Elvis 1956


domingo, 26 de março de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 1

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amigos fãs de Elvis e seguidores do ELVIS THE MAN O BLOG DO REI DO ROCK

aqui damos inicio ao mais novo trabalho do blog a postagem completa do livro Elvis e Eu um dos livros mais lidos pelos Fãs do REI no brasil no livro Priscilla Presley que esteve casada com o astro de 1967 até 1973 revela detalhes de sua vida ao lado da personalidade mais famosa do planeta,, ELVIS AARON  PRESLEY



ELVIS E EU CAPITULO 1

Era 16 de agosto de 1977, um dia nublado e depressivo, que não era típico do sul da Califórnia. Quando saí de casa, havia uma quietude no ar, uma calma no estranha, que nunca mais experimentei desde então. Quase tornei a entrar, incapaz de reprimir a apreensão. Tinha uma reunião naquela manhã e por volta de meio-dia deveria me encontrar com minha irmã Michelle. A caminho de Hollywood, notei que a atmosfera não mudara. Parecia excepcionalmente silenciosa e depressiva, começara a chuviscar. Ao descer a Melrose Avenue, avistei Michelle parada na esquina, com uma expressão preocupada.

— Cilla, acabei de receber um telefonema de papai — disse ela, no instante em que parei o carro. — Joe vem tentando entrar em contato com você. É alguma coisa com Elvis no hospital.

Joe Esposito era o agente de shows e o braço direito de Elvis. Senti um choque. Se ele estava tentando entrar em contato comigo, então alguma coisa devia estar terrivelmente errada. Pedi a Michelle que pegasse seu carro e me seguisse até em casa. Fiz uma volta em U no meio da rua e voltei para casa a toda velocidade, como uma louca. Todas as possibilidades imagináveis afloraram em minha cabeça. Elvis passara o ano inteiro entrando e saindo do hospital; houvera ocasiões em que nem mesmo estava doente, apenas se internava para descansar, escapar das tensões ou por puro tédio. Nunca por qualquer motivo mais sério.

Pensei em nossa filha, Lisa, que estava visitando Elvis em Graceland e deveria voltar para casa naquele mesmo dia. Oh, Deus, orei, por favor, faça com que tudo esteja bem. Não deixe que nada aconteça, por favor.

Avancei todos os sinais vermelhos e quase bati em uma dúzia de carros. Finalmente cheguei em casa; enquanto entrava pelo caminho,



derrapando, podia ouvir o telefone tocando lá dentro. Por favor, não desligue, supliquei, saltando do carro e correndo para a porta.

— Já estou indo! — berrei. Tentei enfiar a chave na fechadura, mas a mão não parava de tremer. Acabei conseguindo entrar, peguei o fone e gritei:

— Alô? Alô?

Por um instante, escutei apenas o zumbido da ligação interurbana, logo seguida por uma voz débil e abalada:

— Cilla, sou eu, Joe.

— O que aconteceu, Joe?

— É Elvis.

— Oh, Deus, não diga nada!

— Ele está morto, Cilla.

— Não me diga isso, Joe! Pelo amor de Deus!

— Nós o perdemos.

— Não! Não!

Supliquei para que ele retirasse aquelas palavras, mas Joe permaneceu em silêncio. Só depois de algum tempo é que ele repetiu:

— Nós o perdemos...

Ele não pôde continuar e ambos começamos a chorar.

— Joe, onde está Lisa?

— Ela está bem. Ficou com a avó.

— Graças a Deus! Joe, mande um avião me buscar, por favor. O mais depressa possível. Quero ir para casa.

Enquanto eu desligava, Michelle e mamãe, que haviam acabado de chegar me abraçaram e ficamos chorando. Poucos minutos depois o telefone tornou a tocar. Por um instante, esperei por um milagre; estavam ligando para informar que ELVIS ainda estava vivo, que estava tudo bem, que tudo não passara de um pesadelo.

Mas os milagres não passara de um pesadelo.

Mas os milagres não existem e ouvi a voz de Lisa pelo telefone:

— Mamãe, mamãe! Alguma coisa aconteceu com papai!



— Sei disso, Baby — sussurrei. — Já estou indo para aí. Um avião vem me buscar.

— Todo mundo está chorando, mamãe.

Eu me senti impotente. O que podia dizer a ela? Não podia sequer encontrar palavras para confortar a mim mesma. Temi pelo que ela poderia estar ouvindo. Ainda não sabia que o pai morrera.

Só podia lhe dizer, várias vezes:

— Estarei aí o mais depressa possível. Procure ficar no quarto de vovó, longe de todo mundo.

Ao fundo, eu podia ouvir a voz trêmula de Vernon, em murmúrios de agonia:

— Meu filho se foi! Oh, Deus, perdi meu filho!

Felizmente a inocência de uma criança lhe proporciona uma proteção. A morte ainda não era uma realidade para Lisa. Ela disse que sairia para brincar com Laura, sua amiga.

Desliguei e comecei a andar de um lado para o outro, ainda atordoada pelo choque. A notícia logo chegou aos meios de comunicação. Meus telefones não paravam de tocar, com amigos tentando absorver o choque, pessoas da família querendo explicações e a imprensa exigindo declarações. Fui me trancar no quarto e deixei instruções que não queria falar com ninguém, queria permanecer sozinha.

Para dizer a verdade, eu queria morrer. O amor é muito enganador. Embora estivéssemos divorciados, Elvis ainda era uma parte essencial na minha vida. Durante os últimos anos nos tornáramos bons amigos, reconhecendo os erros cometidos no passado e começando a rir de nossas imperfeições. Agora, eu não era capaz de enfrentar a realidade de que nunca mais tornaria a vê-lo vivo.

Elvis sempre estivera ali, ao alcance. Contava com ele, assim como ele contava comigo. Tínhamos um vínculo profundo. Éramos mais íntimos agora, tínhamos mais compreensão e paciência um com o outro, do que durante a vida conjugal. Até falávamos em algum dia... E agora ele estava morto.

Lembrei de nossa última conversa pelo telefone, apenas poucos dias antes. Seu ânimo era o melhor possível e me falou da excursão que o

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ELVIS E EU


coronel, como sempre, espalhara seus cartazes pela primeira cidade do itinerário e que seus discos estavam sendo tocados constantemente, no preparativo para o espetáculo.

— O velho Coronel não é de brincadeira — comentara Elvis.

— Percorremos um longo caminho, mas ele continua a usar a mesma tática antiga. É de admirar que as pessoas ainda estejam comprando.

Eu adorava ouvir Elvis rir, algo que acontecia cada vez menos.

Poucos dias antes desse último telefonema, eu soubera que ele andava deprimido e estava pensando em romper com Ginger Alden, sua namorada. Eu o conhecia bastante bem para saber que não seria uma iniciativa fácil para ele. E se soubesse que aquela seria a última vez que conversaria com ele, eu lhe diria muito mais coisas... as coisas que sempre quisera dizer e nunca o fizera, as coisas que reprimira por muitos anos, porque nunca aparecia a ocasião oportuna.

Elvis fora parte de minha vida por dezoito anos. Quando nos conhecêramos, eu acabara de completar quatorze anos. Os primeiros seis meses que passei em sua companhia foram repletos de ternura e afeição. Ofuscada pelo amor, eu não percebia nenhum dos seus defeitos ou fraquezas. Ele se tornaria a paixão de minha vida.

Elvis ensinou-me tudo: como me vestir, como andar, como aplicar maquilagem e arrumar os cabelos, como me comportar, como retribuir o amor... à sua maneira. Ao longo dos anos, ele se tornou meu pai, marido e quase Deus. Agora ele estava morto e eu me sentia mais sozinha e com mais medo do que qualquer outra ocasião de minha vida.

As horas foram se arrastando lentamente até a chegada do avião particular de Elvis, o "Lisa Marie". Por trás de portas fechadas, fiquei sentada, esperando, lembrando nossa vida em comum — a alegria, a angústia, a tristeza e os triunfos — desde a primeira vez em que ouvi o seu nome.

Era o ano de 1956. Eu morava com minha família na Base Bergstrom, da força Aérea, em Austim, Texas, onde meu pai, então Capitão Joseph Paul Beaulieu, um oficial de carreira estava estacionado. Ele chegou tarde para o jantar e me entregou um disco.



— Não sei de nada sobre esse tal de Elvis, mas deve ser muito especial — comentou ele. — Entrei na fila com metade da Força Aérea para comprar esse disco no reembolsável. Todo mundo está querendo.

Pus o disco na vitrola e ouvi a música de rock de "Blue Suede Shoes". O disco chamava-se Elvis Presley. Era o seu primeiro lançamento.

Como quase todos os jovens dos Estados Unidos, eu gostava de Elvis, embora não com o fanatismo de muitas de minhas amigas na Escola Secundária Del Valley. Todas tinham camisas de Elvis, chapéus de Elvis e meias soquetes de Elvis, além de batons em cores como "Hound Dog Orange" e Heartbreak Pink". Elvis estava em toda parte, nas figurinhas de goma de mascar e em bermudas, em diários e carteiras, em fotografias que brilhavam no escuro. Os garotos na escola começavam a tentar parecer com ele, com os cabelos penteados trás, com muita gomalina, costeletas compridas e golas levantadas.

Havia uma garota tão louca por Elvis que dirigia o seu fã clube local. Ela disse que eu poderia ingressar por 25 cents, o preço de um livro que encomendara para mim pelo reembolso postal. Ao recebê-lo, fiquei chocada ao deparar com uma fotografia de Elvis autografando os seios de duas garotas, um ato sem precedentes na ocasião.

E depois o vi na televisão, no Stage Show, de Jimmye Tommy Dorsey. Ele era sensual e bonito, olhos profundos e meditativos, lábios espichados, sorriso insinuante.

Ele avançou para o microfone, abriu as pernas, inclinou-se para trás e dedilhou a guitarra. Pôs-se a cantar com extrema confiança, remexendo o corpo numa sensualidade desenfreada. Contra a vontade, eu me senti atraída.

Algumas pessoas na audiência adulta não se mostraram muito entusiasmadas. Não demorou muito para que suas apresentações fossem rotuladas de obscena. Minha mãe declarou de forma taxativa que ele era "uma péssima influência sobre as adolescentes". E acrescentou:

— Ele desperta coisas nas moças que deveriam ficar adormecidas. Se houvesse uma marcha das mães contra Elvis Presley, eu estaria na primeira fila.



Mas eu ouvira dizer que Elvis, apesar de sua extravagância e sensualidade no palco, tivera uma rigorosa educação cristã do sul.

Era um garoto do interior que não fumava nem bebia, que amava e honrava os pais e que tratava todos os adultos como "senhor" ou "senhora".

Eu era uma típica filha de oficial da Força Aérea, uma garota bonita e tímida, que jamais se acostumara a mudar de uma base para outra a cada dois ou três anos. Aos onze anos de idade eu já vivera em seis cidades diferentes; com receio de não ser aceita, permanecia retraída ou esperava que alguém tomasse a iniciativa de fazer amizade. Descobria ser especialmente difícil ingressar numa escola no meio do ano, quando os grupos já estavam formados e os novos alunos eram considerados forasteiros.

Uma garota pequena, de cabelos castanhos compridos, olhos azuis e nariz arrebitado, eu era sempre observada pelas colegas. A princípio, as garotas me encaravam como uma rival, receando que eu pudesse tomar seus namorados. Eu tinha a impressão de que me sentia mais à vontade com os rapazes... e geralmente eles se mostravam mais amistosos.

As pessoas sempre diziam que eu era a mais bonita da escola, mas nunca me senti assim. Era magra, quase esquelética; e mesmo que fosse tão atraente quanto diziam, queria ter algo mais que apenas boa aparência. Só com minha família é que eu me sentia totalmente amada e protegida. Afetivos e solidários eles me proporcionavam estabilidade.

Modelo fotográfico antes do casamento, minha mãe se devotava inteiramente à família. Como a mais velha, era minha responsabilidade ajudá-la com os menores. Depois de mim, havia Don, quatro anos mais moço, e Michelle, minha única irmã que era cinco anos mais moça do que Dom. Jeff e os gêmeos, Tim e Tom, ainda não haviam nascido.

Minha mãe era inibida demais para falar sobre as coisas da vida e por isso recebi toda a educação sexual na escola, no sexto ano.

Alguns garotos estavam circulando um livro que parecia a Bíblia por fora, mas quando se abria o que se encontrava eram ilustrações de homens fazendo amor com mulheres e homens fazendo amor entre si.


Meu corpo estava mudando e se agitando com novas sensações. Eu recebia olhares constantes dos rapazes na escola e houve uma ocasião em que uma fotografia minha, numa suéter justa de gola rolê, foi roubada do quadro de avisos da escola. Contudo, eu ainda era uma criança, embaraçada por minha sexualidade. Fantasiava interminavelmente sobre o beijo de língua, mas quando a turma brincava de girar a garrafa eu levava meia hora para permitir que algum rapaz me beijasse de lábios fechados.

Meu pai, forte e bonito, era o centro de nosso mundo. Um homem muito esforçado e determinado, formara-se em Administração de Empresas pela Universidade do Texas. Em casa, mantinha tudo sobre controle. Acreditava firmemente na disciplina e responsabilidade e tínhamos conflitos freqüentes. Quando me tornei animadora de torcida, aos treze anos, não era fácil convencê-lo a me deixar ir aos jogos em outras cidades. Havia ocasiões em que não havia choro, súplicas ou apelos a minha mãe que pudessem fazê-lo mudar de idéia. Quando ele tomava uma decisão, era ponto final.

Eu conseguia envolvê-lo de vez em quando. Quando ele não deu permissão para que eu usasse uma saia justa, ingressei nas bandeirantes, a fim de poder vestir seu uniforme bem justo.

Meus pais eram sobreviventes. Muitas vezes se debatiam com dificuldades financeiras, mas os filhos eram os últimos a sentir.

Quando eu era pequena, minha mãe costurava lindas toalhas de mesa para cobrir os engradados de laranjas que usávamos como mesinhas. Em vez de ficar sem, procurávamos tirar o melhor proveito do que tínhamos.

O jantar era sempre uma atividade de grupo: mamãe cozinhava, um de nós punha a mesa e o resto cuidava da limpeza. Ninguém ficava sem fazer nada, mas éramos sempre solidários uns com os outros. Eu me sentia afortunada por ter uma família tão unida.

Eu me sentia fascinada ao folhear velhos álbuns de fotografias, mostrando meus pais quando eram jovens. Sentia a maior curiosidade pelo passado. A Segunda Guerra Mundial me intrigava, especialmente porque papai lutara com os fuzileiros em Okinawa.

Ele parecia muito bonito de uniforme — dava para se perceber que estava posando para mamãe — mas de certa forma o sorriso dava a
 

impressão de estar deslocado, ainda mais quando se sabia o lugar em que se encontrava. Quando eu lia o bilhete no verso da foto, sobre o quanto ele sentia saudade de mamãe, meus olhos sempre se enchiam de lágrimas.

Vasculhando os guardados da família, deparei com uma pequena caixa de madeira. Lá dentro havia uma bandeira americana, meticulosamente dobrada, do tipo que eu sabia ser dado às viúvas de militares mortos em serviço. Havia também uma fotografia de mamãe enlaçando um estranho, com um bebê em seu colo. No verso, estava inscrito: "Mamãe, Papai e Priscilla". Eu descobrira uma família secreta.

Sentindo-me traída, fui correndo para telefonar para minha mãe, que se encontrava numa festa nas proximidades. Poucos minutos depois estava chorando, enquanto ela me acalmava e explicava que eu tinha seis meses de idade quando meu verdadeiro pai, Tenente James Wagner, um lindo piloto da marinha, morrera num acidente de avião, ao voltar para casa em licença. Dois anos e meio depois ela casara com Paul Beaulieu, que me adotara e sempre me amara como se eu fosse sua própria filha.

Mamãe sugeriu que eu não revelasse a descoberta a meus irmãos. Achava que poderia ser um risco para a intimidade da família, mas o fato é que, quando se tornou conhecido, não teve qualquer efeito sobre os nossos sentimentos. Ela me deu um medalhão de ouro que ganhara de presente de meu pai. Eu adorava esse medalhão e usei-o por muitos anos, fantasiando que meu pai morrera como um grande herói. Em momentos de angústia emocional e solidão, ele se tornara meu anjo da guarda.

Ao final do ano, eu fora indicada para concorrer ao título de Rainha da Escola. Foi minha primeira experiência de política e competição, particularmente difícil porque eu disputava contra Pam Rutherford, minha melhor amiga.

Cada uma tinha um gerente de campanha, que nos apresentava, de casa em casa. Meu gerente tentava persuadir cada pessoa a votar em mim e doar cinco cents ou mais por voto para um fundo da escola. Eu tinha certeza de que a competição poria em risco minha amizade com Pam, que para mim era mais importante do que vencer. Pensei em largar tudo, mas conclui que não poderia decepcionar meus pais ou meus partidários.



Enquanto mamãe procurava um vestido para eu usar na coroação, papai insistia para que eu decorasse o discurso de aceitação do título.

Era o último dia da votação e começou a circular o rumor de que os avós de Pam haviam dado uma nota de cem dólares para a compra de votos. Meus pais ficaram desapontados: não havia possibilidade de entrarem com tanto dinheiro e não o fariam mesmo que pudessem, por uma questão de princípio.

Na noite que anunciaram a vencedora eu vestia uma roupa nova, azul-turquesa, de tule, sem alças, que coçava tanto que me sentia ansiosa em tirá-la. Sentei ao lado de Pan no palanque do enorme auditório da escola. Podia ver que meus pais exibiam expressões felizes e confiantes, mas tinha certeza de que eles acabariam desolados. A diretora avançou para o pódio.

— E agora... — Ela fez uma pausa, a fim de aumentar o suspense. — chegou o momento pelo qual todos esperavam... a culminação de um mês de campanha por nossas duas lindas concorrentes, Priscilla Beaulieu... — Todos os olhos se viraram em minha direção. Eu corei e olhei para Pan. —... e Pam Rutherford.

Nossos olhos se encontraram por um momento breve e tenso.

— A nova Rainha da Escola Secundária Del Valley é ... — Um ressoar de tambores.

—... Priscilla Beaulieu!

A audiência pôs-se a aplaudir freneticamente. Eu estava em choque. Chamada ao palco para fazer meu discurso, fiquei desesperada, porque não tinha nenhum preparado. Tinha certeza de que ia perder, não me dera ao trabalho de escrever alguma coisa. Fui andando até o pódio, trêmula, olhei para o auditório apinhado. Tudo o que podia ver era o rosto de meu pai, cada vez mais desapontado ao perceber que eu nada tinha para dizer. Quando finalmente falei, foi para pedir desculpa.

— Senhoras e senhores, sinto muito — balbuciei. — Não estou preparada para fazer um discurso, já que não esperava vencer. Mas muito obrigada a todos por terem votado em mim. Farei o melhor possível. Uma pausa e acrescentei, olhando para meu pai: — Desculpe, papai.
 

Fiquei surpresa quando a audiência graciosamente aplaudiu, mas ainda tinha de enfrentar o meu pai e ouvi-lo dizer "Eu não falei?"

Ser eleita Rainha da Escola foi uma vitória entre doce e amarga, porque a intimidade que Pan e eu outrora partilhávamos acabou. De qualquer forma, a coroa simbolizava um sentimento desconhecido e maravilhoso: a aceitação.

Minha tranqüilidade recém-encontrada terminou abruptamente quando meu pai anunciou que estava sendo transferido para Wiesbaden, na Alemanha Ocidental. Fiquei desesperada. A Alemanha era no outro lado do mundo. Todos os meus medos voltaram. Meu primeiro pensamento foi: O que vou fazer com meus amigos? Falei com mamãe, que se mostrou compreensiva, mas lembrou que estávamos na Força Aérea e a mudança era uma parte inevitável de nossas vidas.

Concluí a primeira parte do curso secundário, Jeff nasceu e nos despedimos dos vizinhos e amigos. Todos prometeram escrever ou telefonar, mas eu sabia que isso dificilmente aconteceria, pois recordava promessas similares anteriores. Minha amiga Ângela me disse, em tom de brincadeira, que Elvis Presley estava fazendo o serviço militar em Bad Neuheim, Alemanha Ocidental.

— Já pensou nisso? Você estará no mesmo país que Elvis Presley. Examinamos um mapa e descobrimos que Bad Neuheim ficava perto de Wiesbaden. E comentei:

— Vou até lá para conhecer Elvis.

Nós rimos, nos abraçamos e despedimos. O vôo de quinze horas para a Alemanha Ocidental pareceu interminável, mas finalmente chegamos à linda e antiga cidade de Wiesbaden, sede da Força Aérea dos Estados Unidos na Europa. Fomos nos hospedar no Hotel Helene, um prédio enorme e venerável na rua principal. Depois de três meses, a vida no hotel estava muito cara e começamos a procurar uma casa para alugar. Tivemos sorte de encontrar um apartamento grande num prédio clássico, construído muito antes da Primeira Guerra Mundial. Mudamos logo depois e notamos que todos os outros apartamentos estavam alugados para moças solteiras. As "Fräuleins" andavam durante o dia todo em roupões e negligês e à noite


se vestiam a capricho. Assim que aprendemos um pouco de alemão, compreendemos que, embora a pensão fosse bastante discreta, estávamos vivendo num bordel.

Era impossível mudar, pois havia uma escassez de moradias. Mas o local em nada contribuiu para meu ajustamento. Não apenas estava isolada das outras famílias americanas, mas também havia a barreira da língua. Já estava acostumada a mudar de escola com freqüência, mas um país estrangeiro apresentava problemas inteiramente novos — e o principal era o fato de não ter ninguém com quem pudesse partilhar meus pensamentos. Comecei a sentir que minha vida parara por completo. Setembro chegou e as aulas começaram. Mais uma vez eu era a garota nova. Não era mais popular e segura como me sentira na Del.

Havia um lugar chamado Eagles Club, onde as famílias dos militares americanos costumavam fazer refeições e se encontrar socialmente. Dava para ir a pé da pensão e logo se tornou uma descoberta importante para mim. Todos os dias, depois das aulas, eu ia à lanchonete que havia ali, ficava escutando a vitrola automática e escrevia cartas para minhas amigas em Austin, dizendo como sentia saudade de todo mundo. Desmanchando-me em lágrimas, gastava a minha mesada tocando as músicas mais populares nos Estados Unidos, como "Venus", de Frankie Avalon, e "All I Have to Do Is Dream", dos Everly Brothers.

Numa tarde quente de verão eu estava sentada ali com meu irmão Don quando notei um homem bonito, na casa dos vinte anos, que não tirava os olhos de mim. Já o vira me observando antes, mas nunca lhe prestara qualquer atenção. Desta vez, porém, ele se levantou e aproximou-se de mim. Apresentou-se como Currie Grant e perguntou meu nome.

— Priscilla Beaulieu— respondi, imediatamente desconfiada, pois ele era muito mais velho.

Ele perguntou de que lugar dos Estados Unidos eu vinha, se estava gostando da Alemanha e se apreciava Elvis Presley.

— Claro — respondi, rindo. — Quem não gosta dele?

— Sou grande amigo de Elvis. Minha mulher e eu estamos sempre indo à casa dele. Não gostaria de nos acompanhar uma noite? Despreparada para um convite tão extraordinário, eu me senti ainda mais


cética e cautelosa. E declarei que teria de pedir permissão a meus pais. Durante as duas semanas seguintes Currie conheceu meus pais. Ele estava também na Força Aérea e papai verificou suas credenciais, descobrindo que conhecia seu comandante. Isso pareceu romper o gelo entre os dois. Currie garantiu a papai que eu seria devidamente vigiada quando visitássemos Elvis, que vivia numa casa perto da base, em Bad Neuheim.

Vasculhei meu armário na noite marcada, tentando encontrar uma roupa apropriada. Nada parecia bastante elegante para um encontro com Elvis Presley. Acabei escolhendo um vestido branco e azul, sapatos e meias brancas. Contemplando-me no espelho, achei que estava atraente, mas estava convencida de que não causaria qualquer impressão em Elvis, já que tinha apenas quatorze anos.

Currie Grant apareceu às oito horas, em companhia de sua atraente esposa, Carole. Ansiosa, mal falei com qualquer dos dois, durante a viagem de carro de 45 minutos. Entramos na cidadezinha de Bad Neuheim, com suas ruas estreitas, calçamento de pedras, casas feias e antigas. Eu me mantinha atenta, à espera de avistar o que presumia ser a enorme mansão de Elvis. Em vez disso, Currie parou o carro diante de uma casa de aparência comum, de três andares, com uma cerca de madeira branca. Havia uma placa em alemão no portão que avisava:

AUTÓGRAFOS SOMENTE ENTRE SETE E OITO HORAS DA NOITE.

Embora já passasse de oito horas, havia um grupo grande de moças alemãs por ali, expectantes. Quando interroguei Currie a respeito, ele explicou que sempre havia muitas fãs na frente da casa, esperando por um vislumbre de Elvis.

Segui Currie pelo portão e subimos pelo pequeno caminho até a casa. Fomos recebidos por Vernon Preley, o pai de Elvis, um homem alto, atraente, de cabelos grisalhos, que nos levou por um corredor comprido até a sala de estar, de onde eu podia ouvir Brenda Lee na vitrola, cantando "Sweet Nothin's".

A sala simples, quase insípida, estava cheia de pessoas, mas avistei Elvis no mesmo instante. Era mais bonito do que parecia nos filmes, mais
 

jovem e com uma aparência mais vulnerável, os cabelos bem curtos de soldado. Estava à paisana, com uma suéter vermelha e calça castanha amarelada, sentado com a perna por cima do braço de uma poltrona grande, com um charuto pendendo dos lábios.

Quando Currie me levou em sua direção, Elvis levantou-se e sorriu.

— Ora, ora, o que temos aqui? — disse ele.

Não falei nada. Não podia. Só tinha condição de fitá-lo fixamente.

— Elvis — disse Currie — esta é Priscilla Beaulieu. A garota de quem lhe falei.

Trocamos um aperto de mão e ele disse:

— Oi. Sou Elvis Presley.

Depois, houve um silêncio entre nós, até que Elvis convidou-me a sentar a seu lado e Currie afastou-se.

— Está na escola? — perguntou Elvis.

— Estou.

— E está no começo ou no final da escola secundária?

Corei e não respondi, não querendo revelar que estava apenas no nono ano.

— E então? — insistiu Elvis;

— Estou no nono.

— Ele ficou confuso.

— Nono o quê?

— Nono ano — balbuciei.

— Nono ano! — exclamou ele, rindo, — Ora você não passa de uma criança!

— Obrigada — respondi, bruscamente, pois nem mesmo Elvis Presley tinha o direito de falar assim.

— Parece que a garotinha não é fácil — comentou ele, rindo de novo, divertido com a minha reação.

Elvis me presenteou com o seu sorriso encantador e todo o meu ressentimento se derreteu.

Conversamos mais um pouco. Depois, Elvis levantou-se, foi para o piano e sentou-se. A sala ficou em silêncio. Todos os olhos se fixaram nele. Elvis cantou "Rags to Riches" e "Are You Lonesome Tonight?" e depois, com
 
amigos cantando em harmonia,"End of the Rainbow". Também ofereceu uma interpretação de Jerry Lee Lewis. Martelando as teclas com tanta força que um copo com água que pusera em cima do piano começou a escorregar. Quando Elvis pegou-o, sem perder uma nota da canção, todos riram e aplaudiram — menos eu. Estava nervosa. Olhei ao redor e vi um pôster intimidativo, em tamanho natural, de Brigite Bardot semi nua, preso na parede. Ela era a última pessoa que eu queria ver, com seu corpo sedutor, lábios espichados e cabelos desgrenhados. Imaginando o gosto de Elvis em mulheres, eu me senti muito jovem e deslocada.

Levantei os olhos e deparei com Elvis tentando atrair minha atenção. Percebi que quanto menos reação demonstrava, mais ele passava a cantar só para mim. Mas não podia acreditar que Elvis Presley estava tentando me impressionar.

Mais tarde, ele pediu-me que o acompanhasse até a cozinha, onde me apresentou à sua avó, Minnie Mae Presley, que estava no fogão, fritando bacon numa enorme panela. Sentamos à mesa e eu disse a Elvis que não estava com fome. Na verdade, sentia-me nervosa demais para comer.

— Você é a primeira garota dos Estados Unidos que encontro em muito tempo — disse ele, enquanto começava a devorar o primeiro de cinco imensos sanduíches de bacon, todos com mostarda.

— Quem é que a turma por lá está ouvindo?

Soltei uma risada.

— Está brincando? Todo mundo ouve você!

Elvis não ficou convencido. Fez-me uma porção de perguntas sobre Fabian e Ricky Nelson. Comentou que estava preocupado com a aceitação das fãs quando voltasse aos Estados Unidos. Como estava ausente há algum tempo, não aparecia em espetáculos públicos nem em filmes, embora tivesse cinco músicas nas paradas de sucesso, todas gravadas antes de sua partida.

Parecia que mal começáramos a conversar quando Currie entrou na cozinha e apontou para o relógio. Eu receara aquele momento; a noite correra muito depressa. Parecia que acabara de chegar e agora já tinha de ir embora. Elvis e eu mal começávamos a nos conhecer. Sentia-me como a cinderela, sabendo que toda a magia terminaria quando soasse o toque de


ELVIS E EU

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recolher. Fiquei surpresa quando Elvis perguntou a Currie se eu poderia permanecer por mais algum tempo. Currie explicou o acordo com meu pai e Elvis sugeriu então que eu poderia voltar outro dia. Embora fosse a coisa que eu mais queria no mundo, não acreditava que pudesse acontecer. O nevoeiro era tão denso na auto-estrada, durante a volta a Wiesbaden, que só cheguei em casa às duas da madrugada. Meus pais estavam acordados e quiseram saber tudo o que acontecera. Contei que Elvis era um cavalheiro, muito divertido, cantara para os amigos, eu adorara a noite.

No dia seguinte, na escola, eu não consegui me concentrar. Os pensamentos fixavam-se exclusivamente em Elvis. Tentei recordar todas as palavras que ele me dissera, cada canção que cantara, cada expressão em seus olhos ao me fitar. Reconstituí interminavelmente nossa conversa. Seu charme era fascinante. Não contei a ninguém. Quem poderia acreditar que eu estivera com Elvis Presley na noite anterior?



CONTINUA,,,,,,,,,,,

 
 
 





 
 
 

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