Elvis 1956


terça-feira, 9 de maio de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 31

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 31


Quando senti o bebê mexer pela primeira vez compreendi a alegria intensa de carregar nosso filho. Meu sorriso voltou quando Elvis pôs a mão em minha barriga um pouco estufada e murmurou:

— Como pode uma criatura tão pequena como você gerar outra criaturinha?

A gravidez estava nos unindo ainda mais. Ele telefonava do estúdio todos os dias, apenas para dizer olá e saber se eu estava bem. Foi por causa do bebê que decidimos comprar nossa primeira casa em Los Angeles, ao invés de alugar, como sempre fizéramos antes. Enquanto ele filmava, eu percorria a área de Beverly Hills-Ber Air, à procura de uma casa conveniente.

Mas tarde, naquele outono, quando estávamos no Arizona para as filmagens em locação de Stay Away, Joe, encontrei em Variety o anúncio de uma casa que parecia perfeita: em Trousdale Estates, completamente mobiliada, três quartos, um chalé para hóspedes, piscina e uma boa segurança.

Voei de volta a Los Angeles. A casa pertencia a um eminente proprietário de terras que se divorciara recentemente. Com um bar embutido, móveis antigos e uma coleção de obras de arte, era muito diferente de Rocca Place, onde cada quarto era decorado de acordo com as especificações de cada empregado — um tapete diferente, uma cor diferente, um estilo diferente em cada quarto. Infelizmente, eu tentara satisfazer aos gostos de todos e o resultado fora a indigestão arquitetônica.

Desta vez, poderia viver da maneira como gostava. Mudamos para a casa nova assim que Elvis voltou do Arizona e começamos a arrumar o quarto do bebê. Eu só pensava como era feliz, como a vida era maravilhosa. Como não podia deixar de ser, recebi muitos conselhos sobre o que deveria e o que não deveria fazer durante a gravidez. Dominada pelas superstições


sulistas, Vovó foi especialmente solícita, dizendo-me que não podia escovar os cabelos para não enrolar o cordão umbilical em torno do bebê. Também disse que eu não deveria ficar de pé por muito tempo ou minhas pernas inchariam e nunca mais conseguiria andar.

Ela estava tão preocupada quanto uma mãe afetuosa e algumas de minhas atividades lhe davam plenos motivos para isso. Eu continuava com as aulas de balé, andava de motocicleta e montava Dominó, até o oitavo mês de gravidez. Elvis achava que eu era extraordinária por acompanhá-lo em tudo. Isso me fazia feliz. Eu o agradava e me mantinha a seu lado todos os dias.

Foi nessa ocasião que comecei a ouvir rumores sobre Elvis e Nancy Sinatra, os mesmos rumores que ouvira quando ainda evitava na Alemanha: que ela estava apaixonada por Elvis, que os dois mantinham um romance. Eu andava extremamente sensível e chorava por qualquer coisa. Elvis garantiu-me que eu estava apenas sendo supersensível por causa da gravidez, Nancy me telefonou e disse que gostaria de me oferecer um chá de bebê. Eu não a conhecia muito bem e estranhei que se mostrasse tão gentil, mas Elvis assegurou-me que ela era uma pessoa ótima e que eu devia conhecê-la melhor. Ficou combinado que eu iria à festa com uma condição, sugerida pelo Coronel: todas as fotografias tiradas na ocasião deveriam me ser entregues. Assim, não haveria fotos inesperadas saindo nas revistas. Tudo correu muito bem. Nancy foi muito simpática e me deu todo apoio.

Descobri que gostava muito dela e decidi ignorar os rumores. A vida dá voltas surpreendentes. No instante em que a pessoa está se tornando confiante, acontece o inesperado. Eu estava no segundo andar de Graceland quando Elvis me chamou a seu escritório, que ficava ao lado de meu quarto de vestir.

— Cilla, tenho pensado muito. As coisas não estão indo muito bem. Seria melhor se nós dois tirássemos umas pequenas férias, como uma separação experimental. Vamos ficar longe um do outro por algum tempo. Senti vontade de morrer. Estava com sete meses de gravidez e não podia acreditar no que acabara de ouvir. Só podia ser uma brincadeira.

— Mas o que aconteceu? O que foi que eu fiz?




ELVIS E EU

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— Você não fez nada, Baby. Não pode compreender. O problema não é você.

Acontece apenas que estou passando por um momento difícil. Acho que seria melhor se tirássemos uma folga. Fitei-o em silêncio, sentindo uma nova força. Se ele me excluía numa ocasião como aquela, então absolutamente não me merecia. Levantei-me e disse:

— Está certo. Basta me avisar quando devo partir.

Fui para o meu quarto de vestir e fechei a porta. Estava atordoada. Aquele não era o homem que eu conhecia. Afastei-me instintivamente, a afeição entorpecida, os pensamentos desconfiados, o coração angustiado. Não creio que Elvis tencionasse realmente me deixar. Não era o seu estilo. Mas tarde, compreendi que ele também tinha dúvida sobre a maneira como um bebê afetaria nossas vidas. Seu público o aceitaria como pai? Ele nem mesmo tinha certeza se as fãs haviam aceitado o fato de ele se tornar um marido. Até que ponto continuariam leais?

Não demorou muito para que a natureza sensível de Elvis o levasse a recuperar o bom senso. Dois dias passaram. A idéia de uma separação experimental não voltou a ser mencionada. Ambos nos comportávamos como se nada a respeito fosse dito. Era em ocasiões assim que eu gostaria que nós dois tivéssemos a capacidade de nos comunicar um com o outro realmente, confrontando nossas inseguranças, medos e frustrações, em vez de pretender que os sentimentos não existissem. Provavelmente ficaríamos surpresos ao descobrir como éramos capazes de uma profunda compreensão. Não pude escapar ao impacto que suas palavras tiveram em mim, deixando-me com um sentimento de dúvida.

Enquanto minha gravidez prosseguia, ainda nos empenhávamos em brincadeiras duras. Fomos para o rancho naquele Natal, passeando a cavalo, promovendo batalhas de bolas de neve e saindo em excursões em carroças cheias de feno. Elvis sentava lá na frente e gritava para mim:

— Como está indo, Cilla? Tudo bem aí atrás? Minha garota está direitinho?

Eu gritava em resposta:




— Sua garota vai muito bem. Eu estou ótima.

Se saíamos a cavalo, ele sempre me perguntava:

— Tem certeza de que pode fazer isso? O médico disse que podia andar a cavalo?

— Claro que posso.

Eu estava determinada a não pedir um tratamento especial. Foi somente no último mês, mais ou menos, que reduzi minhas atividades. Em vez de passar a noite inteira sentado, assistindo dois ou três filmes, Elvis me levava para casa depois de ver apenas um.

Ele arrumou sua programação a fim de poder permanecer em Graceland comigo durante o último mês. A fim de estarmos completamente preparados para o grande dia, chegamos a realizar exercícios de prática para a viagem até o Hospital Memorial Batista. À medida que a data se aproximava, Elvis foi se tornando mais e mais nervoso.

No dia primeiro de fevereiro de 1968 acordei por volta das oito horas e descobri que os lençóis por baixo de meu corpo estavam encharcados. Assustada, liguei para mamãe, em Nova Jérsei. Ela sugeriu que eu telefonasse imediatamente para o médico. Ele mandou que eu fosse para o hospital. Gentilmente, acordei Elvis e informei-o que o grande dia chegara. Grogue de sono, ele indagou se eu tinha mesmo certeza. Quando confirmei, ele ligou para o pai e disse-lhe que avisasse a todos, depois gritou lá para baixo:

— Ela está pronta! Cilla vai ter o bebê!

Ignorando seu frenesi, fui calmamente para o banheiro, passei maquilagem no rosto, ajeitei meus cabelos pretos. Mas tarde, no hospital, solicitei uma permissão especial para ficar com os cílios postiços. Havia um verdadeiro pandemônio no primeiro andar de Graceland. Conforme o planejado, os carros-chamarizes partiram primeiro, Lamar e Joe acenando freneticamente para que as fãs os seguissem. Depois, nós saímos.

Apesar de todos os ensaios, porém, seguimos diretamente para o hospital errado. Trocáramos o hospital, mas obviamente Jerry, que estava ao volante, não fora informado. Charlie Hodge consertou a situação, convencendo Jerry de que era o Memorial Batista e não o Metodista.
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Felizmente, chegamos a tempo. Nossa filha, Lisa Marie, nasceu às 5:01 horas daquela tarde.

A enfermeira levou-a ao quarto e aninhei-a em meus braços. Não podia acreditar que era minha, que eu gerara aquela criança. Ela era tão pequena, tão linda... Elvis entrou no quarto e beijou-me, emocionado porque tínhamos um bebê absolutamente normal e saudável. Já estava apaixonado pela filha. Observou-me a aninhá-la e seus olhos ficaram marejados de lágrimas de felicidade. Depois, ele abraçou a nós duas, murmurando:

— Temos uma garotinha...

— Uma garotinha linda — acrescentei.

Perguntei-lhe se queria segurar a filha no colo. A princípio ele ficou apavorado, mas depois começou a tocá-la. Brincou com suas mãos, seus pés. Estava reverente, sussurrando:

— Não posso acreditar que fiz parte dessa criança linda...

Elvis sabia que eu quisera que o bebê tivesse cabelos escuros como os seus e a criança nascera com cabelos pretos. E ele comentou:

— Ela é perfeita... até mesmo a cor de seus cabelos é a certa. Ficamos abraçados por muito tempo, acariciando nossa filha e um ao outro, um jovem casal partilhando os prazeres da prole.

O homem, que esteve no quarto de hospital naquele dia foi o homem que eu amava e sempre amarei. Ele não precisava tentar se mostrar forte, determinado ou sensual, não tinha medo de exibir seu afeto e vulnerabilidade. Não precisava se comportar como Elvis Presley, superastro. Era apenas um homem, meu marido.




ELVIS E EU






CONTINUA,,,,,,,,,
 
 


 


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