Elvis 1956


terça-feira, 25 de abril de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 20

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 20



Eu estava agora vivendo com Elvis há dois anos e viajando em sua companhia regularmente. Meus pais, de volta da Alemanha, estavam agora morando temporariamente com meu Tio Ray, em Conecticut, antes de irem para a base Travis, da Força Aérea, perto de Sacramento. Eu estava ansiosa em vê-los, mas detestava a idéia de deixar Graceland. Além daqueles portões, o cordão estava cortado.

Tinha medo de que o momento em que eu saísse do mundo de Elvis seria o instante que outra poderia aproveitar para entrar. Mas eu precisava ver meus pais. Sentia muitas saudades. Sabia muito bem que minha aparência — um vestido bem justo, saltos altos, maquilagem intensa e os cabelos pintados de preto, empilhados no alto da cabeça num penteado que parecia uma colméia — não lhes arrancaria uma reação das mais satisfeitas, mas estava decidida a não alterar nada do estilo que Elvis criara com tanto esmero.

Voei para Connecticut e minhas expectativas estavam corretas. Meus pais ficaram tão chocados ao me verem que mal conseguiram falar. Mais tarde, papai me disse que por baixo de toda aquela maquilagem meus olhos pareciam "dois buracos escuros na neve".

O resto do fim de semana não trouxe qualquer melhoria na situação. Eu estava sendo franca sobre meu relacionamento e estilo de vida.

Querendo evitar perguntas constrangedoras sobre o meu futuro, passava a maior parte do tempo no quarto. Mas as perguntas vieram assim mesmo.

— Como é viver em Graceland?

— É verdade que Elvis nunca vai a parte alguma?

Eu achava que a sondagem era uma invasão da minha privacidade, de minha vida pessoal: por isso; dei respostas cautelosas. Meus pais não gostaram da minha atitude e posição defensiva. Estavam apenas



demonstrando um interesse natural por mim e uma preocupação com meu bem-estar quando perguntavam como eu me saíra na escola, as notas que tirara, se trouxera o boletim.

Também queriam saber se eu planejava cursar uma universidade. Embora meu único plano fosse o de acompanhar Elvis a qualquer lugar que ele fosse, respondi que tencionava me matricular. Tentei dizer-lhes o que desejavam ouvir e falar o mínimo possível, convencida de que me mandariam voltar para casa se declarasse alguma coisa errada.

Depois desse fim de semana, tentei evitar meus pais. Mas eles sabiam que eu ia me encontrar com Elvis quando ele filmava em Los Angeles e insistiram que fosse passar o fim de semana em sua nova casa, Sacramento. Isso criava um problema. Eu não podia admitir partilhar meu tempo com qualquer outra pessoa além de Elvis, especialmente os fins de semana, quando ele não trabalhava.

Mesmo assim, faria viagens ocasionais a sacramento; afinal, se não visitasse meus pais, eles viriam nos visitar. Eu sabia que Elvis era muito melindroso e nunca se tinha as menor idéia do que podia provocá-lo. Fiquei particularmente nervosa quando meus pais decidiram levar minha irmã e meus irmãos à Disneylândia pelo fim de semana...passando por Bel Air para nos visitar. Persuadi-os que Bel Air ficava muito fora de mão e que seria melhor eu ir encontrá-los na Disneylândia. Passei o fim de semana com eles, mas no domingo meus pais insistiram em me levar em casa. E é claro que eu tinha de convidá-los para o jantar.

Eles me deixaram em casa e seguiram para um hotel próximo, a fim de tomarem um banho e mudarem de roupa. Entrei correndo em casa, dominada pelo pânico, porque sabia que teria de lhes mostrar toda a casa. Não podia dizer a meus pais que dormia com Elvis e decidi tentar enganá-los, fazendo-os pensar que tinha um quarto só meu.

Perguntei a Charlie Hodge, um dos empregados, se podia me emprestar seu quarto. Subi correndo, fui pegar minhas coisas no quarto de Elvis e levei para o de Charlie. Espalhei os vidros de perfume, pendurei algumas roupas no armário, deixando estrategicamente a porta entreaberta, finalmente ajeitei na cama todos os cachorros e ursos de pelúcia que adorava colecionar.
 

ELVIS E EU


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Naquela noite, ao jantar, Elvis mostrou-se encantador e maravilhoso, mas eu me sentia apavorada demais para comer. Ficava angustiada sempre que Elvis e papai se reuniam, pois nunca sabia o que papai poderia lhe perguntar. Elvis costumava ficar bastante aborrecido porque as pessoas sempre se mostravam curiosas sobre os "regulares", indagando o que este ou aquele fazia, por que precisava de tanta gente. Quando eu exortava papai para ser menos curioso, isso só servia para torná-lo ainda mais curioso.

— Por que não posso fazer perguntas? — indagou ele. — O que há para esconder?

Depois do jantar, ofereci à minha família uma excursão pela casa. Tentei mostra-lhes o "meu" quarto de forma tão casual quanto fizera com os outros, comentando calmamente:

— Como podem ver, dá para o pátio. E agora vou mostrar o quarto de Elvis.

Abri a porta do quarto rezando para que ninguém quisesse ver os enormes closets, pois então todas as minhas coisas seriam reveladas. Descobri horrorizada que um dos meus sapatos ficara perto da cama. Consegui empurrá-lo com pé para longe das vistas. Por mais espantoso que possa parecer, a noite transcorreu sem qualquer contra tempo. Meus pais jamais questionaram a história do meu quarto, mas tenho certeza de que nunca acreditaram.

Naquela noite, ao dar uma olhada no quarto de Charlie, vendo todos os bichos na cama, Elvis desatou a rir. Continuei a resguardar meu estilo de vida. Estava sempre com medo de que meus pais investigassem muito atentamente meu relacionamento com Elvis. E como não podia deixar de acontecer, eles acabaram interrogado-me sobre o nosso futuro.

— Por quanto tempo mais vai continuar assim? Quais são as intenções de Elvis? Há planos para alguma coisa? Se não, por que você não faz as malas e volta para casa? Achamos que já está na hora.

Ouvir isso era meu maior temor. E disse a eles:

— Nosso relacionamento é maravilhoso; E tenho certeza de que tudo vai acabar bem.



ELVIS E EU

Eu lhes servi sorvete de baunilha com creme e uma cereja por cima... e, assim, tudo parecia promissor.


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CONTINUA,,,,,,,,


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