que era certo e errado, o que podia e o que não podia fazer.

— Não pode tratar as pessoas assim — eu disse a ela. — É ofensivo. Trabalham para seus pais, é verdade, mas não pode ameaçá-las a todo instante.

Acostumada a ver as pessoas tremerem diante de seu pai, Lisa levou anos para superar esse hábito. Em reuniões de família hoje, com Jerry Schilling, Joe Esposito e os filhos de Dee Presley, Ricky e David, ainda rimos do passado ditatorial de Lisa.

Desde que Elvis voltara a se apresentar ao vivo, nossa casa em Hillcrest se tornara tão pública que mal conseguíamos entrar e sair. Fotógrafos escondiam-se no jardim dos fundos, revelando sua presença nos momentos mais inoportunos. Uma ocasião, quando estávamos relaxando à beira da piscina, tomando banho de sol, inclinei-me para dar um beijo prolongado em Elvis. Ele murmurou:

— Que barulho é esse? Psiu! Fique quieta! Sonny! Jerry! É o estalido de uma câmara!

Elvis levantou-se de um pulo e todos correram atrás do pobre coitado. Na frente seguia Elvis, gritando palavrões e ameaças. Tenho certeza que aquele fotógrafo nunca mais voltou.

Em três anos de Hillcrest a casa tornou-se pequena. Lisa e a babá partilhavam um quarto, Charly tinha outro, Patsy, Gee e o novo bebê ocupavam o chalé nos fundos. Elvis chegou à conclusão de que


precisávamos de mais espaço, inclusive porque queria Sonny sempre por perto, à sua disposição. As conversas sobre uma casa nova adquiriram uma súbita urgência.

Quando um par de antigos regulares bateram em nossa porta, sem dinheiro e desempregados, Elvis se compadeceu e instalo-os na sala de estar. Acordei de madrugada ao som de música estrondosa e descobri que os dois haviam apagado de tanto beber Jack Daniel's e Coca. Copos estavam espalhados por toda a sala, cinzas cobriam o tapete. Achei que minha casa estava sendo convertida numa pensão.

— Eles não têm respeito por coisa alguma — queixei-me a Elvis, naquele mesmo dia. — O que vai acontecer se pegarem no sono com cigarros acesos na mão? Todos vamos morrer queimados. Por quanto tempo tenciona permitir que eles fiquem aqui? — Eu não escondia minha desaprovação. — Não quero que Lisa viva num ambiente assim.

— Tem toda razão, Honey. Talvez eu vá para Palm Springs esta noite. A busca por uma nova casa levou-nos a Holmby Hills, uma área exclusiva de amplas propriedades, entre Bel Air e Beverly Hills. Encontramos uma casa tradicional de dois andares, bem situada numa colina, cercada por dois acres de gramados bem cuidados e laranjais. Era mais do que nossas outras casas de Los Angeles, com uma cerca alta e portões intimidativos, a fim de garantir nossa privacidade.

Eu esperava que aquela casa devolvesse a atenção de Elvis à família e que ele passaria agora os fins de semana com a gente, em vez de ir para Palm Springs. Elvis dispunha de um escritório, um estúdio, uma sala de jogos, um cinema, uma saleta para refeições particulares e uma sala de jantar grande para receber os amigos e parentes. Minha intenção era decorar a casa exclusivamente a seu gosto, com idéias da casa de Hillcrest, que fora a sua predileta.

A casa custou em torno de 335 mil dólares, pouco mais do que o orçamento que tínhamos em mente. Com alguma persistência de nossa parte. Vernon acabou permitindo, embora cauteloso, que eu contratasse um profissional para ajudar a decorá-la. Seria a primeira casa que eu decoraria a partir do nada e achei muito emocionante — elaborar os projetos, escolher as cores, os tecidos, o papel de parede, os móveis antigos. Adorei procurar


por peças especiais: uma cristaleira que escondia um aparelho de televisão, arcas antigas usadas como mesinhas, vasos antigos que eram convertidos em abajures. Sentia-me tão excitada com o projeto que persuadi Elvis a não olhar os estágios preliminares, esperando até que tudo estivesse pronto. A decoração tornou-se minha paixão. O desafio era tão absorvente que pude esquecer todas as minhas preocupações pelo nosso relacionamento. Em vez de remoer minha solidão, eu estava empenhada num trabalho construtivo, que exigia todo o talento, imaginação e capacidade de organização de que eu era capaz.

Foi nessa ocasião que outra força gratificante e libertadora entrou em minha vida — o caratê. Era o amor e hobby de Elvis há anos; quando comecei a praticá-lo, era apenas mais um dos meus esforços para atrair sua atenção e aprovação, como já acontecera no passado, quando tomara aulas de francês porque ele gostava da língua aulas de flamenco porque ele era apaixonado e de balé porque ele adorava os corpos de bailarinas. Há muito que Elvis admirava o mestre do Kung-fu Ed Parker, a quem conhecera anos antes. Comecei a tomar aulas particulares, sob orientação de Ed, três vezes por semana. Logo percebi que havia muito mais naquela arte do que apenas violência. Era uma filosofia. E me tornei ainda mais envolvida quando Elvis aplaudiu o meu progresso.

Quando voltamos a Memphis, Elvis dormia durante o dia e aproveitei para me matricular num curso de outra arte marcial oriental, o Tae Kwan Do coreano. Tornei-me tão obsessiva quanto Elvis na dedicação a essa arte. Uma exigência compulsória era memorizar as formas, Katas e posturas na língua coreana, assim como aprender a história do Tae Kwan Do. O treinamento era excepcionalmente rigoroso. Executávamos o mesmo movimento por vezes incontáveis, até que se tornasse perfeito. O suor caía em meus olhos, mas se eu limpasse teria de pagar com cem flexões, sob os olhares vigilantes de toda turma, uma humilhação que eu não desejava e conseguia evitar.

Podia agora compreender o fascínio de Elvis pelo caratê. Era uma grande realização, uma conquista da confiança e do controle físico da própria pessoa. Em 1972, enquanto Elvis se apresentava em Las Vegas, conheci um dos maiores mestres do caratê dos Estados Unidos na ocasião,


Mike Stone. Naquela noite em particular ele estava servindo como segurança de um proeminente produtor de discos. Depois do espetáculo, eles foram visitar Elvis nos bastidores. Todos ficaram mais impressionados com Stone do que com o impetuoso magnata que ele estava protegendo. Elvis fez-lhe os maiores elogios e uma porção de perguntas, assim como Sonny e Red. Vários anos antes assistíramos Stone se apresentando num torneio no Havaí admiráramos sua técnica excepcional. Mais tarde, naquela mesma noite, na Suíte Imperial, Elvis encorajou-me a treinar com Mike.

— Ele possui a qualidade de matador. Não há nada de duas pernas que possa derrotá-lo.

Estou impressionado pela primeira vez desde que o vi lutar. Gosto do seu estilo. De volta a Los Angeles, acertei com Mike que iria à sua academia no final da semana e assistiria a uma de suas aulas. Era uma viagem de carro de 45 minutos. Elvis tinha razão. Mike irradiava confiança e classe, assim como muito charme pessoal e espírito. Uma amizade profunda se desenvolveria entre nós. Por causa da distância, resolvi continuar o treinamento com um amigo de Mike, Chuck Norris, que tinha uma academia mais perto de minha casa. Mike aparecia por lá de vez em quando, como instrutor convidado. Eu estava saindo do mundo fechado de Elvis, compreendendo como minha existência fora resguardada até então. Mike e Chuck introduziram-me aos filmes populares de artes marciais japonesas, como a série do Espadista Cego. Em companhia de Mike, compareci a torneios de karatê locais e nos condados vizinhos, levando para casa fotos e filmes dos maiores lutadores de caratê. Queria absorver seus estilos individuais, a fim de poder partilhá-los com Elvis, na esperança de que fosse uma coisa que pudéssemos desfrutar em comum. Ao final, porém, criei um novo círculo de amigos, que me aceitava por mim mesma. As artes marciais me proporcionaram tanta confiança que comecei a experimentar meus sentimentos e expressar minhas emoções como jamais acontecera antes. Acostumada a reprimir minha raiva, eu podia agora descarregá-la honestamente, sem o medo de acusações ou explosões. Parei de pedir desculpas por minhas opiniões e de rir de piadas que não achava engraçadas. Iniciara-se uma transformação, em que o medo e a indiferença


ELVIS E EU
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não tinham lugar. Juntamente com essa nova confiança, despojei-me dos cílios postiços, maquilagem intensa, jóias e roupas vistosas.

Livrei-me agora de todos os artifícios a que recorrera em busca de segurança. Estava vendo a mim mesma pela primeira vez e levaria algum tempo para que me acostumasse à imagem. Tinha a oportunidade de observar casamentos fora do nosso círculo íntimo, em que a mulher podia se manifestar tanto quanto o homem nas decisões cotidianas e nos objetivos a longo prazo. Fui confrontada com a descoberta dura de que viver como eu vinha fazendo há tanto tempo era bastante anormal e prejudicial ao meu bem-estar. Meu relacionamento com Mike se desenvolvera agora para uma ligação amorosa.

Eu ainda amava Elvis profundamente, mas durante os meses seguintes compreendi que teria de tomar uma decisão crucial sobre o meu destino. Sabia que devia assumir o controle de minha vida. Não podia renunciar a minhas novas percepções. Havia um mundo enorme lá fora e eu tinha de encontrar meu lugar nele.

Gostaria que houvesse algum meio de partilhar com Elvis minha experiência e crescimento. Desde a adolescência que ele me moldara num instrumento de sua vontade. Com extremo amor, eu cedera à sua influência, tentando satisfazer cada desejo seu. E agora ele não estava ao meu lado.

Acostumada a viver em cômodos escuros, mal vendo o sol, dependendo de acessórios químicos para adormecer e acordar, sob o cerco de guarda-costas que nos distanciavam da realidade, eu ansiava pelos prazeres mais normais. Comecei a apreciar as coisas simples que gostaria de partilhar com Elvis e não podia: passeios pelo parque, um jantar à luz de velas para dois, risos.

Elvis deve ter percebido minha inquietação. Cerca de dois meses depois, em Las Vegas, Joanie, Nora, Foke, Pat (mulher de Red) e eu estávamos jantando no restaurante italiano do Hilton, entre os shows de Elvis. O maître aproximou-se com o recado de que Elvis queria falar comigo lá em cima, na suíte. Lembro de ter pensado que isso era estranho. Elvis raramente ia à suíte entre os shows. Subi cheia de curiosidade. Chegando à suíte, encontrei Elvis deitado na cama, obviamente à minha


espera. Ele me agarrou e fez amor com o maior vigor. Foi desagradável e diferente de todas as outras vezes. Elvis explicou:

— É assim que um homem de verdade faz amor com sua mulher.

Aquele não era o homem gentil e compressivo que eu aprendera a amar. Com meu crescimento pessoal e as novas realidades que descobrira, Elvis se tornara um estranho para mim. Chorei em silêncio, enquanto Elvis se levantava e se vestia para o espetáculo. A fim de que o casamento sobrevivesse, Elvis teria de remover todas as barreiras artificiais que restringiam a nossa vida conjugal. Havia muito espaço para dúvida, muitas perguntas sem respostas. Era difícil para Elvis assumir o seu papel de pai e marido. E como nenhum de nós dois tinha a capacidade de sentar e enfrentar os problemas que punham em risco a família, parecia não haver qualquer esperança.

O que realmente doía era o fato de Elvis não ser sensível a mim como mulher e sua tentativa de reconciliação ter ocorrido tarde demais; eu me apossara de minha própria vida. Não fechei os olhos naquela noite, remoendo o que teria de dizer a Elvis. Ele era o meu grande amor. Contemplando-o, pensei em todas as vezes em que passara os dedos por seus lábios, nariz, cabelos, sempre enquanto ele dormia. E, agora, esperava que ele acordasse, esperava pelo momento certo, se é que algum poderia ser certo. Àquela altura de nosso casamento, estávamos tão raramente juntos que era difícil imaginar sua reação às minhas palavras; parecera muito mais fácil projetar toda a cena em minha imaginação.

Passava um pouco de duas horas da tarde. Eu já me levantara e começara a arrumar minhas coisas quando Elvis despertou, alerta no mesmo instante, indagando:

— Para onde você vai?

— Tenho de voltar.

— Tão cedo? Geralmente você não volta tão cedo.

— Tem razão, mas preciso voltar agora. Tenho muitas coisas para fazer. — Hesitei por um instante. — Antes, porém, preciso lhe dizer uma coisa.

Parei de arrumar as coisas e fitei-o.



— Provavelmente é a coisa mais difícil que já tive de dizer em toda a minha vida. — Fiz uma pausa longa e mal consegui acrescentar: — Vou deixar você.

Elvis sentou na cama.

— Como assim?

Nunca, em todo o nosso casamento, eu sugerira que poderia abandoná-lo.

— Vou me separar de você.

— Perdeu o juízo? Tem tudo que qualquer mulher pode querer. Não pode estar falando sério, Sattnin. — Sua voz estava cheia de angústia. — Não posso acreditar no que estou ouvindo. Está querendo dizer que tenho sido tão cego que não percebi o que estava acontecendo? Andei tão distraído que não percebi o que poderia vir!

— Estamos levando vidas separadas.

Elvis finalmente perguntou:

— Perdi você para outro homem?

— Não é que você tenha me perdido para outro homem... apenas me perdeu para minha própria vida. Estou descobrindo a mim mesma, pela primeira vez.

Elvis fitou-me em silêncio, enquanto eu terminava de arrumar tudo e fechava a mala. Tentei me encaminhar para a porta, mas não pude mais me conter e voltei correndo para os seus braços. As lágrimas escorriam por nossas faces.

— Tenho de ir — balbuciei. — Se eu ficar agora, nunca mais irei embora.

Desvencilhei-me, peguei a mala e segui para a porta.

— Cilla! — gritou Elvis, fazendo-me parar. — Talvez em outra ocasião, em outro lugar.

— Talvez — respondi, olhando para trás. — Apenas este não é o momento.

E saí.


Minha viagem a Memphis foi inesperada e breve, só tinha um propósito — buscar minhas coisas. Queria passar o mínimo de tempo possível ali. Graceland fora o meu lar e era difícil despedir-me de todos. Os empregados, a maioria contratada por mim, pareciam saber sem que fossem informados que eu estava partindo para sempre. Ninguém disse nada, mas seus abraços chorosos falavam tudo. Encontrei Dodger em seu quarto — agora no andar térreo — e sentei a seus pés, enquanto ela balançava na cadeira de balanço.

— Não fale isso, meu bem — disse ela. — Não pode estar falando sério.

Depois, compreendendo que eu falava mesmo sério, ela se apressou em acrescentar:

— Vai me procurar, não é mesmo... vai manter em contato?

— Claro, Dodger. Sempre ficarei em contato com você. Pobres crianças. Tenho pena pelos dois.

Vovó chorou ao tentar compreender por que duas pessoas que se amavam tinham de se separar.

— Bem que tentei dizer a ele que devia passar mais tempo com você... e com a menina.

— Não é culpa de ninguém, Vovó. É apenas a vida. Ainda nos amamos. E sempre vamos nos amar.

— Acho que vocês voltarão a viver juntos, meu bem. — Ela estava retorcendo as mãos. — Deus sabe como vocês dois se amam muito.

Havia uma vista dos pastos verdes além da janela de Vovó— Sun, o velho estábulo, todas as recordações que marcavam o período mais feliz de nossas vidas. Graças a Deus que era um lindo dia; sempre detestei os dias de chuva em Graceland, pois me faziam lembrar os invernos solitários em que Elvis estava longe.

No calor e sol lá fora, vagueei pela propriedade, contemplando pela última vez a varanda da frente, em cujos degraus Elvis e eu sentáramos, sonhando com uma viajem à Europa em que voltaríamos à casa na Goethestrasse onde nos conhecêramos. Olhando pelos gramados e o longo caminho circular, descendo até os Portões Musicais, onde as fãs sempre esperavam, especulei se algum dia voltaria ali. Atravessei as pequenas



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crateras abertas pelas guerras de fogos de artifício. Na garagem, passei a mão por um dos carrinhos. Não podia acreditar que estava tudo acabado.



ELVIS E EU



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LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 35

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 35


Entrei na sala e encontrei Elvis e Vernon discutindo sobre o Coronel Parker.

— Ligue para ele e diga que está acabado, papai. Vamos cancelar os contratos e eu pagarei qualquer porcentagem que estivermos lhe devendo.

— Tem certeza de que é isso o que quer, filho?

— Claro que tenho. Detesto o que estou fazendo e não agüento mais. Elvis saiu furioso pela porta da frente, não voltou naquela noite nem nos dias subseqüentes. Todos ficamos aturdidos. Era a primeira vez que ele viajava sozinho — sem levar sequer um guarda-costas. Elvis nem mesmo sabia o seu próprio telefone, não andava com dinheiro. Como poderia se arrumar? Tudo sempre fora providenciado para ele.

Segundo Jerry Schilling, Elvis embarcou num vôo comercial para Washington, D.C., com a intenção de se encontrar com o Presidente Nixon. Ao chegar, teve uma súbita reação à penicilina que tomara para uma gripe e resolvera voltar a Los Angeles. Telefonou durante uma escala em Dallas, pedindo a Jerry que fosse encontrá-lo no aeroporto de Los Angeles com um médico. Queria um tratamento para a reação. Ele descansou dois dias em Los Angeles e depois voltou a Washington, em companhia de Jerry. Levavam quinhentos dólares, de um cheque que Jerry conseguira descontar.

Durante o vôo, Elvis puxou conversa com um jovem soldado, que acabara de voltar do Vietnam. O soldado devia ter contado a história de sua vida. Antes do avião pousar, Elvis pediu os quinhentos dólares a Jerry e entregou ao jovem, desejando-lhe boa sorte. Jerry protestou:

— Isso é tudo o que temos, Elvis.

Ao que Elvis respondeu:

— mas ele precisa mais do que eu, Schilling.



Depois, ainda durante o vôo, ele pediu à aeromoça papel e caneta. Elvis nunca foi muito de escrever cartas, mas agora escreveu uma ao Presidente Nixon, explicando como poderia ajudar a juventude a se livrar das drogas. Era uma súplica fervorosa, os erros apressadamente riscados e corrigidos, enquanto ele passava seus pensamentos para o papel.

Jerry providenciou para que uma limusine fosse buscá-los no aeroporto e os levasse à Casa Branca. Eram seis e meia da manhã e Elvis estava vestido de preto, óculos escuros, o cinto largo de ouro do International e uma bengala. Aproximou-se do portão, nas palavras de Jerry, parecendo Drácula. O rosto estava um pouco inchado e Jerry temia que sua aparência pudesse despertar suspeitas.

Assim que Elvis explicou quem era e que tinha uma mensagem para o Presidente, foi-lhe prometido que a carta seria entregue a Nixon por volta das nove horas da manhã. Elvis determinou então que Jerry providenciasse um encontro seu com John Finlator, Vice-Diretor de Narcóticos, em washington. Elvis queria realmente ajudar os garotos a se livrarem das drogas. Outro propósito de sua viagem era obter para si mesmo um emblema de agente da Divisão Federal de Narcóticos.

Elvis era um grande colecionador de emblemas. Tinha emblemas de detetive, guarda e xerife de todas as partes da nação; o emblema de agente de narcóticos representava para ele um espécie de poder supremo. Em sua imaginação, esse emblema lhe proporcionaria o direito de carregar qualquer droga. Também daria a ele e sua Máfia de Menphis o direito de portar armas. Com o emblema de agente federal de narcóticos, poderia entrar legalmente em qualquer país, portando armas e carregando todas as drogas que desejasse.

Sua obsessão em obter esse emblema fora causada por um detetive particular chamado Jonh O'Grady, a quem Elvis contratara para trabalhar num processo de paternidade. O'Grady informara que John Fillator era o homem que deveria procurar. Elvis determinou que Jerry ficasse esperando no hotel, para o caso do Presidente Nixon telefonar enquanto ele ia falar com Finlator. Uma hora depois Jerry recebeu um telefonema de Elvis, dizendo que Finlator negara seu pedido. Jerry ficou surpreso pelo
estado emocional de Elvis. Ele parecia à beira das lágrimas quando disse:


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— Ele não quer me dar o emblema!

Jerry conseguiu animá-lo um pouco com a informação de que acabara de receber um telefonema da Casa Branca.

— O Presidente leu sua carta e vai recebê-lo dentro de vinte minutos. Entrar na Casa Branca não era fácil, nem mesmo para Elvis Presley. Os guardas se mostraram cordiais, mas cautelosos, revistando-o meticulosamente. Jerry também foi revistado antes de terem acesso ao Gabinete Oval, assim como Sonny West, a quem Jerry chamara e tornou-se atordoado quando compreendeu que ia se encontrar pessoalmente com o Presidente dos Estados Unidos.

Elvis foi conduzido sozinho ao Gabinete Oval. Jerry e Sonny foram informados de que deveriam esperar do lado de fora, mas que havia alguma possibilidade de serem apresentados ao Presidente depois. Segundo Jerry, eles foram introduzidos no Gabinete Oval menos de um minuto depois. Jerry sabia que se houvesse algum meio de introduzi-los, Elvis daria um jeito. Nem mesmo o Presidente era imune a seu charme. Ao entrarem, Jerry e Sonny constataram no mesmo instante que Elvis estava inteiramente à vontade. Apresentou a todos e exortou o Presidente a dar a Jerry e Sonny abotoaduras de presente, até mesmo pediu por lembranças para levarem para as esposas. Quando ele deixou o Gabinete Oval, acrescentara à sua coleção o emblema que considerava mais importante. Saiu sorrindo, um Elvis diferente do que poucas horas antes estava tão transtornado emocionalmente. Nixon revogara a decisão de Finlator e determinara que um emblema fosse levado ao Gabinete Oval, a fim de presenteá-lo a Elvis.

A discussão sobre o Coronel que desencadeara aquela aventura nunca mais foi mencionada.



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CONTINUA,,,,,,






 




segunda-feira, 15 de maio de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 34

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 34


O contrato de cinco anos de Elvis com a MGM terminou em 1968 e finalmente ele estava livre para lançar-se a novos desafios. Até mesmo o Coronel admitia que a carreira de Elvis precisava de uma sacudidela. A NBC propôs-lhe fazer um especial de televisão, sob a direção de Steve Binder. Não havia qualquer formato inicial definido, a idéia era tentadora e o dinheiro muito bom. O fato de não haver roteiro — era um "desenvolvimento em aberto" — fez com que o Coronel hesitasse em concordar. O Coronel exigiu mais controle, mas Elvis disse que queria conhecer Steve, certificar-se de que se dariam bem, falavam a mesma língua.

Há anos que não aparecia na televisão e por isso Elvis estava nervoso. Para sua surpresa, Steve era bem mais jovem do que ele imaginava, extremamente perceptivo e afável, um contraste surpreendente com os chefões de estúdio com quem ele trabalhava, homens muito mais velhos, com opiniões preconcebidas e fixas sobre a maneira como Elvis devia ser empacotado e vendido. Pela primeira vez em anos ele sentia-se criativo. Steve Binder conquistou a confiança de Elvis e teve a sensibilidade de deixar que Elvis fosse apenas Elvis. Steve observou, fez anotações mentais, aprendeu os jeitos de Elvis, descobriu o que deixava seu astro à vontade e o que o tornava tenso.

Durante as reuniões, Steve percebeu que Elvis estava temeroso porque há anos não se apresentava perante uma audiência ao vivo, mas também notou que Elvis se animava quando estava no camarim improvisado com os músicos.

A cada dia Elvis se tornava mais confiante e excitado com o novo projeto, orgulhando-se mais uma vez com sua aparência, vigiando o peso, seguindo a dieta, trabalhando com maior afinidade com o figurinista do espetáculo, Bill Belew, apresentando-se de uma forma que há anos não o víamos: um traje de couro preto. Fiquei surpresa quando disse:


— Sattnin, estou me sentindo um pouco tolo nesta roupa. Acha que estou bem?

Elvis sabia que aquele especial era um grande passo em sua carreira. Não podia fracassar. Durante dois meses consecutivos ele trabalhou com mais empenho do que em todos os filmes combinados. Era o mais importante evento de sua vida.

Durante esse período eu estava descobrindo novos mundos na música — Segovia; Sangue, Suor e Lágrimas; Tchaikóvski; Santna; Manson Williams; Ravel; Sérgio Mendes; Herb Alpert — e estava ansiosa em partilhar meus novos entusiasmos, música e dança, com meu marido. Queria introduzir energia em nosso relacionamento, na esperança de endireitar o casamento. As conversas ao jantar incluíam agora Leonard Bernstein e Carlos Montoya, mas não tinham a menor atração para Elvis; o especial de tv absorvia todos os seus pensamentos.

Ele se mantinha ausente durante a maior parte do tempo; quando nos encontrávamos, o nível de comunicação era superficial. Cada um absorvido em suas buscas separadas, tínhamos pouco em comum além de nossa filha. Minha posição em relação a Elvis era delicada: estava consciente da distância que aumentava entre nós. Mas por causa de sua preocupação com o especial, compreendi que a última coisa que ele precisava de mim era uma declaração de que estávamos nos afastando um do outro.

Em sua ausência, eu cuidava de Lisa, além de participar de aulas de danças pela manhã, balé ao final da tarde e duas aulas de jazz à noite, muitas vezes se prolongando até uma hora da madrugada. Vários dos meus colegas eram profissionais. Trabalhei com empenho para obter o acesso à companhia, ensaiando quatro horas por dia para dominar novos passos, constantemente me levando a novos limites, até que passei a integrar o elenco, apresentando-me anonimamente em espetáculos de fins de semana, nas universidades da área de Los Angeles.

O especial de Elvis foi um sucesso espetacular, o que alcançou o maior índice de audiência no ano. A música "If I Can Dream", foi a sua primeira gravação que ultrapassou a barreira de um milhão de cópias em



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muitos anos. Sentamos em torno da TV assistindo ao programa, esperando nervosamente pela reação. Elvis se manteve silencioso e tenso durante todo o programa, mas assim que os telefonemas começaram todos compreendemos que ele conquistara um novo triunfo. Não perdera a classe. Ainda era o Rei do Rock-and-Roll.

Foi uma bênção para nós dois. As horas que eu devotava à dança liberavam-no da tensão da minha dependência. Meu novo interesse não representava uma ameaça, como aconteceria com uma profissão. Eu ainda estava ali para atender a suas necessidades, como ele queria que sua esposa fizesse, ao mesmo tempo em que criava meu próprio mundo, não mais intimidada pela magnitude do seu mundo. Eu estava crescendo, aprendendo e me expandindo como uma pessoa.

Essa nova liberdade quase chegou a um fim abrupto quando um novato no clã decidiu tomar a iniciativa de investigar minhas idas e vindas. Ele informou que eu fora vista a sair de um estúdio de dança de madrugada, queria saber se devia aprofundar as investigações. A imprevisibilidade de Elvis ao enfrentar certas crises da vida era espantosa. Logicamente, um homem tão instável deveria explodir. Em vez disso, porém ele não fez acusações, limitando-se a comentar:

— Baby, algumas pessoas estão insinuando que você foi vista a sair de um estúdio de dança de madrugada.

— É verdade. Você sabe que sou parte da companhia. E não sou a única que sai a essa hora.

É o momento em que encerramos o ensaio. Pedi a ele que me contasse quem estava atiçando o problema. Mas Elvis disse apenas:

— Não vamos levar a coisa adiante. Ele é novo e está pisando em terreno perigoso. Se souber o que é bom para ele, é melhor não se meter daqui por diante no que não é da sua conta.

Depois do sucesso do especial, Elvis dedicou várias semanas a uma sessão de gravação, mais uma vez altamente motivado. Pela primeira vez em quatorze anos ele fora persuadido a gravar em Menphis, no American Sound Studios, uma companhia negra em que muitos artistas importantes,


inclusive Aretha Franklin, haviam gravado os seus sucessos mais recentes. Os músicos do estúdio eram jovens e Elvis estabeleceu um grande contato com eles. Mais importante ainda: Elvis fazia uma música sensacional com eles.

Ele ficava no estúdio, cantando, até o amanhecer, voltava à noite, transbordando de energia, pronto para recomeçar. Sua voz estava em grande forma e seu entusiasmo era contagiante. Cada faixa ficava mais sensacional do que a anterior. Escutávamos as canções repetidamente e Elvis estava sempre gritando, exultante:

— Escutem só este som!

Ou então decidia:

— Vamos tocar tudo de novo!

O Coronel se manteve a distância dessa sessão de gravação. Elvis era o artista e estava entusiasmado. Acabou gravando tantas canções que a RCA levou um ano e meio para lançar todas, inclusive sucessos como "In the Ghetto", "Kentucky Rain" e "Suspicious Minds". Observando Elvis cantar outra vez com confiança, soltando cada palavra em seu estilo pessoal, todos sentimos o maior orgulho. Era um tremendo contraste com sessões no passado, repletas de ira, frustração e desapontamento. Em uma ocasião ele olhou para mim, sorriu e depois começou a cantar "From a Jack to a King". Sabia que era uma das minhas prediletas. E depois cantou "Do You Know Who I Am?". Escutando as palavras, não pude deixar de me relacionar.

Depois de quatro anos de canções insípidas, Elvis estava de volta às paradas de sucessos e a RCA não tinha mais do que se queixar. Eles vinham ameaçando o Coronel de relançar alguns sucessos antigos se Elvis não realizasse logo uma nova sessão de gravação.

Um sucesso levou a outro. Depois do especial de televisão, Elvis estava ansioso em recomeçar a se apresentar para audiências ao vivo, a fim de provar a todos que não perdera a classe. Procurando pela melhor fonte de receita imediata, o Coronel fechou um contrato com o quase pronto Las Vegas International para que Elvis se apresentasse ali por um mês, com um cachê de meio milhão de dólares.


Las Vegas era o desafio de que Elvis precisava para demonstrar que ainda podia conquistar uma audiência ao vivo. Era o que ele mais amava e o que melhor fazia. Mas era um grande desafio. Há anos que ele não fazia grandes exigências à sua voz e agora estava comprometido a realizar dois shows por noite, durante 28 dias consecutivos. Ansioso, Elvis especulou se conseguiria agüentar a pressão, se atrairia multidões, se seria capaz de manter uma audiência atenta por duas horas. Queria que o novo espetáculo fosse aceito, sentindo que tinha agora mais a oferecer do que apenas os giros do rock-and-roll.

Não apenas era um momento crucial em sua carreira, mas havia também a pressão adicional do cachê sem precedentes e o fato de Las Vegas ser a única cidade em que tivera uma apresentação desastrosa, treze anos antes, em 1956. Ele não era o tipo de homem que dissesse "Estou apavorado".

Eu tinha de perceber o temor em suas ações, a perna esquerda tremendo, o pé batendo no chão incessantemente. Ele reprimia os medos e emoções até o momento em que explodia, lançando-se contra qualquer um que estivesse próximo. Uma noite, ao jantar, Elvis comentou que estava preocupado com seu corte de cabelo. Mencionei que vira um cartaz de Ricky Nelson no Sunset Boulevard, com os cabelos compridos ondulados, num estilo que achava muito atraente.

Inocentemente, sugeri que Elvis desse uma olhada.

— Você ficou louca? — Gritou ele. — Depois de tantos anos, Ricky Nelson, Fabian e todos os outros seguiram mais ou menos os meus passos. Acha que agora eu deveria copiá-los? Só pode ter perdido o juízo, mulher!

Ele saiu da mesa furioso. Sempre fora saudado como um original e agora receava que Las Vegas nem mesmo isso seria suficiente. Eu sabia que magoara seu ego e por isso pedi desculpa.

Ao se preparar para o espetáculo no International, Elvis esforçou-se ao máximo. Estava em grande forma — numa animação natural, independentemente das pílulas. Estava mais esguio e fisicamente mais bem preparado do que em qualquer outra ocasião anterior. Reunindo os melhores músicos, técnicos de som e iluminação, cenógrafos, ele não estava correndo qualquer risco desta vez. Vasculhou o mercado à procura dos



melhores. Houve várias audições e ele escolheu pessoalmente cada um — nomes como James Burton, John Wilkinson, Ronny Tutt, Glen D. Hardin, Jerry Scheff. Ele adorava o som dos Sweet Inspirations, o grupo de apoio de Aretha Franklin. Contratou-os para o ato de abertura do espetáculo e como coro. Também contratou seu grupo evangélico predileto, o Imperial Quartet.

Antes de deixar Los Angeles, Elvis ensaiou nos estúdios da RCA durante dez dias, depois deu os últimos retoques no espetáculo durante uma semana inteira, antes da estréia. Era o grande acontecimento do verão em Las Vegas. O Coronel Parker levou a publicidade a um auge febril. Cartazes foram espalhados por toda cidade. Os escritórios administrativos, no terceiro andar do International, fervilhavam de atividade. Nenhum outro artista que se apresentara em Las Vegas jamais despertara tanto excitamento. O saguão do hotel estava dominado pela parafernália de Elvis — fotos, cartazes, camisas, animais, estofados, balões, discos, programas de souvenir. Era de se pensar que Barnum & Bailey estavam chegando à cidade.

Em nossa casa também reinava o maior excitamento, com as mulheres discutindo o que usariam na noite de estréia.

— Quero que você esteja extra-especial, Baby — disse Elvis.

— É uma grande noite para todos nós.

Procurei em todas as butiques de West Los Angeles até encontrar a roupa certa. Embora já tivessem passado nove anos desde a última apresentação ao vivo de Elvis, nunca se poderia imaginar isso a julgar pela estréia. O público aplaudiu desde o momento em que ele entrou no palco e não parou mais durante as duas horas do espetáculo, com Elvis cantando, "All Shook Up", "Blue Suede Shoes", "In The Ghetto", "Tiger Man" e "Can't Help Falling in Love". Ele misturou o antigo com o novo, o ritmo acelerado e quente com o lírico e romântico. Foi a primeira vez que eu vi Elvis se apresentar ao vivo. Querendo me fazer uma surpresa, ele não me deixou assistir aos ensaios. Fiquei impressionada. Ao final, ele saiu do palco com o público aplaudindo e pedindo mais.

Cary Grant estava entre os astros que foram ao camarim depois do espetáculo para lhe dar os parabéns. Mas o momento mais comovente
 

ocorreu quando o Coronel Parker apareceu com lágrimas nos olhos, querendo saber onde estava o seu garoto. Elvis saiu do camarim e os dois se abraçaram. Creio que todos sentiram a emoção de ambos naquele momento de triunfo.

Acho que não dormimos naquela noite. Joe Esposito foi comprar todos os jornais e lemos as críticas entusiasmadas, declarando que "Elvis foi sensacional" e "Ele nunca cantou melhor". Elvis partilhou o crédito por seu sucesso com todos nós.

— Conseguimos — declarou ele. — Serão trinta dias compridos, mas valerá a pena se tivermos a mesma receptividade da noite passada. Posso ter sido um tirano, mas valeu a pena.

— Tem toda razão — concordaram todos, rindo. — Você foi mesmo um tirano.

O International Hotel estava na maior satisfação com a performance de Elvis e a bilheteria. Na noite seguinte a direção assinou um contrato com o Coronel Parker por cinco anos, para que Elvis se apresentasse duas vezes por ano, geralmente na mesma época, em janeiro e agosto, pelo cachê então sem precedentes de um milhão de dólares por ano.

Elvis literalmente dominou Las Vegas durante todo o mês em que lá esteve, apresentando-se para uma casa lotada em todos os espetáculos, com milhares de pessoas ficando sem ingressos. Para onde quer que olhássemos, tudo o que podíamos ver era o nome Elvis, na televisão, jornais, faixas e cartazes. O Rei voltara.

Inicialmente, o sucesso de Elvis em Las Vegas trouxe uma nova vitalidade ao nosso casamento. Ele parecia uma pessoa diferente. Mais uma vez, sentia-se confiante como um artista, continuou a vigiar o peso e a fazer treinamento de caratê todos os dias.

Era também a primeira vez que eu sentia que estávamos funcionando como uma equipe. Fiz diversas viagens a Nova Iorque, à procura de acessórios diferentes para ele usar no palco. Comprei lenços, jóias e um cinto de couro preto com correntes, que Bill Belew depois copiaria para os famosos cintos Elvis.

Adorei vê-lo saudável e feliz de novo, apreciei especialmente os nossos primeiros dias em Las Vegas. O International forneceu uma elegante
 
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suíte com três quartos, que transformamos num lar longe do lar. Durante as apresentações eu sempre sentava à mesma mesa, na frente, jamais me cansando de assistir ao seu desempenho. Elvis era espontâneo e nunca se sabia o que esperar dele.

De vez em quando, depois de sua apresentação à meia-noite, íamos assistir aos espetáculos de outros artistas se apresentando em Las Vegas ou jogávamos até o amanhecer. Em outras ocasiões ficávamos descansando nos bastidores, conversando com os artistas visitantes que estavam fascinados por seu desempenho. Era a primeira vez que eu estava junto de Elvis num ponto alto de sua carreira.

Com a fama renovada também vieram os perigos renovados. Fora do palco, Elvis podia ser protegido por Sonny e Red. No palco, no entanto, ele era um alvo fácil. Uma noite, naquele verão, Joe e Sonny foram informados de que uma mulher na audiência estava com uma arma e ameaçara dar um tiro em Elvis.

Um verdadeiro profissional, Elvis declarou que se apresentaria de qualquer maneira. Foram adotadas precauções adicionais e todos se mantiveram alertas; Elvis foi instruído a permanecer na boca de cena, tornando-se assim um alvo menor. Sonny e Jerry estavam prontos para pular à sua frente ao menor sinal de movimento suspeito na audiência. Red estava postado meio da audiência, junto com agentes do FBI.

O espetáculo pareceu durar uma eternidade. Eu olhava a todo instante para Patsy, apreensiva; ela pegou-me a mão e ficamos confortando uma à outra, torcendo para que noite terminasse logo, sem qualquer incidente. Vernon permaneceu nos bastidores, jamais perdendo Elvis de vista e rezando: "Oh, Deus, não permita que aconteça alguma coisa com meu filho."

Por causa dessa e de outras ameaças, foi providenciada uma segurança extra onde quer que Elvis aparecesse. As entradas pelos bastidores, cozinhas, elevadores de serviço e portas laterais tornaram-se uma rotina. Elvis tinha uma teoria pessoal sobre assassinatos, baseada nas mortes do Reverendo Martin Luther King Jr. e de Robert F. Kennedy. Estava convencido de que os assassinos gabavam-se de seus crimes e disse aos seus guardas-costas que se houvesse algum atentado contra a sua vida



deveriam pegar o assassino... antes mesmo da polícia. Não queria que ninguém se gabasse para os meios de comunicação de ter matado Elvis Presley.

Sonny e Red viviam em tamanha tensão naqueles dias que estavam constantemente frenéticos. Desconfiados entre multidões de fãs delirantes, eles reagiam rapidamente a qualquer sinal de perigo. Em comparação com a diplomacia de Sonny, a reputação de Red era a de agir primeiro e fazer perguntas depois. Começaram a se acumular as acusações de agressão e lesões corporais contra Elvis. Quando Vernon advertiu-o sobre a agressividade de Sonny e Red, Elvis protestou:

— Assim não é possível, Red. Contratei você para manter os filhos da puta longe de mim, não para me envolver em ações judiciais. Você vai ter de dar um jeito e controlar temperamento explosivo dessa sua cabeça vermelha.

Embora Elvis gracejasse sobre as ameaças de morte — e haveria outras durante a temporada em Las Vegas — o fato é que o medo e a constante necessidade de segurança aumentavam a pressão das apresentações noturnas.

No início, quando Elvis começou a cumprir compromissos regulares em Las Vegas, nós, mulheres, íamos até lá com freqüência. Voávamos nos fins de semana, às vezes levando as crianças, ficávamos três ou quatro dias e voltávamos para casa. Nos dias em que estávamos separados eu tirava centenas de fotos Polaroid e fazia filmes de Lisa. Ela estava crescendo tão depressa que eu não queria perder nada de seu desenvolvimento. Todos os dias Elvis recebia os "presentes do amor", como eu os chamava, incluindo gravações minhas a ensinar novas palavras a Lisa e ela me imitando. Toda semana, ao chegar, eu pregava fotos nos espelhos de seu quarto, a fim de lembrá-lo que tinha uma esposa e filha.

Durante os primeiros compromissos ele ainda parecia humilde pelas dúvidas persistentes sobre a plena aceitação do público. A esta altura, Elvis não tinha o menor interesse por ligações amorosas ou flertes, concentrando-se nos ensaios e apresentações diárias, excluindo qualquer outra coisa. Mais tarde, porém, ele se tornaria petulante. A admiração das multidões o levava de volta a seus triunfos nos anos cinqüenta e era-lhe difícil voltar à




terra depois de um mês de aclamações noturnas. Seu nome na enorme marquise do International seria substituído pelo de outro superastro. Os escritórios esvaziados e os pedidos de reservas seriam interrompidos. Vicejando com todo o excitamento, glamour e histeria, ele achava difícil voltar para casa e retomar seu papel como pai e marido. E, para mim, a impossibilidade de substituir a adoração da multidão tornou-se um pesadelo da vida real.

Na casa, em Los Angeles, havia apenas o grupo habitual — um ambiente estritamente familiar. Essa mudança abrupta era demais para Elvis e logo ele adquiriu o hábito de permanecer em Las Vegas por dias, às vezes semanas, depois de um show. Os rapazes estavam achando cada vez mais difícil resolver o conflito entre trabalhar para Elvis e manter uma vida familiar.
Atormentado pela inatividade e tédio, Elvis tornava-se nervoso e temperamental, uma estado exacerbado pelo Dexedrine, que ele estava tomando de novo, a fim de controlar o peso. Às vezes, para atenuar a transição, Elvis insistia que todos embarcássemos em carros e seguíssemos para Palm Springs. Desde o casamento que passáramos muitos fins de semana ali, tomando sol, assistindo a partidas de futebol americano e programas noturnos pelas televisão. Depois que Lisa nasceu, no entanto, minhas necessidades mudaram. O calor de Palm Springs era demais para ela, a ociosidade irritante. E num fim de semana sugeri:


— Elvis, por que você não vai apenas com os rapazes?

Desse momento em diante eles desenvolveram um estilo de vida próprio em nosso isolado refúgio no deserto. De vez em quando as esposas eram convidadas para o fim de semana, mas de um modo geral Elvis considerava agora que Palm Springs era o seu refúgio particular. Elvis deixou bem claro que esse tempo a distância era bom para ele, proporcionando-lhe uma oportunidade para pensar divertir-se com os rapazes. Na verdade, Elvis estava perdido. Não sabia o que fazer depois de Las Vegas. Escapava pelas drogas de receita médica mais poderosas e desnecessárias, a fim de elevar o ânimo e evitar o tédio. Depois que Elvis conquistou Las Vegas, ficou acertado que ele partiria em excursão. O Coronel começou imediatamente a contratar apresentações por todo o
 

país, começando por seis espetáculos gigantescos, totalmente vendidos, no Astrodome de Houston, que renderam mais de um milhão de dólares em três noites.

Fui uma noite ao Texas para assistir ao show, voando num jato particular, em companhia de Joanie e Judy. Contemplei o Astrodome lá de cima e achei difícil acreditar no que via. Tinha o tamanho de um campo de futebol... e toda a lotação já estava vendida. O que me deixava nervosa. Podia imaginar como Elvis se sentia. Elvis também achou o Astrodome impressivo e comentou, na primeira vez em que lá esteve:

— Esperam mesmo que eu lote todo este monstro? Parece um oceano! Por mais ofuscado que ficasse pelo gigantismo do local, Elvis eletrizou a audiência. Houston foi nosso primeiro encontro com a histeria de massa. A limusine foi estrategicamente estacionada junto à porta do palco, a fim de proporcionar a fuga imediata de Elvis. Mesmo assim, fãs frenéticas cercaram o carro, gritando seu nome, oferecendo flores, tentando tocá-lo. Se alguma coisa, Houston foi uma vitória ainda maior do que Las Vegas. O Rei do Rock-and-Roll estava de volta ao trono. A tensão pela manutenção do clima estava apenas começando e, no momento, eu ainda podia acreditar que tudo daria certo. Não percebi a extensão a que a excursão de Elvis iria nos separar, que aquilo era na verdade o começo do fim. Depois de Houston, Elvis passou a cruzar o país de um lado para outro, fazendo apresentações de uma noite, voando durante o dia, tentando dormir um pouco para manter o alto nível de energia necessário para os shows. De 1971 em diante Elvis excursionou mais do que qualquer outro artista — três semanas consecutivas, sem qualquer dia de folga e dois espetáculos aos sábados e domingos.

Eu sentia saudade. Falávamos constantemente em passarmos mais tempo juntos, mas Elvis sabia que se me deixasse ir ao seu encontro não poderia recusar os pedidos dos regulares, cujos casamentos também sofriam com as pressões das longas separações. Por algum tempo, algumas de nós voavam ao encontro do grupo de vez em quando, mas isso não durou muito. Elvis notou que seus empregados se tornaram relaxados no cumprimento dos deveres quando as esposas estavam presentes e adotou uma nova política:
 

Nada de esposas durante uma excursão. Eu não me preocupava muito com os shows de uma noite só, uma rotina tediosa na melhor das hipóteses: Embarcar no avião, correr para o hotel, tirar da mala o mínimo possível, já que se teria de sair no dia seguinte, fazer a apresentação, voltar ao hotel para descansar um pouco, antes de voltar ao aeroporto. Era sempre a mesma coisa, exceto pelo nome da cidade.

Foi no dia em que Elvis sugeriu que eu fosse com menos freqüência a Las Vegas que me tornei realmente transtornada e desconfiada. Ele decidira que as esposas só deveriam comparecer às noites de estréia e encerramento. Compreendi então que teria de lutar por nosso relacionamento ou aceitar o fato de que estávamos agora nos afastando gradativamente, como acontece com tantos casais no show business. Como um casal, nunca sentávamos para planejar um futuro. Elvis, individualmente, estava se desenvolvendo como um artista, mas como marido e mulher precisávamos de uma realidade comum.

As possibilidades do casamento sobreviver eram mínimas, enquanto ele continuasse a viver longe de Lisa e de mim. Tudo se resumia a quanto tempo mais eu poderia suportar a separação. Elvis queria tudo para si. E agora, quando as excursões e temporadas o levavam ainda mais para longe da família, cheguei à conclusão de que talvez nunca realizássemos os meus sonhos de união. Tinha dificuldade em acreditar que Elvis era sempre fiel; e quanto mais ele nos mantinha afastados, mais minhas suspeitas aumentavam.

Agora, quando íamos a Las Vegas, eu me sentia mais tranqüila nas estréias. Elvis estava sempre preocupado com o espetáculo e eu achava que precisava de mim. Nas noites de encerramento eu sempre ficava apreensiva. Muitos dias haviam transcorrido, tempo suficiente para que as suspeitas envenenassem meus pensamentos. Os maîtres de Las Vegas invariavelmente instalavam um bando de beldades nas primeiras filas. Curiosa, eu esquadrinhava seus rostos, ao mesmo tempo em que observava Elvis atentamente, a fim de verificar se ele parecia endereçar as canções a alguma garota em particular. Desconfiada de todas, meu coração sofria — mas nunca pudemos conversar a respeito. Era algo que se devia aceitar como parte do ofício.
 


ELVIS E EU

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Uma noite, nos bastidores, Vernon estava jovialmente disputando uma chave que fora jogada para Elvis. Era de uma atraente loura de meia-idade, o tipo de Vernon. Elvis disse:

— Papai, você já tem problemas suficientes em casa com uma só loura. Não precisa de duas.

— Tem razão — respondeu Vernon. — Mas você também vai ter problemas se sua esposa continuar a sair desse jeito.

Eu começara a usar vestidos mínimos, de tricô ou tecidos transparentes, ousadamente reveladores. Lamar e charlie assoviavam e uivavam para mim, enquanto Elvis me exibia orgulhoso.

As brincadeiras que eu fazia com ele também eram esforços para atrair sua atenção. Uma noite, depois que ele saiu cedo para um show, pus um vestido preto, com um capuz e um decote nas costas excepcionalmente baixo. Quando chegou o momento de Elvis dar beijos em garotas da audiência — uma parte regular do espetáculo — subi ao palco. Em vez de me beijar, Elvis continuou a cantar, deixando-me parada lá em cima. Com os cabelos escondendo a alça do vestido em torno do pescoço, parecia por trás que eu estava nua da cintura para cima. Podia ouvir as exclamações de espanto da audiência. Todos tinham a impressão de que uma garota topless acuara Elvis e ele não sabia o que fazer. Eu lhe sussurrei várias vezes:

— Beijei-me logo, a fim de que possa descer e sentar.

Mas Elvis resolveu virar a brincadeira contra mim e me obrigou a esperar sob o refletores até terminar a canção. Dando então um beijo em meus lábios, ele me apresentou à audiência. Senti-me um pouco embaraçada e voltei ao meu lugar.

Havia um momento no show em que Elvis andava de um lado para outro do palco brincando com a audiência, contando histórias, até mesmo fazendo confidências.

— Algumas pessoas nesta cidade estão ficando um pouco gananciosas — dizia ele. — Vocês poupam durante muito tempo para virem aqui e me ouvirem cantar. Quero apenas que saibam que nunca haverá qualquer aumento exorbitante de preço quando voltarem. Estou aqui para entreter vocês e isso é tudo que me interessa.


Elvis estava tendo um caso de amor com sua audiência. Na próxima vez em que me descobri em casa sozinha cheguei à conclusão de que não tinha opção a não ser iniciar uma vida própria. Foi pensado assim que Joanie, minha irmã Michelle e eu planejamos uma curta viagem a Palm Springs. Durante o fim de semana resolvi verificar a correspondência. Havia cartas de várias mulheres que obviamente haviam estado ali. Uma delas se assinava "Língua de Lagarto". Minha reação inicial foi de incredulidade, depois veio a indignação. Liguei para Las Vegas e exigi que Joe descobrisse Elvis e o trouxesse ao telefone. Joe alegou que ele estava dormindo, falei então sobre as cartas e insisti que Elvis me atendesse. Joe prometeu que faria com que Elvis me telefonasse assim que acordasse. Foi o que aconteceu. Mas ficou evidente que Joe lhe explicara a situação e Elvis já preparara uma explicação. Estava totalmente inocente, eram apenas fãs, tinham perdido o juízo se insinuavam que haviam estado na casa; além do mais, era a palavra delas contra a sua. Como sempre, ao final, pedi desculpas pela situação. Mas, aquela altura, as coisas estavam se tornando óbvias demais. Elvis recomendou:

— Aproveite para fazer coisas enquanto estou ausente. Se não o fizer, vai começar a se sentir deprimida.

Embora minhas opções fossem limitadas — Elvis ainda objetava que eu aceitasse um emprego ou me matriculasse em cursos na universidade — continuei as aulas de dança e iniciei aulas particulares de pintura. Elvis era um artista nato; embora tentasse evitar as multidões, detestasse restaurantes e se queixasse de que "não podia sair na rua como uma pessoa normal", o fato é que o estilo de vida lhe convinha. Escolhia pessoalmente as pessoas que queria ao seu redor — para trabalhar e viajar — e todas se ajustavam à sua rotina, seus horários e temperamento. Ao longo dos anos, tornou-se como um clã bastante unido. Houve algumas discussões e umas poucas pessoas se afastaram por causa de mal-entendidos, mas geralmente voltavam depois de uma ou duas semanas.

Minha visão da vida fora moldada por Elvis. Entrara em seu mundo como uma garotinha e ele me proporcionava segurança absoluta. Elvis desconfiava de quaisquer influências externas, que considerava como uma ameaça ao relacionamento, temendo que pudessem destruir sua criação,
 

ELVIS E EU

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seu ideal. Nunca poderia prever o que estava acontecendo como conseqüência de suas prolongadas ausências de casa. Um período importante em meu crescimento estava começando. Ainda receava as nossas separações, mas achava que nosso amor não tinha limites, que eu era sua e que mudaria se ele assim quisesse. Por anos nada existia em meu mundo além de Elvis; mas agora que ele se mantinha longe por períodos prolongados o inevitável aconteceu. Eu estava criando uma vida própria, começando a conquistar uma segurança pessoal e descobrindo que havia um mundo inteiro fora de nosso casamento.

Ao longo dos anos de apresentações em Las Vegas, outras pressões foram aumentando. Houve mais ameaças de morte e ações judiciais, inclusive processos de paternidade e lesões corporais. Maridos ciumentos afirmavam terem visto Elvis flertando com suas esposas, outras pessoas acusavam Sonny e Red de agressão física. Elvis começou a se sentir entediado com essas inconveniências e também com a mesmice do espetáculo. Inevitavelmente, tentou mudar o esquema, mas depois sentiu que o novo não tinha o mesmo ritmo do original. Acrescentava algumas canções aqui e ali, mas sempre voltava ao original. Sugestões insistentes de que promovesse mudanças antes da próxima temporada em Las Vegas aumentavam a pressão.

Entediado e inquieto, Elvis aumentou sua dependência de agentes químicos. Achava que a animação o ajudava a escapar do pensamento destrutivo, quando na verdade apenas lhe proporcionava uma falsa confiança e uma agressividade anormal. Ele começou a perder a perspectiva de si mesmo e dos outros. Para mim, foi se tornando cada vez mais inacessível.
 




CONTINUA,,,,,,,,



 

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 33

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 33


Voltamos a Los Angeles, onde Elvis estava filmando Live a Little, Love a little. Ele começou a readquirir seus antigos hábitos. Frustrada, passei a procurar cursos de dança para me matricular. Procurei nas páginas amarelas, até encontrar um curso que me atraiu a atenção, uma escola para jazz e balé, não muito longe de nossa casa. O estúdio era pequeno e despretensioso; o proprietário, Mark, era um homem extremamente atraente e dinâmico, 45 anos. Era um excelente dançarino e um ótimo mestre; ao sair de lá, naquela tarde, eu me matriculara para aulas particulares.

Ainda muito inibida para dançar na presença de um grupo, queria esperar até me certificar de que queria acompanhar os outros. Tinha aulas particulares três vezes por semana. O interesse pessoal e a atenção de Mark eram lisonjeiros e não demorou muito para que eu estivesse realizando passos que nunca imaginara que poderia conseguir. Mark disse que eu possuía o potencial de uma boa bailarina e me exigia até os limites. Por frustração e dor, tive vontade de largar tudo. Exigindo que eu continuasse, Mark assegurou-me que eu estava assim desenvolvendo o meu caráter. Forçava-me a repetir a mesma rotina até que era quase perfeita. Isso me levou a compreender que poderia ir além do que jamais sonhara. Ele acreditava em mim e eu estava realizando alguma coisa. Pela primeira vez, estava criando, sentindo-me bem comigo mesma, e ficava ansiosa pela próxima aula.

Mark era carismático e eu me encontrava bastante vulnerável. No lugar de um casamento apaixonado, a dança estava se tornando minha vida; sentia-me obcecada, levando todas as minhas frustrações e sentimentos para o estúdio. Descobri-me a pensar em Mark até mesmo



quando estava em casa. Só o vira umas poucas vezes em toda minha vida e já me sentia incapaz de tirá-lo dos pensamentos. Racionalizei, dizendo a mim mesma que isso acontecia porque ele estava sempre à minha disposição. Parecia me compreender, enquanto o homem que eu realmente amava se encontrava absorvido em seu próprio mundo. Comecei a relaxar, divertindo-me quase contra a minha vontade. Já se passara algum tempo que eu não me encontrava com um homem que dava valor aos meus talentos e apreciava ficar a sós em minha companhia. Era também a primeira vez que eu não estava competindo por minha própria identidade. Era um experiência emocionante que há muito tempo eu não tinha.

Tivemos uma breve ligação e resolvi encerrá-la. Saí desse caso com certeza de precisava muito mais do meu relacionamento com Elvis. Nós dois resolvemos fazer uma viagem ao Havaí. Era a primeira vez que saíamos em férias e eu esperava que fosse uma segunda lua-de-mel, que a experiência com Mark seria esquecida. Levamos Lisa, sua babá, Joe, Joanie, Patsy e o marido, Gee Gee, Lamar e sua esposa, Nora, e Charlie. Fomos para IIikai Hotel, em Waikiki, mas logo descobrimos que Elvis não podia ir à praia sem atrair uma multidão. Resolvemos alugar uma casa com uma praia particular e passamos lá o resto das férias.

Foi maravilhoso e Elvis e eu éramos outra vez como duas crianças, longe das pressões e das filmagens — e longe de Mark, para quem minha atenção de vez em quando se desviava.

Foi lá que conhecemos Tom Jones e Elvis se afeiçoou muito a ele. Sempre gostara do estilo vocal de Tom, especialmente em "Gren, Gren Grass of Home", que Elvis ouvira pela primeira vez viajando de Los Angeles para Memphis. Ele me ligara ao pararem no Arizona, dizendo-me para comprar o disco.

Elvis tinha certeza de que Tom era preto; nenhum cantor branco poderia cantar assim, à exceção dos Righteous Brothers, que para sua grande surpresa também eram brancos.

Tom Jones e Elvis experimentaram uma simpatia mútua instantânea. Depois de uma apresentação no IIikai, Tom convidou-nos para sua suíte, juntamente com o nosso grupo. Poucos minutos depois o champanhe estourou e a festa começou. Rimos, bebemos, gracejamos, bebemos ainda
 


ELVIS E EU

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mais (muito mais), cantamos... e deixamos o IIkai ao amanhecer. Elvis gostou tanto que pessoalmente convidou Tom e seu grupo a se juntarem a nós na casa da praia, no dia seguinte, uma amizade cresceu assim, uma amizade feita de admiração e respeito mútuo.

Um dos atributos mais destacados de Elvis era a sua convicção de que havia espaço no mundo das diversões para qualquer um que tivesse talento. Em minha experiência, somente uns poucos astros são tão generosos. A ganância, insegurança, inveja e o ego geralmente impedem as celebridades de se concederem um apoio mútuo.

Elvis era capaz de reconhecer o talento imediatamente. Em Las Vegas assistíamos regularmente aos espetáculos de artistas em ascensão; se Elvis gostava, passava a freqüentar o lugar, estimulando os artistas a prosseguirem em suas carreiras, incutindo-lhes confiança e entusiasmo. Alguns de seus prediletos eram Ike e Tina Turner, Gary Puckett e o Union Gap, os dançarinos Tybe e Bracia e os veteranos Fats Domino e os Ink Spots, todos talentosos, merecendo reconhecimento em sua arte.

Uma noite visitamos Barba Streisand nos bastidores do Internacional Hotel, que é agora Hilton. Fora um desempenho clássico de Streisand e Elvis, depois de tomar Bloody Marys demais, queria lhe transmitir suas impressões. Fomos levados ao seu camarim e as primeiras palavras de Elvis foram:

— O que você viu em Elliott Gould? Nunca fui capaz de suportá-lo!

À sua típica maneira, Barba respondeu, deixando Elvis com a cara no chão:

— Mas que história é essa? Ele é o pai do meu filho!

Elvis tinha alguns outros favoritos especiais — Arthur Prysock, John Gary, o astro da ópera Robert Merrill, Brook Benton, Roy Orbison e a gravação de "Where Has Love Gone?" por Charles Boyer. Não suportava os cantores que, em suas palavras, eram "todos técnica e nenhum sentimento emocional", incluindo nessa categoria Mel Torme e Robert Goulet. Ambos

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ELVIS E EU

foram responsáveis por dois aparelhos de televisão sendo destruídos com uma Magnum 357.





CONTINUA,,,,,,,,,,
 

sábado, 13 de maio de 2017

O TESTAMENTO E ULTIMOS DESEJOS DE ELVIS AARON PRESLEY PARTE 4 FINAL

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Item 15

PAGAMENTO DA PROPIEDADE E IMPOSTO DE TRANSFERÊNCIA

Não obstante às clausulas do item 10 anexo, eu autorizo meu Testamentário a usar tais somas recebidas por minha propriedade após minha morte e resultante de meus serviços particulares como identificados no Item 10 quando ele julgar necessário e aconselhável para pagar as taxas referentes ao Item 1 de meu testamento. Em testemunha deste. eu, Elvis A. Presley aprovei e fixei na presença de duas (2) testemunhas competentes e na presença deles publico e declaro este instrumento para ser meu último desejo e testamento. neste dia 3 de março de 1977. Elvis A. Presley. Charles E. Hodge residente na 3764 Elvis Presley Boulv. Ann Dewey Smith residente na 2237 Court Avenue.

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Ginger Alden, Charles Hodge e Ann Dewey Smith, após primeiramente devidamente fazerem o juramento ou afirmar que o anterior último desejo e testamento for assinado por Elvis A. Presley e na hora conhecida, publicada e declarada por ele e por ser seu último desejo e testamento, à vista e presença de nós, o abaixo assinado, que a seu pedido e em sua vista e presença e à vista e  presença de outros, assinaram nossos nomes certificando as testemunhas no dia 3 de março de 1977, e nós fizemos juramentos adicionais que o testador estava em sã consciêncla e memória e não agia sob fraude, ameaça ou influência de pessoas e era maior de dezoito (18) anos de idade e que cada uma das testemunhas certificadas e maior de dezoito (18) anos de idade. (Assinado por Ginger Alden) Ginger Alden (Assinado por Charles F. Hodge) Charles F. Hodge (Assinado por Ann Dewey Smith) Ann Dewey Smith Jurado perante mim neste 3 dia de março, 1977. Drayton Beecker Smith 2 tabelião público. A minha licença expira: 8 de Agosto de 1979. Admitido para legitimação e registrado em 22 de agosto de 1977.

B.J. Dunavant, escriturário. Por: Jan Scott, D.C.

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Bom pessoal este foi o testamento Original De Elvis Aaron Presley e Todos Seus Ultimos Desejos é um documento histórico que agora todos os fãs de Elvis e Seguidores do Blog Elvis The Man Poderão ler este foi um trabalho feito com dedicação e carinho há todos os fãs do REI,,,,,



FONTE DE INFORMAÇÃO FOTOS E TEXTO DIEGO ELVIS ADM

COLABORAÇÃO DE POSTAGEM E TEXTO ROSEANE MARIA SILVA

O TESTAMENTO E ULTIMOS DESEJOS DE ELVIS AARON PRESLEY PARTE 3

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Item 5

DISTRIBUIÇÃO A CRIANÇAS MENORES

Se alguma parte do capital de algum crédito estabelecido sob este desejo tornar-se distribuível completamente e livre de crédito a qualquer beneficiário até o dito beneficiário tiver atingido a idade de 18 anos, então a divisão imediatamente revestirá tal beneficiário, mas o tutor reterá a posse de tal parte durante o período em que tal beneficiário estiver sob a idade de 18 anos, e, no meio tempo, usará e gastará parte da herança e capital de cada parte se o tutor julgar necessário e desejável para o cuidado, suporte e educação de tal beneficiário, e qualquer rendimento não gasto será acrescentado ao principal.

O tutor terá com respeito a cada parte então retida todo o poder e discrição geralmente tido com respeito ao crédito



Item 6

DIVISÕES ALTERNATIVAS

Em caso de todos os meus descendentes estarem falecidos antes do tempo de termino dos créditos para aqui estarem inclusos, então em tal caso toda a minha propriedade e todas vantagens de todo crédito a ser criado abaixo (como deve ser o caso) será então distribuído completamente em partes iguais a meus herdeiros legais por família.



Item 7

CLÁUSULAS IMPREVISÍVEIS

Se alguma cláusula desse testamento for imprevisível, as cláusulas restantes serão, se realizarem.



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Item 8

SEGURO DE VIDA

Se minha propriedade é beneficiária de algum seguro de vida na hora de minha morte, eu instruo que o dinheiro deste será usado por meu testamentário no pagamento de débitos. despesas e taxas relacionadas no Item 1 deste testamento, na medida julgada oportuna por meu testamentário. Todo o dinheiro ainda não usado devem ser usados por meu testamentário como propósito de satisfazer os planos e ligações contidas no item 4 anexo.



Item 9

CLÁUSULAS PEDULÁRIA

Eu instruo que o interesse de qualquer beneficiário na propriedade ou herança de qualquer crédito criado abaixo não será assunto de reclamações de credores ou outros, nem de processos legais e não podem estar voluntariamente ou involuntariamente alienados ou obstruidos exceto se a inclusão aqui providenciada. As heranças aqui anexas para qualquer esposa será para seu próprio e único uso, livre de débitos, contratos e controle de qualquer marido que ela possa ter.



Item 10

RENDA DE SERVIÇOS PESSOAIS

Todas as quantias pagas após minha morte (Inclusive a minha propriedade ou qualquer dos créditos criados abaixo) e resultantes dos serviços pessoais prestados por mim durante meu tempo de vida,
incluindo, mas não limitado a, a luxos de toda natureza, concertos, contratos de filmes e aparições pessoais serão considerados herança, não obstante das cláusulas de propiedade e leis de crédito em contrário


Item 11

TESTAMENTÁRIO E TUTOR

Eu indico como testamentário deste meu último desejo e testamento, e como tutor de todo crédito que precise ser criado abaixo meu já dito pai. Eu pelo presente instruo que meu pai será autorizado por seu último desejo e testamento, devidamente
providenciado, a indicar um testamentário sucessor de minha propriedade. tanto quanto um sucessor, tutor ou sucessores tutores de todos os créditos criados sob meu último desejo e testamento.

Se, por alguma razão meu pai esteja impossibilitado de servir ou continuar a servir como testamentário e/ ou como tutor. ou se ele vir a falecer e não tiver Indicado testamentário ou tutor, sucessor, em virtude de seu últmo desejo e testamento como declarado acima então eu Indico o National Bank of Commerce, Memphis, Tennesse, ou sua sucessora ou
estabelecimento com o qual este possa se filiar, Como sucessor testamentário dou como tutor sucessor de todos os créditos que sejam estabelecidos abaixo.

Nenhuma das indicações nomeadas abaixo, incluindo qualquer indicação feita em virtude do último desejo e testamento de meu pai será exigido fornecer algum contrato de seguro por apresentação dos respectivos deveres fiduciários requeridos abaixo, não obstante a qualquer código de lei contrário.

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Item  12

PODERES, OBRIGAÇÕES, PRIVILÉGIOS, E IMUNIDADES DO TUTOR

Exceto se de outra maneira declarado explicitamente aqui anexo em contrário, eu dou e permito ao dito tutor (e ao devidamente indicado tutor sucessor atuando como tal) o poder para fazer tudo o que ele julgue conveniente com respeito a administração de cada crédito estabelecido sob este último desejo e testamento, ainda que tais poderes não seriam autorizados ou apropiados para o tutor estatuário ou outros códigos de lei. O caminho de ilustração e não em limitação da generalidade da anterior concessão de poder e autoridade do tutor, eu dou e concedo pleno poder a ele nos seguintes

a) Para exercer todos aqueles poderes autorizados a fiduciários sob as cláusulas do código de notas do Tennessee, Seções 35-616 a 35-618, inclusive, incluindo qualquer emenda feita a esse em consequência da hora da minha morte, e os mesmos são explicitamente referidos e incorporados aqui por referência.

b) Pleno poder é concedido ao tutor. não somente para aliviá-lo de procurar odens judiciais, mas na medida que o tutor julgue ser prudente, encorajar determinações livremente feitas em favor de pessoas que forem os beneficiários comuns da herança. Em tais ocasiões os direitos de todos os beneficiários subsequentes são secundários e o tutor não será responsável por nenhum beneficiário subsequente por algo feito ou omitido em favor de um benefício de herança comum, mas nenhum benefício de herança comum pode compelir qualquer tratamento favorável ou preferencial sem de qualquer modo minimizar ou prejudicar a liberdade deste objeto  de declaração, isto inclui sistema de investimento,  exercício de poder arbitrário para pagar ou aplicar o dinheiro e herança e determinação de questões sobre o capital e herança.

c) Será permitido ao tutor aplicar qualquer soma pagável para ou em benefício de um menor (ou qualquer outra pessoa que no julgamento do tutor, está incapacitado de fazer a distribuição apropriada) por pagamentos para quitação de custos e despesas de educação, mantendo e sustentando tais beneficiários, ou para fazer pagamento a qualquer um que o beneficiário resida ou que tenha a guarda ou custódia do beneficiário, temporariamente ou permanentemente, sem intervenção de um tutor ou como fiduciário. O recebimento de qualquer um a quem o pagamento esteja autorizado a ser feito será uma completa exoneração do tutor sem obrigação de sua parte em ver a aplicação adicional
deste e sem consideração para com outros bens que o beneficiário possa ter, ou o dever de qualquer outra pessoa para sustentar o beneficiário.


d) Na negociação com o tutor, nenhum concessionário, caucionário, comprador, credor, arrecadatário ou outra transferência da custódia das propriedades, de qualquer parte deste será destinado a indagar com respeito pertinente ou necessidade de tal distribuição ou averiguar a proposta de qualquer consideração para isto paga ao tutor.

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Item 13

REFERENTE AO TUTOR E AO TESTAMENTO

a) Se a qualquer momento o tutor tiver dúvidas razoáveis quanto a seu poder, autoridade ou dever na administração de qualquer crédito aqui criado, será lícito para o tutor obter a informação parecer de um respeitável conselho legal sem recorrer às cortes para instruções; e o tutor será completamente absolvido de todos os riscos e danos ou detrimento das várias custódias de propriedades ou qualquer beneficiário abaixo por razão de algo feito, sofrido os omitidos conforme o parecer de tal conselho dado e obtido em boa fé, sendo que nada abaixo será construído para proibir ou prevenir o tutor em casos apropriados de recorrer à corte da jurisdição competente para instruções na administração da custódia dos bens em lugar de obter parecer ao conselho.

b) Na manipulação. investimento e controle as várias custódias de propriedades, o tutor exercerá o julgamento e encargo sob as circunstâncias então predominantes. os quais homens de prudência, discrição e exercido do julgamento no controle de seus próprios interesses. não com respeito à especulação, mas no que diz respeito à disposição permanente de seus fundos, considerando a provável herança tão quanto o provável seguro de seu capital e em adição, o poder de compra da distribuição de herança a beneficiários.


c) Meu tutor (tanto quanto meu testamentário) será denominado por razoável e adequada compensação para os serviços induciários representados por eles.

d) Meu testamentário e seu sucessor testamentário terão os mesmos direitos, privilégios, poderes e imunidades cedidas a meu tutor onde quer que seja apropriado.

e) Referindo a qualquer fiduciário abaixo, com objetivos de construção pronomes masculinos, podem incluir um incorporado fiduciário e pronomes neutros podem incluir fiduciários individuais.



Item 14

LEI CONTRA LIMITAÇÃO DE TRANSFERÊNCIA

a) Tendo em mente a lei contra limitações de transferência, eu instruo que (não obstante a algo contido em contrário neste último desejo testamentário) cada custódia criada sob este testamento (exceto tais custódias que tenham até agora fixado acordo com tal código de lei) terminará a menos que mais tarde seja finalizado sob outras cláusulas deste testamento, 21 anos após a morte do último sobrevivente de tais beneficiários abaixo que estiverem vivendo na hora de minha morte; e naquele que a propriedade contida no crédito será Distribuida livre de todas as custódias das pessoas então designadas para receber a herança e/ou o capital deste, na proporção em que estão designadas a receber tal herança.


b) Não obstante algo mais contido neste testamento em contrário, eu instruo que se alguma distribuição sob este testamento se tornar pagável a uma pessoa por quem o tutor está administrando uma custódia criada abaixo para o benefício de tal pessoa; tal distribuição será feita a tal custódia e não completa ao beneficiário e os fundo então passados a tal custódia se tornará uma parte desta como um todo a ser administrada e Distribuida a mesma quantidade e finalidade como se tais fundos fossem uma parte de tal custódia em seu início.

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CONTINUA,,,,,


FONTE DE INFORMAÇÃO FOTOS E TEXTO DIEGO ELVIS ADM



COLABORAÇÃO DE POSTAGEM ROSEANE MARIA SILVA