Elvis 1956


sábado, 6 de maio de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 26

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 26


Uma noite, pouco antes do natal de 1966, Elvis bateu de leve na minha porta e disse :

— Sattnin, preciso falar com você.

Tínhamos uma senha. Provocante, eu lhe disse que teria de pronunciá-la antes que eu o deixasse entrar. Ele riu e disse "Olhos de Fogo" — o apelido que eu lhe dava quando estava furioso.

Elvis estava com seu sorriso infantil e as mãos nas costas.

— Sente-se e feche os olhos Sattnin.

Obedeci. Quando abri os olhos, deparei com Elvis ajoelhado à minha frente, estendendo uma caixinha de veludo preto.

— Sattnin... — murmurou ele.

Abri a caixa para descobrir o mais lindo anel de diamante que já vira. Era de três e meio quilates, cercado por diamantes menores, destacáveis — Eu poderia usá-los separadamente.

— Vamos casar — anunciou Elvis. — Você vai ser minha. Eu lhe disse que saberia quando o momento chegasse. Pois o momento chegou.

Ele enfiou o anel em meu dedo. Eu estava emocionada de mais para falar; foi o momento mais lindo e romântico da minha vida. Nosso amor não seria mais um segredo. Eu poderia viajar abertamente como a Sra. Elvis Presley, sem receio de inspirar alguma manchete escandalosa. E o melhor de tudo, os anos de angústias e medos de perdê-lo para uma das muitas mulheres que disputavam o meu lugar estavam terminados.

Elvis estava ansioso em mostrar o anel ao seu pai e a Vovó, informando-os que estávamos oficialmente noivos. Nem mesmo tive a chance de me vestir. Levando em consideração nosso estilo de vida irregular, ficar noiva no meu quarto de vestir e mostrar o lindo anel de diamante num roupão, não parecia absolutamente estranho.


Eu queria partilhar a grande notícia com meus pais, mas Elvis sugeriu que esperássemos até a nossa volta para Los Angeles, poucas semanas depois. Poderíamos então anunciar pessoalmente; eles mereciam essa consideração. Naquela noite ligamos para meus pais e os convidamos para passar um fim de semana conosco em Bel Air.

Elvis estava mais nervoso do que em qualquer outra ocasião anterior no dia em que eles deveriam chegar. Olhava a todo instante pela janela, à espera do carro. Estava ansioso em lhes mostrar o anel e quase o fez no instante mesmo em que passaram pela porta, mas eu consegui manter a mão nas costas até que todos sentamos. Estendi então a mão e disse:

— Só queríamos mostrar isso a vocês.

— E o que isso significa? — Perguntou papai, olhando para minha mão.

— É um anel de noivado, senhor — informou Elvis.

As lágrimas afloraram aos olhos de mamãe.

— Oh, Deus, é lindo! — murmurou ela.

Os dois estavam extasiados. Adoramos informá-los que finalmente ocorria o que esperavam há tanto tempo e pelo que muito haviam rezado. Ressaltamos a importância de manter o noivado em segredo, pedindo que mantivessem um sigilo absoluto, mesmo para a família, já que os garotos poderiam comentar na escola e a notícia se espalharia depressa. Queríamos um casamento íntimo, não um evento de celebridade. Meus pais concordaram com todos os planos. Não podiam estar mais felizes e durante todo o fim de semana, se mostraram radiantes de prazer.

Durante os cinco anos que eu vivia com Elvis raramente lhes permitira discutir o meu casamento. A possibilidade da família ser magoada era a preocupação maior de meus pais. Agora, não tinham mais de se preocupar se haviam tomado a decisão acertada ao deixarem que a filha tão jovem saísse de casa. Sei que o Coronel Parker pedira a Elvis que analisasse o nosso relacionamento e decidisse o que julgava melhor. A atitude de Elvis em relação ao casamento era que se tratava de algo definitivo. Embora ele fosse monógamo por natureza, adorava as opções.


ELVIS E EU

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Apesar disso, não estava disposto a me largar. Curiosamente, depois da conversa com o Coronel Parker, Elvis não levou muito tempo para chegar à conclusão de que era o momento certo. A decisão foi sua e somente sua.

Em meio ao maior excitamento, fizemos o resto dos planos para a cerimônia de casamento. A primeira sugestão foi de que eu providenciasse o vestido imediatamente; se a notícia vazasse, poderíamos casar de um momento para outro. Mas minha busca por um vestido de noiva acabou se prolongando por meses. Disfarçada por óculos e um chapéu, visitei todas as butiques exclusivas de Menphis a Los Angeles; apesar do disfarce, era paranóica bastante para pensar que todos me reconheciam. Cheguei a conversar com diversas costureiras sobre modelos, mas não confiava o bastante nelas para dizer que seria para um vestido de noiva. Finalmente alguém indicou uma loja pouco conhecida de Los Angeles. Charlie acompanhou-me, apresentando-se como meu noivo. Foi ali que encontrei meu vestido de noiva. Não era extravagante, nada tinha de excepcional — era simples e para mim maravilhoso.

Saí da cabine para mostrá-lo a Charlie. Ao meu ver, Charlie ficou com os olhos cheios de lágrimas e murmurou:

— Você esta linda, Beau. Ele vai ficar muito orgulhoso.

Era o mês de fevereiro, depois de nosso noivado. Estávamos passando de carro perto de Horn Lake, Mississipi, quando avistamos um lindo rancho — 160 acres de colinas ondulantes. Um rebanho de gado Santa Gertrudes pastava. Havia uma ponte sobre um pequeno lago, um estábulo com baias para cavalos e uma casa encantadora, numa posição privilegiada. Estava à venda.

Era a casa dos meus sonhos. Apaixonei-me no mesmo instante e comecei a imaginar Elvis e Eu vivendo ali sozinhos. Era bastante pequena para eu poder cuidar pessoalmente. Faria toda limpeza e tomaria conta de Elvis, levando seu desjejum na cama de manhã, enquanto ele contemplava Rising Sun pastando numa colina.


Pensei naquele rancho como um meio maravilhoso de escaparmos de Graceland de vez em quando. Imaginei nós dois a selarmos nossos cavalos, partindo a galope, de manhã bem cedo ou ao entardecer. As imagens eram apenas de nós dois, sem o séquito.

Estávamos decididos a comprar o rancho, sem prever o fardo excessivo que se tornaria. Elvis queria o lugar tanto quanto eu, embora Vernon alegasse que meio milhão de dólares era um preço absurdo. Ele achava que o proprietário poderia se contentar com menos e tentou nos persuadir que financeiramente não era um bom negócio. Os filmes de Elvis continuavam a perder popularidade e as vendas de seus discos ainda estavam caindo. Ele ganhava em média um milhão de dólares por filme e o dinheiro saía tão depressa quanto entrava. Contudo, Elvis tomara sua decisão. Queria o rancho de qualquer maneira.

Com a maior relutância, Vernon foi ao banco para tomar o dinheiro emprestado, oferecendo Graceland como garantia. Compramos o rancho inteiro, inclusive o gado e equipamentos, batizamos o racho de Círculo G, por Graceland.

Tínhamos dezoito cavalos nessa ocasião e todos foram transferidos para o rancho, mas Elvis tinha idéias sobre a maneira como queria que todos nós vivêssemos. Como a casa do rancho era pequena, ele comprou trailers e distribuiu um para cada família. Vernon se esforçou com a maior diligência para obter permissão da prefeitura para fazer a ligação de água e gás no rancho.

— Faça qualquer coisa que seja necessária — autorizou-o Elvis.

Não demorou muito para que estivessem sendo despejados toneladas de cimento, que seriam as fundações de concreto dos trailers. Não parou por aí. Elvis comprou pickups El Caminos ou Rancheros para cada família, até mesmo uma para o bombeiro e outra para o pintor. Gastou pelo menos cem mil dólares só nos veículos.

Elvis continuou a gastar dinheiro a rodo. Alarmado, Vernon literalmente suplicou-lhe que parasse, mas Elvis disse:

— Estou me divertindo, papai, pela primeira vez em muito tempo.

Tenho um hobby, uma coisa pela qual me sinto satisfeito por acordar de manhã.


ELVIS E EU


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Era comum vê-lo circulando pela propriedade, batendo em portas, acordando todo mundo, indo verificar como estavam os cavalos ao amanhecer. Estava na maior animação e havia ocasiões em que nem mesmo queria fazer uma pausa para comer — andava com um pão debaixo do braço, a fim de aliviar as pontadas de fome que por acaso surgissem. Adorava fazer compras no porão da Sears, levando para o rancho e exibindo orgulhoso ferramentas, facas, lanternas e outros equipamentos. Naquela primavera de 1967 passamos muito tempo lá, às vezes ficando até por duas semanas, sem retornar a Graceland. Aos domingos fazíamos piqueniques e todas as mulheres levavam alguma comida simples, como galinha frita, biscoitos e saladas. Andávamos a cavalo, promovíamos concursos de tiro ao prato, vasculhávamos o lago à procura de tartarugas e cobras. Havia muita diversão, risos e uma grande camaradagem. Mas uma vez, nossa vida era coletiva, com todos participando.

Mesmo em minha pequena casa havia convidados para o jantar todas as noites, geralmente os solteiros, como Lamar e Charlie. Cozinhar para Elvis era fácil: bastava eu pegar qualquer coisa que tivéssemos para comer e deixar quase queimado. Mas havia tantos outros para alimentar que muitas vezes sua prima Patsy vinha me ajudar. Os casados jantavam em suas casas e depois vinham para a sobremesa, passando o resto da noite em nossa companhia.

Havia sempre muitas sessões musicais. Elvis, Lamar Fike e Charlie Hodge se reuniam no meio da sala e cantavam sua músicas prediletas. Quando estavam indo muito bem, Elvis gritava:

— Puxa, está é quente! Mais uma vez!

Às vezes ele passava uma hora repetindo um final, porque tinha o "pique ...os ingredientes de uma obra prima". Assim como o círculo íntimo nos seguiu até o rancho, o mesmo aconteceu com os curiosos. As pessoas que se reuniam em Graceland começaram a aparecer no Círculo G. Não demorou muito para quer dezenas de pessoas, dia e noite, se espalhassem ao longo da cerca. Como nossa casa ficava à plena vista da estrada, Elvis mandou erguer um muro de três metros de altura. Mas nada detinha as pessoas, que passaram a subir em carros e nos telhados das casas próximas.



Não podíamos escapar e tínhamos receio de sair pelo portão. O sonho estava pouco a pouco se transformando num pesadelo. As esposas queriam voltar para suas casas e as crianças queriam voltar para seus amigos e escolas.

Elvis gostava quando todos estavam juntos — em termos que somente ele especificava — e sentia-se contrariado quando queriam partir. — Comprei uma porção de coisas e agora todo mundo quer ir embora — queixou-se ele.

Ressentia-se com as deserções; dera tudo a seus empregados e parecia que eles não apreciavam. Elvis descobriu que alguns dos regulares estavam vendendo os veículos que lhes dera de presente. Precisavam mais de dinheiro do que de El Caminos. Elvis nunca foi capaz de conceder os problemas financeiros que a maioria das pessoas enfrenta e jamais compreendeu que os regulares casados tinham de levar em consideração suas responsabilidades com as esposas e filhos.

Apesar de tudo, porém, ele adorava dar e partilhar, embora sua conta bancária estivesse de maneira drástica. Um hobby dispendioso, o rancho já lhe custara quase um milhão de dólares, criando um problema sério de fluxo de caixa. Em telefonemas diários, Vernon suplicava ao Coronel que providenciasse algum trabalho, a fim de desviar Elvis de sua orgia de gastos. O Coronel logo arrumou outro filme, Clambake. Elvis leu o roteiro, mais uma história de praia e biquíne, e detestou, Vernon convenceu-o de que não tinha opção:

— Precisamos do dinheiro, filho.

E não havia mesmo alternativa. Mas Elvis ainda protestou:

— Não quero sair daqui, Cilla . Não quero deixar você, o rancho, Sun. Nenhum filho da puta vai me manter longe por muito tempo. Isso inclui papai, o Coronel, o estúdio... todo mundo. A conspiração para me impedir de gastar dinheiro não vai dar certo.

Se eu precisar de dinheiro, irei a Nashville e gravarei algumas canções. Será muito melhor do que fazer esses filmes nojentos. Nem Elvis nem Vernon jamais consideraram a possibilidade de transformar o Círculo G numa operação lucrativa. Todos os elementos para um negócio bem-sucedido estavam ali — tratores, pastagens e o melhor gado Santa



Gertrudes, criado no Rancho Rockefeller. Mas ele vendeu o gado, depois que Vernon advertiu-o de que a manutenção era muito cara. Com alguma assessoria financeira profissional, Elvis poderia realizar negócios legítimos, que seriam benéficos a ele e seu hobby.

Infelizmente, Vernon e Elvis eram desconfiados demais em negócios que exigiam assessoria financeira. Vernon operava por puro instinto, recusando qualquer sugestão de aproveitar benefícios fiscais, algo que considerava complicado demais para sequer considerar. Deixava que a Receita Federal calculasse os impostos de Elvis e assim agia desde que houve um levantamento meticuloso quando Elvis estava no exército, calculando-se que ele devia oitenta mil dólares em impostos atrasados. O próprio Elvis recomendava:

— Vamos pagar os impostos que eles estão cobrando, papai. Ganho bastante dinheiro. Farei um milhão de dólares e entregarei a metade. Foi durante a filmagem de Clambake que expirou o contrato de locação da casa de Perugia Way, em Los Angeles. Tínhamos de procurar uma nova casa. Depois da experiência no Círculo G, estávamos preocupados em proteger nossa privacidade. Descobrimos uma casa isolada, aninhada numa colina em Bel Air, pensamos que finalmente encontráramos um santuário. Mas ali também não teríamos privacidade.

Não demorou muito para que centenas de pessoas começassem a subir para a estrada por cima da casa, observando tudo lá embaixo, através de binóculos e teleobjetivas. Não podíamos mais usar a piscina, o pátio ou o jardim sem posar para uma audiência enorme, inclusive repórteres e fotógrafos, que passavam o dia lá em cima à espera de fotos reveladoras ou furos.

A situação escapava ao controle de vez em quando. Uma noite, quando Elvis fora a Mout Washington para conversar com Daya Mata, saí para uma visita a Joan Esposito. Notei um carro com os faróis altos me seguindo. Era uma das fãs mais ardorosas de Elvis, uma mulher de quase cem quilos, acompanhada por outra e por um homem. Sentindo-me insegura, resolvi voltar para casa. Ela continuou a me seguir. Ao passar pelo portão, eu estava furiosa.



ELVIS E EU


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Observando-a subir para a estrada sem saída por cima da casa, fui em seu encalço e parei o carro atravessado, bloqueando-a. A mulher estava de pé ao lado do carro quando saltei e perguntei:

— O que está fazendo aqui? Por que está me seguindo? — Ela permaneceu em silêncio e insisti:

— Por que está me seguindo?

— Sua puta! — gritou ela.

Enfurecida, cerrei o punho e acertei um soco em sua cara. Ela caiu no chão, atordoada. Pulei em cima dela e nós duas nos engalfinhamos, berrando e puxando os cabelos uma da outra. Compreendi que precisava de ajuda. Voltei correndo ao portão da casa e gritei pelo interfone:

— Alguém... Sonny, Jerry... venha me ajudar!

Poucos segundos depois Elvis saiu correndo da casa, acompanhado pelos rapazes.

— O que foi, Baby?

Quando expliquei o que acontecera, apontando para o local, Elvis saiu em disparada. Vendo-o se aproximar, a garota e seus amigos se trancaram no carro. Elvis estava furioso, começou a balançar o carro nas molas. Socou o pára-brisa, ameaçando matar todo mundo se encostassem a mão em mim de novo.

— Eu sou menor! Eu sou menor! — gritava a garota. — Vou processá-lo se tocar em mim!

Foi preciso muita persuasão de Sonny de que ela poderia acarretar mais problema do que valia a pena para que Elvis a deixasse ir embora.



ELVIS E EU




CONTINUA,,,,,,,,,,
 
 
 

 





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