Elvis 1956




sábado, 8 de abril de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 6

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 6




Passei os dois dias seguintes trancada no quarto, incapaz de comer, incapaz de dormir. Mamãe acabou me dizendo:

— Isso não vai adiantar coisa alguma. Ficar se lastimando aqui não o trará de volta. Ele se foi. Vai começar uma vida nova e você deve fazer a mesma coisa.

Forcei-me a voltar à escola e me descobri assediada por fotógrafos e repórteres, que estavam me chamando de "a garota que ele deixou na Alemanha e queriam saber de tudo.

— Quantos anos tem, Srta. Beaulieu?

— Tenho... ahn...

— Sua ficha mostra que está no nono ano.

— Ahn... é que...

— Há quanto tempo conhece o Sr. Presley?

— Ahn... há alguns meses.

— Qual é o seu relacionamento com ele?

— Somos... apenas amigos.

— Ele já lhe telefonou depois que voltou?

— Não mas...

— Sabia que ele está saindo com Nancy Sinatra?

— Quem?

— Nancy Sinatra.

Sentindo-me subitamente atordoada, pedi licença e me afastei. Todos os dias havia telefonemas dos Estados Unidos, com ofertas de passagem de avião, ida e volta, em primeira classe, para eu aparecer em programas de televisão. Recusei todos, assim como os pedidos de revistas européias, solicitando entrevistas e fotos. Recebia cartas de soldados americanos solitários do mundo inteiro. Atraíra a atenção deles, talvez como a namorada de um soldado. Também recebia cartas de fãs de Elvis,


ELVIS E EU

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algumas cordiais, outras desoladas, pensando que talvez o tivessem perdido.

Os dias se transformaram em semanas e fui me tornando cada vez mais resignada, convencida de que Elvis estava agora namorando Nancy Sinatra e me esquecera inteiramente. Mas 21 dias depois de sua partida o telefone tocou às três horas da madrugada. Pulei da cama, corri para atender e ouvi sua voz maravilhosa.

— Oi, Baby. Como está a minha garotinha?

— Oh, Elvis, estou muito bem... mas sinto muita saudade de você!

Pensei que tinha me esquecido. Todo mundo estava dizendo que isso era inevitável.

— Eu disse que telefonaria, Cilla.

— Sei disso, Elvis, mas fotógrafos e repórteres apareceram aqui, me fazendo perguntas e... Elvis, é verdade que você está namorando Nancy Sinatra?

— Calma, Baby, calma. — Ele soltou uma risada. — Não, não é verdade que eu esteja namorando Nancy Sinatra.

— Mas eles disseram que estava!

— Não acredite em tudo o que ouvir, menina. Vai encontrar muitas pessoas tentando criar problemas só para deixá-la transtornada. Ela é uma amiga, Baby... apenas uma amiga. Vou aparecer no programa de seu pai e estava tudo combinado para ela estar presente na minha entrevista coletiva, quando voltei aos Estados Unidos. Sinto muita saudade, Baby. Penso em você o tempo todo.

Depois desse primeiro telefonema, eu passava todo o meu tempo escrevendo e reescrevendo cartas para ele. Mas Elvis nunca respondia. E um dia ele tornou a telefonar, parecendo muito excitado.

— Vou para a Califórnia dentro de dois dias, Baby. Iniciarei meu primeiro filme depois do exército.

A primeira coisa que me passou pele cabeça foi a de que ele acabaria se apaixonando pela estrela do filme. Tão calma quanto podia, perguntei:

— Quem vai estrelar o filme junto com você?

Elvis desatou a rir.



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ELVIS E EU


se apaixonando pela estrela do filme. Tão calma quanto podia, perguntei:

— Quem vai estrelar o filme junto com você?

Elvis desatou a rir.

— Não precisa se preocupar, Baby. Ainda não a conheci pessoalmente, mas sei que ela á muito alta. Seu nome é Juliet Prowse, é uma dançarina e está noiva de Frank Sinatra.

Aliviada, indaguei:

— Como vai se chamar o filme?

— Não é capaz de adivinhar? G. I. Blues. Acho que vai ser ótimo. Estou um pouco preocupado porque tem muitas canções, mas no final vai dar tudo certo. E é bom mesmo que dê, porque senão eles vão ouvir algumas coisinhas.

Poucas semanas depois Elvis ligou de novo. Seu entusiasmo por G. I. Blues se transformara em amargo desapontamento.

— Acabei de concluir a droga do filme. Estou detestando. Eles puseram uma dúzia de canções que não valem nada. — Ele estava furioso. — Tive uma reunião com o Coronel Parker a respeito. Quero cortar a metade das canções. Sinto-me como um idiota, desatando a cantar no meio de uma conversa com uma garota num trem.

— O que o Coronel acha?

— O que ele pode achar? O problema é que não tenho saída. Já recebi o dinheiro.

E eles parecem achar que é tudo maravilhoso. Você não pode imaginar como estou desesperado.

— Talvez o próximo filme seja melhor.

— Tem razão — disse Elvis, começando a se acalmar. — O Coronel pediu melhores roteiros. O problema é que se trata do meu primeiro filme depois que voltei e não passa de uma droga. — Houve uma pausa prolongada, a estática interferindo na ligação, até que finalmente Elvis acrescentou: — Tenho que desligar agora, Cilla. Além disso, quase não estou escutando você. Voltarei a ligar em breve. Seja boazinha e não se esqueça se que amo você.

Eu vivia num estado de suspensão animada. À espera dos esporádicos telefonemas de Elvis. Nunca havia um padrão em suas ligações. Ele telefonava inesperadamente depois de três semanas... ou de três meses. Sempre falava durante quase todo o tempo, comentando seu

último filme ou a estrela que contracenava com ele. De vez em quando Elvis falava sobre Anita, dizendo que o relacionamento entre os dois não era o que esperava, ao voltar da Alemanha. Ele não tinha mais certeza se queria continuar com ela. Eu não sabia qual era exatamente a minha situação. O tempo e a distância haviam criado dúvidas e indagações. Eu tinha vontade de lhe perguntar: "Onde é que eu entro na sua vida... se é que entro?"

Elvis ainda comentava que queria muito que eu visitasse Graceland, especialmente no Natal, quando a propriedade ficava toda enfeitada. Queria que eu conhecesse Alberta, a empregada. Ele a chamava de Alberta VO5. Ele riu e comentou:

— Vou dizer a ela: "O Cinco, tenho uma garotinha que quero que você conheça."

Isso me proporcionava alguma esperança de um futuro. Queria acreditar em Elvis quando ele dizia que ainda gostava de mim. Mas durante os períodos em que não recebia notícias dele, não podia deixar de especular se algum dia tornaria a vê-lo. Ouvi seu último disco de sucesso" (Marie's the name) His Latest Flame" e fiquei convencida de que ele se apaixonara por uma garota chamada Marie.

Naquele verão Paul Anka fez uma excursão pela Europa. Deveria se apresentar numa base Aérea em Wiesbaden. Pedi a mamãe que me levasse ao aeroporto na hora marcada para sua chegada. Ela não sabia de nada, mas ele foi cercado pelas fãs assim que apareceu e eu era tímida demais para abrir caminho pele multidão e lhe falar.

Eu colecionava todas as notícias a respeito de Elvis que encontrava. Ouvia constantemente as transmissões de rádio dos Estados Unidos e verificava cada artigo do jornal "The Stars and Stripes". Mas cada notícia a respeito de Elvis me deixava ainda mais perturbada. Além de Anita, ele parecia estar ligado romanticamente a várias starlets de Hollywood, lindas e jovens — Tuesday Weld, Juliet Prowse e Anne Helm, entre muitas outras.

Escrevi para ele: "Preciso de você e quero você por todos os meios. Pode estar certo de que não há mais ninguém... Gostaria de estar com você


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neste momento. Preciso de você e de todo o Seu amor, mas do que qualquer outra coisa no mundo".





ELVIS E EU CONTINUA.......
 



 






segunda-feira, 3 de abril de 2017

AS JUMPSUITS DO REI PARTE PARTE 8





 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

queridos amigos fás e seguidores do Blog Elvis The Man aqui chegamos com a oitava parte de AS JUMPSUITS DO REI  trazemos para vocês mais um belíssimo traje usado pelo REI DO ROCK em suas primeiras temporadas ao vivo em LAS VEGAS  para hoje teremos a historia do traje White Cossack... este em particular usado já no inicio dos anos 70  vamos conhecer a historia ?




White Cossack 

é como todos os ternos usados em 1969 este é um terno de uma peça (macacão). Este é um terno branco com um lindo arranjo no pescoço . fantástico  e  decorativo que realmente chama a atenção neste equipamento é o colar, que é decorado a mão com macramé tecido em branco e ouro. O colar é amarrado em torno do pescoço, e tinha quatro nós. O nó inferior está pendurado para baixo em cada lado da abertura do peito, o que significava que Elvis teve que passar algum tempo lutando para  sair da roupa. Em cada lado das mangas, há três botões brancos de punho.



  O cinto  utilizado para este terno foi também feito em tecido macramé em branco e ouro, um pouco mais estreito do que os outros cintos utilizados nesta temporada. Este cinto também foi usado em novembro de 1970 para o terno de renda, e mais tarde para um terno de duas peças em agosto de 1972. Como de costume, o cinto foi amarrado ao lado esquerdo com franjas penduradas até o joelho. Nenhum lenço foi usado com este terno por causa do macramé em torno do pescoço.

 





White Choker, White Pearl ou White Pearl Neck Chords, como também é conhecido, foi usado por Elvis em Las Vegas na segunda   temporada de shows várias vezes. A primeira vez foi em 26 de janeiro de 1970, show de abertura. E ele voltou a usá-lo em Houston, Texas, no dia 27 de fevereiro, às 02:00 horas, bem como no dia 1º de março, também às 02:00 horas.

Cossack Branco pode ser visto em exibição em Graceland hoje, o cinto é provavelmente em uma coleção privada








DATAS E LOCAIS ONDE ELVIS USOU ESTE TRAJE


 

Datas

26/01/1970


03/02/1970

20/02/1970

21/02/1970

27/02/1970

01/03/1970




LOCAIS DOS SHOWS


International Hotel


Houston Astrodome







CIDADES DOS SHOWS
 

Las Vegas, Nevada

Houston, Texas






HORARIOS DOS SHOWS

Premiere

20h15

14h00



NUMERO DE PUBLICO EM TODAS AS APRESENTAÇOÉS


SHOWS EM LAS VEGAS

2,200


SHOWS EM Houston

16,708

40,858




CINTOS USADOS POR ELVIS COM ESTE TRAJE

White Macramé






TRAJE USADOS PELOS MUSICOS DE ELVIS DURANTE AS APRESENTAÇOÉS

Black suits with white collars






FOTOS DOS SHOWS EM LAS VEGAS







 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FOTOS DOS SHOWS EM Houston























 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 CONTINUA,,,,,,,,



 








LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 5

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 5


Era 1 de março de 1960, a noite anterior à partida de Elvis para os Estados Unidos. Estávamos deitados em sua cama,abraçados, eu me encontrava num estado de absoluto desespero.

— Oh, Elvis, como eu gostaria que houvesse algum meio de você poder me levar junto! Não posso suportar a perspectiva de uma vida sem você! Eu o amo demais!

Comecei a chorar, a angústia predominando sobre o controle.

— Calma, Baby, calma — murmurou Elvis. — Tente se controlar. Não há nada que possamos fazer agora.

— Tenho medo que você possa me esquecer no instante em que desembarcar.

Ele sorriu e beijou-me, gentilmente.

— Não vou esquecer você. Cilla. Nunca me senti assim com qualquer outra garota. Amo você.

— É mesmo?

Eu estava atordoada. Elvis já dissera antes que eu era muito especial, mas nunca declarara que me amava. Eu queria desesperadamente acreditar nele, mas tinha medo de sair magoada. Lera algumas das cartas de Anita e estava convencida de que Elvis voltaria para os braços estendidos dela. Apertando-me, ele murmurou:

— Estou angustiado pelos sentimentos que tenho por você. Não sei o que fazer. Talvez a distância me ajude a compreender o que realmente sinto.

Naquela noite nosso amor assumiu uma súbita premência. Será que algum dia eu tornaria a vê-lo, ficaria em seus braços, como vinha acontecendo quase todas as noite, durante os últimos seis meses? Eu já sentia saudade de Elvis.

Não podia suportar o pensamento da noite terminar e nos despedirmos, do que eu pensava ser o nosso último encontro. Chorei e

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chorei, até que meu corpo estava todo dolorido, de tanta angústia. Pela última vez, supliquei-lhe que consumasse o nosso amor. Teria sido fácil para ele. Eu era jovem, vulnerável, estava perdidamente apaixonada, Elvis poderia se aproveitar ao máximo. Mas ele disse, suavemente:

— Não. Algum dia chegaremos a isso, Priscilla, mas não agora. Você ainda é muito jovem.

Passei a noite inteira acordada e na manhã seguinte, bem cedo, estava de volta ao prédio na Goethestrasse, 14, perdida no meio de uma multidão, comprimida na sala de estar, esperando para se despedir de Elvis, que estava lá em cima, acabando de arrumar as malas. Saber que eu seria a única pessoa que o acompanharia ao aeroporto me proporcionava algum consolo.

Ao descer, Elvis riu e gracejou porque todos estavam ali. Finalmente, depois de se despedir de todos, Elvis virou-se para mim e disse:

— Muito bem, menina, está na hora de irmos.

Acenei com a cabeça, desesperada, saí atrás dele. Indiferente à chuva miúda, centenas de fãs esperavam na rua. Ao verem Elvis, as pessoas pareceram enlouquecer, suplicando por autógrafos. Ele atendeu algumas e depois embarcou no carro à espera, puxando-me para o seu lado. Assim que a porta bateu, o motorista deu a partida e seguimos em alta velocidade para o aeroporto.

Permanecemos em silêncio por um longo tempo, ambos imersos nos próprios pensamentos. Elvis olhava pela janela, franzindo o rosto para a chuva.

— Sei que não será fácil para você voltar a ser apenas uma colegial, depois de passar tanto tempo comigo, Cilla,mas tem de fazer isso. Não quero que fique sentada a se lastimar depois que eu for embora, Honey. Fiz menção de protestar, mas ele me silenciou com um gesto e acrescentou:

— Procure se divertir e me escreva sempre que tiver uma oportunidade. Ficarei aguardando as suas cartas com a maior ansiedade. Arrume um papel de carta rosa. E mande as cartas para Joe. Saberei assim que são suas.

Quero que me prometa que continuará como é. Permaneça intacta, como a deixei.


ELVIS E EU


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— Prometo.

— Olharei para você do alto da escada. Não quero ver uma cara triste. Dê-me um sorriso para eu levar na viagem.

Depois, entregando-me seu blusão de combate e as divisas de sargento que ganhara antes da baixa, Elvis arrematou:

— Quero que fique com isto. Serve para mostrar que você me pertence.

E ele me abraçou firmemente. Ao nos aproximarmos do aeroporto, os gritos da multidão à espera foram se tornando mais altos. Chegamos o mais perto possível da pista. Elvis virou-se para mim e murmurou:

— Chegou a hora, Baby.

Saímos do carro, sob o espocar dos flashes dos fotógrafos, as perguntas dos repórteres e os gritos das fãs que nos cercavam. Elvis pegou-me pela não e fomos andando para a pista, até que o guarda, que ali estava para escoltá-lo ao avião, impediu-me de seguir adiante. Elvis deu-me um último abraço e sussurrou:

— Não se preocupe, querida. Prometo que telefonarei para você assim que chegar em casa.

Balancei a cabeça, mas fomos separados pala multidão frenética antes que eu pudesse responder. Fui empurrada por centenas de fãs,se cutucando e acotovelando. Gritei "Elvis!", mas ele não ouviu.

Elvis subiu correndo os degraus da escada de embarque. Lá em cima, virou-se e acenou para a multidão, esquadrinhando-a à minha procura. Acenei freneticamente, como centenas de outras fãs. Ele conseguiu me localizar e nossos olhos se encontraram por um instante. E, depois, ele desapareceu.

Meus pais foram ao aeroporto para me levar de carro de volta a Wiesbaden. Permaneci em silêncio durante a longa viagem.


ELVIS E EU



CONTINUA,,,,,,,,,


 
 




sábado, 1 de abril de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 4

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continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 4



À medida que as semanas passaram, a escola foi se tornando cada vez mais insuportável. Indo dormir tão tarde, era difícil levantar às sete horas e quase impossível me concentrar. Mas eu sabia que se me queixasse ou me atrasasse para a escola meus pais aproveitariam o fato para suspender as visitas a Elvis.

Meu aproveitamento escolar foi ficando cada vez pior. Seria reprovada em álgebra e alemão, mal conseguiria passar em história e inglês. Ao final do semestre do outono, alterei o boletim de D-menos para B-mais, torcendo para que meu pai nunca entrasse em contato com a escola.Insistia em dizer a mim mesma que ia melhorar,que recuperaria tudo; mas minha concentração total era em Elvis.

Uma noite, quando fui visitá-lo,peguei no sono enquanto esperava que ele terminasse a aula de caratê. Quando desceu e constatou como eu estava exausta, Elvis perguntou:

— Quantas horas você está dormindo, Priscilla?

Depois de um momento de hesitação, respondi:

— Cerca de quatro ou cinco horas por noite. Mas estou bem. Uma pausa e apressei-me em acrescentar: — Estou apenas um pouco cansada esta noite porque tivemos hoje algumas provas na escola.

Elvis assumiu uma expressão pensativa.

— Vamos subir, Honey. Tenho uma coisa para você.

Ele levou-me a seu quarto e pôs na palma de minha mão um punhado de pílulas brancas.

— Quero que tome isto. Vai ajudá-la a ficar acordada durante o dia. Mas só tome uma pílula, quando se sentir sonolenta, não mais do que uma ou sairá plantando bananeira pelo corredor.

— O que é isto?

— Não precisa saber o que é. Eles nos dão essas pílulas quando saímos para manobras. Se eu não tomasse, não conseguiria agüentar o dia



ELVIS E EU

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inteiro. Não tem problema. As pílulas são seguras. Guarde-as e não conte a ninguém. Também não deve tomar todos os dias. Só quando precisar de um pouco mais de energia.

Elvis pensava sinceramente que estava me fazendo um favor ao me dar as pílulas e tenho certeza de que nunca lhe passou pela cabeça que poderiam ser prejudiciais a ele ou a mim.

Não tomei as pílulas. Guardei-as numa caixa com várias outras coisas que começara a colecionar, como piteiras de charuto e bilhetinhos pessoais que ele me enviava. Pus a caixa numa gaveta.
Mais tarde, descobri que as pílulas eram Dexedrine, que Elvis descobrira no exército.


Um sargento as dava a diversos soldados, a fim de que permanecessem acordados quando estavam de sentinela. Elvis, acostumado com a vida de artista e detestando se levantar ao amanhecer, começara a tomar as pílulas para agüentar as horas terríveis da vida militar. Ele me contou que começara a tomar pílulas para dormir pouco antes de ser convocado. Temia a insônia e receava o sonambulismo, que o atormentava periodicamente desde a infância.

Quando era pequeno, tivera um ataque de sonambulismo e uma noite saíra do apartamento só de cueca. Um vizinho o acordara e ele voltara correndo para o apartamento, embaraçado. Em outra ocasião quase caíra de uma janela. Por isso, para evitar acidentes, dormira com os pais até ficar crescido. Tinha medo de que o sonambulismo persistisse pelo resto de sua vida. Era um dos motivos pelos quais sempre queria ter alguém dormindo em sua companhia.

Anos mais tarde, eu soube que alguém fora contratado na Alemanha para vigiá-lo durante a noite inteira.

Já era o Natal de 1959 e eu não tinha a menor idéia do presente que daria a Elvis. Percorri as ruas apinhadas de Wiesbaden, olhando as vitrines, tentando encontrar alguma idéia. A escolha de presentes para a família sempre fora fácil, já que sabíamos exatamente o que cada um queria ou precisava; mais do que isso, muitas vezes fazíamos pessoalmente os presentes para os outros. Papai me deu 35 dólares para gastar num presente para Elvis e parecia uma quantia fabulosa quando saí de casa naquele dia


gelado. Perdi a ilusão quando encontrei uma linda caixa de charutos, feita a mão, com porcelana contornando um desenho decorativo. Elvis, um fumante de charutos, certamente haveria de adorar. Mas depois que a vendedora me disse o preço — 650 marcos alemães, o que dava 155 dólares — deixei a loja a condenar meu gosto dispendioso.

Estava nevando forte e me encaminhei apressada para outra loja, esta repleta de brinquedos atraentes, inclusive um trenzinho alemão que Elvis instalaria na sala de estar. Mas o trem custava dois mil marcos alemães.

Voltando para casa no escuro, à beira das lágrimas, deparei com uma loja de instrumentos musicais, com um par de bongôs, incrustados com latão faiscante, em exibição na vitrine. Custavam quarenta dólares, mas o vendedor teve pena de mim e aceitou 35 dólares. Seguindo para casa, fui assediada por mil e uma dúvidas, convencida de que os bongôs eram o menos romântico dos presentes.

Devo ter perguntado vinte vezes a Joe Esposito e Lamar Fike se achavam que era um bom presente.

— Claro que é-respondeu Joe. — Ele vai adorar qualquer coisa que você lhe der.

Mas eu ainda não estava convencida. Na noite em que trocamos presentes, Elvis saiu do quarto do pai e me levou para um canto da sala de estar, onde me entregou uma pequena caixa embrulhada em papel de presente, contendo um delicado relógio de ouro com um diamante na tampa e um anel de pérola, flanqueada por dois diamantes.

Eu nunca possuíra nada tão bonito e jamais um sorriso me deixara tão feliz quanto o de Elvis naquele momento.

— Vou adorar estes presentes pelo resto de minha vida — balbuciei. Elvis me pediu para pôr o relógio e o anel e me levou para a sala, mostrando a todo mundo. Esperei pelo máximo de tempo possível antes de dar meu presente a Elvis.

— Bongôs! — exclamou ele. — Mas era justamente o que eu estava querendo!

Elvis percebeu que eu não acreditava em suas palavras; ele era melhor em dar do que em receber. Mas insistiu:

— Charlie, eu não estava precisando de bongôs?
 

Chamando-me para sentar a seu lado ao piano, ele começou a tocar "I'Be Home for Christmas", com tanta emoção que não pude levantar o rosto, com receio de que ele visse que eu estava chorando. Quando não pude mais resistir, nossos olhos se encontraram e constatei que ele também reprimia as lágrimas.

Só muitos dias depois é que descobri um armário cheio de bongôs — os meus não estavam ali — no porão. O fato de que meus elefantes brancos não haviam sido consignados ao esquecimento do porão, mas estavam expostos em destaque ao lado de sua guitarra, fez com que eu o amasse ainda mais.

À medida que os dias passavam, comecei a temer o dia da partida de Elvis. Em janeiro ele já estava arrumando duas coisas e cada noite que eu passava em sua companhia tornava-se mais preciosa do que a anterior. E depois, quando o tempo ficou ainda mais frio, Elvis foi enviado para manobras no campo, por dez dias; se havia alguma coisa que ele detestava era dormir ao relento sobre um terreno congelado.

Na manhã seguinte começou a cair neve e de tarde já era uma nevasca intensa. Quando Michelle e eu voltávamos da escola, de carro com mamãe, resolvi ligar o rádio, bem a tempo de ouvir uma notícia de última hora:

— Desculpem a interrupção, mas acabamos de receber a informação de que o cabo Elvis Presley foi levado às pressas das manobras de campo para um hospital em Frankfurt, sofrendo de um ataque de amigdalite aguda. Se você está escutando, Elvis saiba que todos torcemos para sua pronta recuperação.

Frenética de preocupação, telefonei para o hospital, esperando saber mais sobre o seu estado. Para minha surpresa, a telefonista, assim que ouviu meu nome, transferiu a ligação para o seu quarto, explicando que o Cabo Presley deixara instruções expressas.

— Sou um homem doente, Honey — disse ele, a voz rouca. — Preciso de você ao meu lado. Se seus pais não se incomodarem, mandarei Lamar buscá-la imediatamente.

Claro que meus pais deram permissão para que eu fosse ao hospital. Uma hora depois entrei em seu quarto, no instante em que a enfermeira


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saía. Elvis estava sentado na cama, apoiado em travesseiros, um termômetro na boca, cercado por dezenas de buquês de flores.

Assim que a enfermeira se retirou, Elvis tirou o termômetro da boca, riscou um fósforo e com todo cuidado pôs a chama por baixo do termômetro. Depois, tornou a metê-lo na boca e arriou na cama, no instante em que a enfermeira voltava, trazendo mais flores, sorrindo afetuosamente para o paciente famoso, ela tirou o termômetro de sua boca e deixou escapar uma exclamação de espanto.

— Mas você está com 39 de febre! Está realmente doente, Elvis.

Acho que terá de permanecer no hospital pelo menos durante uma semana.

Elvis balançou a cabeça, sem dizer nada, enquanto a enfermeira afofava os travesseiros, enchia seu copo com água e depois saía do quarto. Só então é que ele desatou a rir, pulou da cama e me abraçou. Elvis tinha horror a manobras; como o tempo estava tão ruim e todos se preocupavam com sua voz, a solução que encontrara para o problema fora simular amigdalite. Já bastante suscetível a contrair resfriados, Elvis aprendera a dramatizar o problema, com a ajuda de um fósforo.
 

ELVIS E EU




CONTINUA,,,,,,,,,

sexta-feira, 31 de março de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 3

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continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 3


O tempo tornara-se meu inimigo. Elvis deveria voltar aos Estados Unidos a 1º de março de 1960. Só me restavam alguns meses para passar tanto tempo em sua companhia quando fosse possível.

Pensava nele em cada minuto em que não estava ao seu lado. Minha vida estava agora dominada por Elvis, mas apesar disso havia ocasiões em que ele me desapontava. Uma noite ele me disse que telefonaria e não o fez. No dia seguinte, ao me ligar, ele falou:

— Oi, Baby. Acha que pode vir esta noite?

— O que aconteceu ontem à noite? Você ficou de telefonar.

— É mesmo? Oh, merda!

Ele estava concentrado em sua aula de caratê e esquecera por completo. Tive de aprender a não considerar sua palavra como infalível. Era desapontador, mas esse era o seu jeito. Elvis geralmente ligava depois das sete e avisava que seu pai viria me buscar por volta das oito horas. Eu tinha de me vestir depressa, tentando encontrar algum meio de parecer mais velha.

Seu pai estava preocupado com o fato de ele namorar uma menor. minhas roupas eram bem jovens, saias e blusas sem qualquer sofisticação. Havia ocasiões em que eu pegava roupas de minha mãe emprestadas, torcendo para que todos presumissem que tinha pelo menos dezesseis anos de idade.

À medida que passei a conhecer Elvis melhor, constatei que ele vivia praticamente como um recluso quando não estava na base. Não tinha muita alternativa. No instante em que saía de casa, era imediatamente cercado por uma multidão. A simples ida a um cinema local exigia um planejamento meticuloso. Alguém levava o carro para a frente da casa. Elvis saía correndo, pulava a cerca e entrava no carro antes que as fãs começassem a suplicar autógrafos. Havia sempre multidões a persegui-lo, telefonando,

 
cercando a casa, atacando-o literalmente quando aparecia em qualquer lugar público.

Muitas noites, quando Elvis entrava de serviço muito cedo na manhã seguinte, quem me levava para casa, na Goethestrasse, 14, era Lamar Fike, um amigo que ele trouxera dos Estados Unidos, ou Vernon Presley. Uma noite, quando nem Lamar nem Vernon podiam me levar em casa, Elvis pediu a um "amigo" chamado Kurt (não é o seu verdadeiro nome) que cuidasse disso.

Kurt concordou, pegou o carro e deixou a casa de Elvis, a caminho de Wiesbaden. Eu estava muito cansada e comecei a cochilar. Subitamente, o carro começou a avançar aos solavancos. Abri os olhos.

— O que ouve? — indaguei.

— Você já vai descobrir — respondeu Kurt, virando a cabeça.

Deixáramos a rodovia e estávamos numa estradinha de terra. Eu podia divisar as luzes de uma casa distante, mas todo o resto se encontrava mergulhado na total escuridão. Fiquei assustada.

— Qual é o problema? — balbuciei, confusa.

Kurt parou o carro e desligou o motor. Repeti a pergunta, mas ele não respondeu. Virou-se e me agarrou, tentando me beijar.

Repeli-o, lutando. Ele me forçou para baixo, no banco. Em pânico, supliquei:

— Não! Deixei-me em paz!

Passei a me debater freneticamente. Abri a porta do meu lado com o pé, estendi a mão e abri a outra também, ao mesmo tempo em que tocava a buzina, acendia os faróis e arranhava seu rosto.

Por frustração e medo de ser apanhado em flagrante, Kurt acabou desistindo. Ele não disse nada pelo resto do percurso até minha casa. Fiquei chorando, incrédula, rezando para chegar em casa sã e salva.

Três dias passaram antes que eu tornasse a ter notícias de Elvis. Meus pais sabiam que alguma coisa estava errada; contudo, eu não podia lhes contar que Kurt tentara me violentar, pois então nunca me permitiriam sair outra vez com ele. E se isso acontecesse, como eu poderia visitar Elvis quando Vernon e Lamar não estivessem disponíveis? Minha imaginação estava desenfreada. Tinha receio de contar a Elvis, Porque achava que Kurt

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ELVIS E EU


era seu amigo. Comecei a pesar que talvez Elvis soubesse o que Kurt fizera. Talvez eu fosse apenas uma mera diversão para Elvis, alguém que ele podia passar para Kurt ou qualquer outro que me desejasse. Sentia-me torturada pelos pensamentos.

Finalmente Kurt ligou e disse que Elvis queria me ver. Eu não tinha alternativa que não acompanhá-lo. Durante a viagem para Bad Neuheim Kurt não fez qualquer menção ao incidente e eu também não falei nada. Fiquei calada. Estava apreensiva por me encontrar em sua companhia. Não sabia, quando ele tirava a mão do volante, se ia tentar me agarrar ou qualquer outra coisa. Não tinha a menor idéia do que se passava em sua cabeça. E cheguei à conclusão de que precisava contar a Elvis.

Naquela noite, quando estávamos a sós em seu quarto, Elvis me perguntou se havia algo errado. Minha voz tremia, mal consegui falar. Depois que contei tudo, Elvis ficou transtornado e gritou:

— Vou matá-lo!

Ele ficou andando de um lado para outro do quarto, xingando Kurt. Eu era sua garota, disse Elvis, mas ele nunca fora até o fim. E de repente aparecia um cara que se dizia seu amigo e tentava me violentar. Escutei em silêncio enquanto ele esbravejava, secretamente aliviada por sua reação. Como pudera duvidar de Elvis?

Elvis estava tão furioso que levei a noite inteira para acalmá-lo. Ao final, convenci-o de que devíamos esconder de meus pais a agressão de Kurt ou eu não teria mais permissão para voltar. Elvis me abraçou firmemente, como se quisesse assim eliminar a recordação angustiante. Ele sentia-se culpado por me levar a uma situação tão perigosa.

Desse momento em diante, Kurt foi virtualmente excluído da vida de Elvis. Não creio que Elvis tenha lhe explicado o motivo, mas Kurt deve ter compreendido. Quase não apareceu depois disso.

Comecei a entender que Elvis esperava lealdade absoluta dos amigos. Se era traído, cortava a pessoa de sua vida.

Vernon estava agora usando um bigode impecavelmente aparado; segundo Elvis, fora Dee Stanley quem o encorajara a isso. Nossas conversas no carro eram um tanto superficiais e sempre tive a impressão de que ele


preferia estar fazendo outra coisa, como passar o tempo com Dee, que às vezes o acompanhava.

Agora,quando eu chegava na Goethestrasse, 14, muitas vezes encontrava Elvis lá em cima, estudando a arte antiga do caratê com seu instrutor. Em outras ocasiões ele estava na sala de estar a demonstrar orgulhoso para o seu círculo os novos movimentos que aprendera, todos admirando a sua maestria naquela forma de arte marcial recentemente popularizada.

Elvis também passava horas com um massagista alemão meio louco que o convencera que podia rejuvenescer a pele do rosto com seu tratamento secreto. Ele sempre se sentia constrangido com alguns poros grandes em seu rosto. Joe Esposito sempre zombava de Elvis, alegando:

— O que ele está fazendo de tão especial? Você continua a parecer o mesmo para mim.

Elvis respondia, na defensiva:

— Ele diz que demora algum tempo antes dos resultados aparecerem. Vernon interferia:

— Mais algum tempo? Provavelmente para nos levar à falência pelo que ele está cobrando. Não confio nele.

Um permanente centro de atividade na casa era a avó de Elvis, a quem ele dera o apelido de Dodger. Acontecera quando Elvis era um garoto de cinco anos e num acesso de raiva jogara uma bola de beisebol em cima da avó, errando sua cabeça por poucos centímetros. Elvis comentava jovial:

— Ela se esquivou muito depressa.

A partir desse momento, ele passara a chamá-la de Dodger, a que se esquiva.

Vovó cuidava da casa, cozinhava, mantinha a tudo e a todos sob controle. Tinha o ar de uma pessoa com um propósito resoluto na vida, que no caso de Elvis era providenciar para que ele fosse bem cuidado. Quando eu queria um pouco de sossego, enquanto Elvis treinava caratê, no quarto de Dodger era o lugar para onde escapar. Ficávamos sentadas por horas a fio, ela me falava dos velhos tempos, sobre Gladys e seu profundo amor por Elvis, sobre a terrível luta que os Presley haviam travado pela


sobrevivência. Ela vivia com Vernon e Gladys desde o nascimento de Elvis, ajudando quando Gladys arrumava um emprego fora para ajudar no sustento da família. Uma mulher forte, Vovó agüentara firme quando o marido fora embora, deixando-a com cinco filhos. Queria que todos acreditassem que tinha um ressentimento contra J. D. Presley, mas Dodger tinha um coração que a tudo perdoava e tenho a impressão de que ainda gostava dele.

Ela ajudou a criar Elvis como se fosse seu próprio filho, mimando-o um pouco, como as avós costumam fazer. Sempre saía em sua defesa quando achava que Gladys estava sendo rigorosa demais. Dodger me contou um dia:

— Gladys sempre me chamou de Sra. Presley, desde o instante em que a conheci até o dia em que morreu. Uma ocasião Elvis veio correndo para mim e gritou "Oi, Minnie!" Senti muita pena do menino. Gladys levantou-se, deu-lhe uma palmada e disse: "Nunca mais a chame pelo primeiro nome. Isso é falta de respeito. Ela é sua avó. "Ele chorou durante um hora. Fui confortá-lo e expliquei: "Vai ficar tudo bem. Ela estava fazendo o que acha certo. E agora vá pedir desculpa a sua mãe. "O pobre coitado fitou-me desesperado com aqueles olhos azuis. Gladys era às vezes muito dura com ele. Mas Elvis sempre foi um bom menino. Nunca se meteu em qualquer encrenca mais grave, sempre saía da escola e voltava direto para casa, cumpria suas obrigações. E Gladys o vigiava de perto, com medo de que ele fosse machucado. Elvis queria muito jogar futebol americano na escola.

Vovó balançava para frente e para trás em sua cadeira, contemplando alguma coisa no passado que a fazia começar a tirar grampos dos cabelos. Ela pegou sua caixinha de rapé, aspirou um pouco e depois continuou nas reminiscências:

— É verdade, ele adorava esportes.

— Então por que ele não praticava nenhum, Vovó?

— Gladys não permitia. Ela me dizia: "Eu não suportaria se Elvis se machucasse, Sra. Presley. Isso me mataria. Já observei como eles jogam naqueles campos. São brutos demais. Acho que gostam de machucarem uns


aos outros. Elvis não é assim. Ficaria como um pássaro ferido no meio de lobos. Não posso deixar que isso aconteça com meu garoto."

Fui informada de que o esforço constante de Gladys para proteger Elvis era o resultado de sua angústia pela morte do irmão gêmeo de Elvis Jesse Garon. Aprendi a amar Dodger e o que ela representava — compaixão e devoção total à família.

Meu maior problema naquela época era o fato de que Elvis e eu parecíamos nunca ter tempo suficiente a sós. Havia sempre muitas pessoas aparecendo, instalando-se na sala de estar, conversando e rindo, até que Elvis descia de seu quarto. Assim que ele surgia, todos na sala ficavam em silêncio, esperando que revelasse seu ânimo. Ninguém, inclusive eu, se atrevia a gracejar, enquanto ele não risse... e então todos riam.

Como tinha de partilhar meu pouco tempo em companhia de Elvis com tantas pessoas, comecei a me sentir ciumenta e possessiva. Só quando íamos para o seu quarto é que eu me sentia realmente feliz. Tínhamos um ritual noturno. Por volta das dez ou onze horas, Elvis olhava para mim e depois para a escada. Ingenuamente, presumindo que ninguém sabia para onde me encaminhava, eu subia para o seu quarto e deitava na cama, esperando impaciente por sua chegada. Elvis deitava ao meu lado, o mais junto que podia, sussurrando:

— Eu amo você... — Ele punha os dedos em meus lábios quando eu fazia menção de falar, — Não diga nada. Não compreendo muito bem o que estou sentindo, sei apenas que passei a amar você, Cilla. Papai está sempre me lembrando de sua idade e dizendo que não é possível... Quando eu voltar para casa... Só o tempo nos dirá o que vai acontecer. A cada noite que eu passava em sua companhia ele me confiava mais alguma coisa — suas dúvidas, segredos, frustrações. Era esperar demais que uma garota impressionável de quatorze anos compreendesse tudo, mas eu bem que me esforçava. Angustiava-me pela morte de sua mãe. Afligia-me pelo seu desejo de se tornar um grande ator, como seus ídolos Marlon Brando, James Dean, Karl Malden e Rod Steiger. Preocupava-me com seus temores de não recuperar a popularidade que achava que perdera ao servir o exército. E desatava a rir quando ele especulava:


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— E se algum dia eu terminasse como um motorista de caminhão? Não seria sensacional?

Havia ocasiões em que Elvis entrava em seu quarto na maior animação. Eu ansiava pelas noites em que ele apagava todas as luzes e se estendia ao meu lado.

— Você é linda, Honey — murmurava ele, abraçando-me.

E trocávamos beijos prolongados e ardentes. Suas carícias deixavam-me trêmula de desejo.

Nas noites em que estava calmo e descontraído ele me descrevia a sua mulher ideal e dizia como eu me ajustava com perfeição à imagem. Elvis gostava de morenas de olhos azuis, de fala suave. Queria me moldar às suas opiniões e preferências. Apesar de sua reputação de ser um rebelde, ele se apegava à visão tradicional dos relacionamentos. A mulher tinha o seu lugar e era o homem quem devia tomar a iniciativa.

A fidelidade era muito importante para ele, especialmente da parte da mulher. Elvis me lembrava constantemente que sua namorada tinha de ser absolutamente fiel. Admitia que estava preocupado com Anita. Ela era uma beldade de Menphis e personalidade da televisão. Elvis comentou que ultimamente as cartas de Anita haviam se tornado bastante impessoais e desconfiava que ele andava saindo com outro homem.

Apesar de suas pregações moralistas, eu temia que Elvis nem sempre me fosse fiel. Suas brincadeiras com algumas outras garotas que freqüentavam a casa me levavam a suspeitar que tinha alguma intimidade com elas.

Uma noite ele estava tocando piano para o grupo regular e mais uma dupla de garotas inglesas. Depois, pegou a guitarra e olhou ao redor, mas não encontrou a palheta. E indagou:

— Alguém viu a palheta da minha guitarra?

Uma das garotas inglesas sorriu-lhe.

— Esta lá em cima, na mesinha-de-cabeceira, em seu quarto. Vou buscar.

Todos os olhos, inclusive os meus, fixaram-se na garota, enquanto ela subia a escada, consciente de que era agora o centro das atenções. Furiosa por sua traição óbvia, virei-me para Elvis, mas ele evitou meu



olhar, concentrando-se na guitarra, como se precisasse afiná-la, dedilhando as notas de leve. E um momento depois pôs-se a tocar "Lawdy, Miss Clawdy".

Sem a palheta, seus dedos deviam doer bastante, mas não importava; ele não largaria aquela guitarra. Sabia que estava metido numa encrenca. Depois de apresentar algumas canções, Elvis pediu licença e retirou-se para a cozinha. Fui atrás dele.

— Você esteve no quarto com ela? — perguntei.

— Não

— Então como ela soube onde estava a palheta e qual era o quarto?

— Ela passou pela porta uma noite e comentei que o quarto estava muito sujo e desarrumado — respondeu Elvis, com um sorriso infantil. — A garota se ofereceu então para arrumar. Foi só isso.

Apesar de sua declaração de inocência, eu não me senti tranqüilizada. Ele era ídolo sexual de milhões de mulheres e podia escolher quem quisesse, sempre que quisesse. Aprendi rapidamente, para a minha própria sobrevivência, a não fazer perguntas demais.



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quinta-feira, 30 de março de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 2

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CONTINUAÇÃO DO LIVRO Elvis e EU  Elvis And Me   CAPITULO 2



Esperava nunca mais ter notícias dele. Poucos dias depois, no entanto, o telefone tocou. Era Currie. Disse que acabara de receber um telefonema de Elvis, querendo saber se ele poderia me levar de novo à sua casa naquela noite. Fiquei extasiada.

— Está falando sério, Currie? Ele quer mesmo me ver? Por quê? quando ele ligou?

Incapaz de responder a todas as minhas perguntas ansiosas, Currrie limitou-se a dizer calmamente:

— Você quer que eu fale com seu pai?

Meus pais se mostraram tão surpresos quanto eu. Relutantes, aceitaram o pedido de Currie.

A visita foi muito parecida com a anterior — uma conversa descontraída, Elvis tocando piano e cantando,todos comendo os pratos prediletos da avó. Mas tarde, porém, depois que terminou de cantar, Elvis me procurou e disse: — Quero ficar a sós com você, Priscilla. Estávamos frente a frente, fitando-nos olhos. Dei uma olhada ao redor. Não havia mais ninguém por ali.

— Estamos a sós — murmurei, nervosamente.

Ele chegou mais perto, encostando-me na parede, sussurrando:

— "Realmente" a sós. Não quer subir para o meu quarto?

O convite me deixou em pânico. "O quarto"? Até aquele momento não me passara pela cabeça que Elvis Presley pudesse estar interessado em mim sexualmente. Ele podia ter qualquer mulher do mundo. Por que haveria de me querer?

— Não precisa ficar com medo, meu bem.

Enquanto falava, ele me alisava os cabelos.

— Juro que não farei nada para prejudicá-la. — Ele parecia absolutamente sincero. — Vou tratá-la como uma irmã.

Afogueada e confusa, desviei os olhos.

— Por favor...



Parada ali, fitando-o nos olhos eu me sentia atraída, quase contra a minha vontade. Acreditava nele; não era difícil acreditar. Descobrira àquela altura que suas intenções eram afetuosas e sinceras. Os momentos passavam e eu ainda não era capaz de fazer coisa alguma. Mas acabei acenando com a cabeça e murmurei:

— Esta bem.

Ele pegou-me a mão e levou-me para a escada, murmurando qual era o seu quarto e acrescentando:

— Vá na frente e eu irei ao seu encontro dentro de alguns minutos. Será melhor assim.

Elvis encaminhou-se para a cozinha, enquanto eu subia a escada, lentamente, especulando: O que ele exigiria de mim? O que esperava? Ficarei completamente a sós com ele pela primeira vez, desde que o conheci, tenho sonhado com este momento, convencida de que nunca chegaria. Agora, estou no meio de uma realidade que jamais pensei que pudesse acontecer.

Cheguei ao segundo andar e encontrei seu quarto. Era tão simples e impessoal quanto os outros cômodos da casa. Entrei e sentei empertigada numa cadeira de encosto reto... e fiquei esperando. Como Elvis ainda não tivesse aparecido, depois de alguns minutos, comecei a olhar ao redor. Era um quarto comum, sem nada excepcional, certamente não havia nada que indicasse ser o quarto de um famoso cantor de rock. Havia livros, uma coleção de discos, uniformes e botas. Havia também muitas cartas de garotas dos Estados Unidos na mesinha-de-cabeceira. Muitas eram de alguém chamada Anita. Elvis raramente mencionava Anita, mas todos sabiam que ele tinha uma namorada em casa. Senti vontade de ler as cartas, mas fiquei com medo de que ele me surpreendesse.

Mais vinte minutos transcorrera antes que Elvis finalmente aparecesse. Ele entrou e tirou o casaco, ligou o rádio e sentou na cama. Eu mal olhava para ele, apavorada. Imaginava-o a me agarrar, jogar na cama, fazer amor. Em vez disso, falou suavemente:

— Por que vem sentar ao meu lado? — Relutei, mas ele se apressou em garantir que eu nada tinha a temer. — Juro que gosto de você, Priscilla,


é uma presença revigorante. E é muito bom conversar com uma garota americana. Sinto falta disso. Fico meio solitário aqui.

Sentei ao seu lado, sem dizer nada, mas comovida com seu ar vulnerável, um pouco infantil. Elvis disse que nosso relacionamento seria muito importante para ele e que precisava de mim. Era o mês de outubro e ele deveria retornar aos Estados Unidos dentro de seis meses. Conhecia muitas garotas e não eram poucas as que vinham visitá-lo, como eu estava fazendo, mas nunca sentira uma intimidade genuína com qualquer outra, como acontecia agora.

Aninhei-me em seus braços, certa de que ele não se mostraria precipitado. Elvis abraçou-me, murmurando:

— Gostaria que mamãe estivesse aqui para conhecer você. — Ele suspirou e uma expressão transtornada surgiu em seu rosto. — Ela gostaria de você tanto quanto eu gosto.

— Eu também gostaria de conhecê-la — sussurrei, comovida com sua sinceridade.

Eu saberia depois que a mãe de Elvis, Gladys, era o grande amor de sua vida. Ela morrera a 14 de agosto de 1958, aos 42 anos de idade, de insuficiência cardíaca, depois de um longo padecimento com hepatite aguda.

Elvis comentou como a amava profundamente e sentia sua falta, como temia voltar a Graceland sabendo que não iria encontrá-la ali. Fora o seu presente para a mãe, uma propriedade que comprara por cem mil dólares, um ano antes de sua morte.

Elvis estava convencido de que a mãe renunciara a continuar a viver. Sua saúde começara a se deteriorar quando ele fora convocado. O amor que tinha por Vernon e Elvis era tão grande que nunca poderia suportar a perda de qualquer dos dois e muitas vezes comentara que queria ser a primeira a morrer. Para Gladys, ingênua, a Alemanha ainda representava a guerra e o perigo. Nunca fora capaz de compreender que agora prevaleciam condições de paz.

Ele tinha o hábito de ligar para Gladys todos os dias. Fiquei surpresa ao saber que ele nunca passara uma noite fora de casa até o momento em que começara a se apresentar em shows. Ele me contou sobre a ocasião em


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que seu carro pegara fogo na estrada e mal conseguira escapar com vida. Embora estivesse a quilômetros de distância, Gladys sentara na cama abruptamente e gritara seu nome, o que demonstrava como era forte o vínculo intuitivo entre os dois. Sua preocupação com o bem-estar do filho era tão grande que passava as noites sem dormir, quando ele se encontrava em excursão, até que recebia seu telefonema, dizendo que estava bem. Quando fazia o treinamento básico, no Forte Hood, Texas, Elvis alugara uma casa perto da base para Vernon, Gladys e a avó. Senti que a morte da mãe afetara mais que qualquer pessoa poderia compreender plenamente. Ele se culpava por não estar a seu lado quando ela caíra doente e fora enviada para a casa em Menphis, sob cuidados médicos.

Ele descobrira que Gladys andava bebendo para se consolar e receava que isso pudesse se tornar um problema grave. Por mais que a consolasse e garantisse que voltaria para sua companhia dentro de dezoito meses, até mesmo suplicasse que o acompanhasse, o medo de Gladys de perder o filho único a levara à sepultura. A depressão profunda de Elvis pela morte de Gladys fora agravada por seu conflito mental em relação a Dee Stanley, a quem Vernon conhecera na Alemanha. Dee e seu pai haviam se tornado inseparáveis pouco depois da morte de Gladys, cedo demais para o gosto de Elvis. Uma loura atraente, na casa dos trinta anos, Dee estava se divorciando do marido, separada dele e de seus três filhos quando começara a se encontrar com Vernon. A possibilidade do pai sequer conceber em substituir Gladys deixava Elvis transtornado. Ele também tinha dúvidas sobre as intenções de Dee e se eram no melhor interesse de seu pai.

— O que Dee está tentando fazer? — Elvis indagava às vezes, desconfiado. — Transformá-lo no dândi que ele não é? Por que não pode aceitá-lo como ele é? Nunca o vi tão apaixonado. Eles se encontraram num restaurante e trocam bilhetes amorosos durante o dia inteiro.

Meu coração se confrangeu por Elvis naquela noite, enquanto ele confidenciava seus problemas e preocupações. Era um artista de fama internacional, um grande astro, mas apesar disso continuava a ser um homem profundamente solitário.

 
Outra vez a visita pareceu terminar cedo demais. Elvis me deu um beijo de despedida, meu primeiro beijo de verdade. Eu jamais experimentara uma mistura tão intensa de afeição e desejo. Fiquei atordoada, mas presa à realidade em que me encontrava-nos braços de Elvis, minha boca contra a sua. Consciente da minha reação-e da minha juventude — ele tomou a iniciativa de romper o abraço, dizendo:

— Temos muito tempo, menina.

E ele me deu um beijo na testa, despachou-me para casa. Na altura de nosso quarto encontro, papai decidiu.

— Se você quer continuar a se encontrar com Elvis, nós temos de conhecê-lo.

Meus pais estavam tão fascinados pela celebridade de Elvis que se mostravam dispostos a abrir mão de seus princípios. No começo, era conveniente que Currie fosse me buscar e levar em casa, mas agora meus pais indagavam por que Elvis não fazia isso pessoalmente. Acabei dizendo a Elvis, numa noite de sábado:

— Meus pais querem conhecer você. Querem que vá me buscar em casa.

Ele ficou irritado.

— O que isso significa?

— Significa que não posso mais vê-lo se não for me buscar e conhecer meus pais — expliquei, muito nervosa.

Ele concordou... desde que pudesse levar seu pai junto. No dia marcado cumpri a minha rotina habitual, só que em vez de uma hora fiquei pronta duas horas antes. Fiquei parada ao lado da janela, à espera de seu carro, enquanto tocava seus discos, "Old Shep", "I Was the One" e "I Want You, I Need You, I Love You", até que papai gritou da cozinha:

— Tem que tocar esses discos agora? Afinal, o homem estará aqui dentro de poucos minutos e você o verá praticamente durante a noite inteira.

Era de se imaginar que quisessem algum descanso um do outro. Eu estava nervosa. Sabia que papai queria que Elvis fosse me buscar e me levar em casa... e tencionava dizer-lhe isso. Não sabia como papai pretendia


abordá-lo, se planejava se mostrar cordial ou firme... e sabia muito bem como papai podia ser firme e áspero. Esperava pelo pior.

Cerca de uma hora depois o BMW parou diante da casa e Elvis e o pai saltaram. Elvis viera devidamente preparado; usava o seu uniforme a fim de impressionar papai. Sabia que o serviço militar era a ligação entre os dois e tencionava tirar o máximo proveito.

Estava com uma aparência sensacional. Ele tirou o quepe e beijou-me no rosto. Convidei-o e ao pai a entrarem e levei-os para a sala de estar, onde Elvis ficou se mexendo, inquieto, parecendo que não sabia o que dizer, pela primeira vez. Acabou indagando:

— Seus pais estão em casa? — Só pude acenar com a cabeça afirmativamente e ele acrescentou: — Sei que estamos um pouco atrasados, mas eu tinha que ma aprontar direito... e tivemos alguma dificuldade para descobrir o lugar.

Achei engraçado... imagine só, Elvis Presley se desculpando! Já conhecia bastante bem os seus hábitos àquela altura para saber que ele precisava de pelo menos três horas para trocar de roupa, conversar com os amigos, desfrutar uma das vastas refeições da avó e dar alguns autógrafos ao sair. A não ser quando estava trabalhando, ele não se preocupava com horários. Enquanto Vernon se acomodava no sofá, Elvis apontou para os retratos da família na parede e disse:

— Dê uma olhada, papai... aqui está Priscilla com toda a família. Acho que ela parece com a mãe. Não vejo muita semelhança com os irmãos e a irmã... mas também eles ainda são muito pequenos. Não corte os cabelos, Baby. Adoro quando estão compridos assim. Você é uma garota muito bonita. Como é que fui esbarrar com você? Deve ter sido obra do destino. Os últimos comentários foram pronunciados num sussurro, enquanto meus pais entravam na sala. Em vez de dizer "Oi", como faria a maioria dos jovens, Elvis estendeu a mão e disse:

— Como têm passado? Sou Elvis Presley e este é meu pai, Vernon. Parecia-me um absurdo, meus pais sabiam perfeitamente quem ele era, assim como o mundo inteiro. Mas Elvis era o cavalheiro em pessoa. Papai ficou visivelmente impressionado e daquele momento em diante Elvis sempre o tratou de Capitão Beaulieu ou Senhor. Era uma característica de


 
Elvis. Qualquer que fosse a posição de uma pessoa na vida — se médico ou advogado, professor ou diretor de cinema ele raramente a tratava pelo primeiro nome, mesmo quando a conhecia há anos, a não ser que pertencesse a seu círculo íntimo. Ele me explicou um dia:

— É muito simples. As pessoas se esforçaram para chegar onde estão. Os outros devem respeitá-las.

A conversa com meus pais naquela noite foi irrelevante. Elvis comentou que tivera um dia movimentado na "Kaserne", o que levou a uma conversa sobre o serviço militar.

— Para que serviço foi destacado aqui? — perguntou papai, insinuando que era melhor ser algo objetivo, se Elvis queria sair com sua filha.

— Neste momento, senhor, sou basicamente um motorista de jipe da Quarta Blindada, estacionada em Bad Neuheim.

— Pode ser um trabalho difícil nesta época do ano.

— E é mesmo, senhor. Temos algumas noites muito frias. Preciso tomar bastante cuidado. Pego uma amigdalite quando minha resistência diminui, o que não é bom para minha voz.

— Acho que está ansioso em voltar para casa.

— Tem toda razão, senhor. Agora, só faltam cinco meses para concluir o serviço.

Elvis perguntou a meus pais se estavam gostando da Alemanha.

— E muito — respondeu papai. — Planejamos ficar por três anos. Houve um súbito silêncio. Papai convidou os dois para jantar, mas Elvis disse que não tinham tempo. Eu me mantinha em silêncio, observando a apreensão de Elvis e lembrando sua descontração que o tornava cativante. Mamãe estava revisando seu julgamento sobre aquele astro do rock, por quem declarara antes sentir a maior aversão. Percebi que o charme sulista de Elvis a estava conquistando.

Papai explicou finalmente as regras dos Beaulieu. Se queria me ver, Elvis tinha de ir me buscar e levar em casa. Elvis explicou que a noite acabaria num instante se saísse do quartel, fosse para casa, tomasse um banho e trocasse de roupa, viesse a Wiesbanden e voltasse. Haveria algum

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problema se o pai dele viesse me buscar? Papai pensou a respeito por um momento e depois manifestou sua preocupação:

— Quais são realmente as suas intenções? Vamos ser francos. Você é Elvis Presley, tem todas as mulheres do mundo a seus pés. Por que esse interesse por minha filha?

Tanto Elvis como Vernon foram apanhados desprevenidos. Vernon remexeu-se na cadeira, provavelmente pensando: Muito bem, Elvis, quero ver como você vai se sair dessa.

— Acontece, senhor, que gosto muito de sua filha — Respondeu Elvis. — Ela é bastante madura para as garotas da mesma idade e gosto de sua companhia. Não tem sido fácil para mim, longe de casa e tudo mais. Sinto-me um pouco solitário. Acho que se pode dizer que preciso de alguém com quem conversar. Não se preocupe com Priscilla, Capitão. Cuidarei muito bem dela.

A sinceridade de Elvis desarmou papai e encantou mamãe. Juntei-me a Elvis quando ele se levantou, pegou o quepe e disse:

— E agora temos de ir, senhor. É um longo percurso.

Foi imposta uma condição; Elvis deveria me trazer pessoalmente. Ele concordou, garantindo outra vez que eu seria muito bem cuidada, havia uma porção de pessoas de sua família na casa. Poderia ter escarnecido do pedido de papai, mas aceitou a condição de me levar em casa todas as noites. Fiquei emocionada, mas contive o excitamento. Elvis queria mesmo a minha companhia.

Na noite seguinte,quando me levou para casa,Elvis parou o carro diante do prédio. Contou-me tudo o que tinha no coração, como continuaria a fazer pelo resto de nossa permanência na Alemanha. Sentia-se solitário. Não sabia como seria recebido pelos fãs ao voltar aos Estados Unidos. Estava no auge da fama quando ingressara no exército. Gravara dezessete discos que haviam vendido mais de um milhão de cópias e estrelara quatro filmes, todos se tornando sucessos de bilheteria. Ao ser convocado, aventara-se a possibilidade de ele ir para os Serviços Especiais, em que poderia cantar e manter algum contato com o público. Mas o Coronel Parker, seu agente, e a RCA estavam convencidos de que ele deveria servir


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o país como um soldado comum, argumentando que o público respeitaria Elvis como um homem se ele tornasse um simples soldado raso. Agora, Elvis estava com receio de ter perdido o apoio dos fãs.

Enquanto estávamos parados ali, uma das "Fräuleins" que moravam na pensão passou pelo carro. Ela cumprimentou-me e no instante seguinte, ao olhar para Elvis, escancarou a boca, numa expressão de incredulidade.


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