Elvis 1956


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

livro Elvis What Happened? completo parte 8



continuaçáo do livro Elvis What Happened?


Capitulo - 9


Presley é uma seqüência de paradoxos, contradição e complexidade. A sua generosidade compete com o seu egoísmo, seus momentos de alto astral com os seus momentos de depressão; sua confrontação e sua submissão extremadas. Naturalmente, essas contradições existem na maior parte dos seres humanos, mas a maior parte dos seres humanos tem uma força orientadora chamada maturidade, aquela semente de moderação que faz o sino bater quando vamos longe demais, para mais ou para menos. Dave Hebler diz, “Sem tentar ser um psiquiatra, o melhor modo de explicar, é que tudo o que Elvis faz tudo o que o interessa, tudo que ele toma, ele agarra, estrangula e espanca até a morte. Se ele repentinamente tomar gosto por uma comida, ele a comerá quatro vezes por dia, cada dia, durante um mês até que vomite.”
Há razões para esta aparente falta de maturidade. Uma delas é que, desde antes dos vinte e um anos, ele tem sido constantemente envolvido em seu status de celebridade, empacotado e vendido a milhões de adoradores. Não houve nenhuma necessidade de desenvolver maturidade. Possivelmente a imaturidade e o que faz um homem como Presley ser tão irresistível para milhões de pessoas. Ele é um dos poucos Peter Pans que conseguiu não apenas sobreviver, mas prosperar. Mas a razão básica remonta a infância. Durante os primeiros dezessete anos antes de sua





ELVIS O QUE ACONTECEU?


vida mudar, até ele deixar a Humes School tinha havido pouca definição para moldar o seu destino. Paradoxalmente, apesar do impacto normalmente claro de uma educação com contexto pobre do Sul, as influências que moldaram a sua masculinidade foram muito mais confusas e difusas que se poderia pensar.
Para as crianças pobres as metas de vida tendem a ser simplesmente deformadas. De muitos modos, em linha reta – de cima para baixo, para caras durões e resistentes como Red West era mais fácil. Eles pareciam ter menos objetivos, se bem que poucas opções. Jovens como Red West nunca se permitiram sonhos naqueles dias semi-feudais do Sul. Se eles os tinham, eles os guardaram para si. Falar sobre sonhos em Memphis era parecido como usar uma trança: de alguma forma não era inteiramente masculino.
Red recorda: “Eu não tive muitas dúvidas. Eu sempre quis ser músico ou talvez jogador de futebol, mas nunca pensei que nada viesse daqueles sonhos. Eu reconheço que era muito caipira. Alguém que receava algo que não viesse de minha vizinhança imediata do Tennessee. Joguei futebol, tive meu tempo de lutas. Vim de um lar desfeito, da mesma forma que meu pai. Para mim, um bom emprego fixo, dinheiro para cervejas, constituir uma família com um casal de filhos era o melhor que eu poderia esperar. Você sabe, somente seguir a vida.”
No passado, muitos rapazes do Sul achavam que o melhor e mais estável emprego era lutar na Guerra na Coréia ou no Vietnam. Red West entrou para a Marinha, sem saber o que fazer depois disso. É claro que, apesar de seu temperamento forte, Red foi uma criança sensível, como a sua carreira de cantor e compositor veio a revelar. Mas se houve qualquer estimulo daquela sensibilidade cedo em sua vida, quando ele conheceu Elvis Presley, ele sentiu mais do que demonstrou.
Com Elvis Presley, era diferente. Em primeiro lugar, ele era filho único, e sua mãe era louca de amores por ele, e o protegia dos outros meninos da rua.





ELVIS: O QUE ACONTECEU?


Havia uma abundância de amor, no Sul, mas nesses tempos difíceis era dividido. Presley pareceu aos seus iguais ter uma parte enorme. Um dos poucos aspectos da vida de Elvis Presley que foi ventilado para fora por uma máquina de publicidade cuidadosamente controlada, foi o retrato de sua mãe, Gladys Presley. Quando jovem uma bonita menina de cabelos negros, ela cresceu e se tornou uma senhora rechonchuda e bondosa cujo interesse raramente se desviou de Elvis, Vernon Presley e da Igreja, nessa ordem. Moradores de Tupelo, Mississippi e Lamar Avenue, em Memphis são irredutíveis ao descrevê-la.
De acordo com a opinião geral, ela era de fato o santo de que as lendas são feitas. Ela morreu jovem, com apenas quarenta e dois anos. Apesar dos problemas de fígado recorrentes e fadiga constante, Gladys Presley insistiu em trabalhar como uma escrava em pequenos serviços, para convencer Elvis que não eram tão pobres como ele pensava que eram. Trabalhou em fábricas de costura, como garçonete, e como assistente de enfermagem para complementar o parco salário de Vernon Presley como envasador de latas de tinta. Nada era muito árduo, difícil ou desgastante. E a pior coisa que alguém pode lembrar-se dela falar sobre sua vida cansativa era: “Meus pobres pés estão me matando.”
 
 
 
O jovem Elvis Presley não foi insensível ao sacrifício de sua mãe. Ele fez tudo que estava ao seu alcance para tornar a vida de sua mãe mais ensolarada. Em novembro de 1950, quando ele tinha quinze anos, ele insistiu em arranjar um emprego como porteiro no Loew’s State Theater pelo ganho inicial de $12,50 dólares por semana. Bateu os pés nos carpetes das cinco as dez todas as noites e deu cada centavo para a sua mãe. Quando ele começou a dormir na sala de aula, sua mãe insistiu para ele parar de trabalhar, não importando o quão falido eles estavam. No ano seguinte, quando o dinheiro ainda estava escasso, Presley insistiu em voltar a trabalhar no Loew’s, apenas para dar de cara com o infortúnio. O gerente de teatro, Arthur Groon, segue tendo o recorde de ter dispensado o maior talento do mundo. A menina

 
 
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que vendia doces e pipoca parecia encantada com o jovem Presley e o favoreceu com algumas amostras grátis. Quando outro porteiro informou sobre isso, Presley respondeu com um soco e um chute e terminou assim a sua carreira como porteiro.
Em seguida, ele arrumou um trabalho na Marl Metal Company. Quando o seu professor novamente informou que o jovem Presley estava cochilando na sala de aula, sua mãe ficou verdadeiramente horrorizada e jurou que ele não iria trabalhar novamente, enquanto estivesse na escola. “Isto não é trabalho para um menino,” ela disse. “Você vai sair. Não somos tão pobres.”
Presley saiu, e quando as finanças novamente ficaram difíceis, Gladys voltou a trabalhar no St. Joseph’s Hospital, em Memphis. A sua saúde estava terrível, mas ela nunca se queixou. Alguns amigos se lembram de Gladys Presley estar louca de amor pelo jovem Elvis Presley: “Eu não consigo me lembrar direito até quando ela o levou a escola, talvez até os doze ou treze anos. Ela não estava tentando transformá-lo no filhinho da mamãe, ela simplesmente o amava demais.”
 
 
 
 
Apesar da sorte de Presley em ter Gladys como mãe, a pobreza estava enraizada na família de Presley em uma dimensão especialmente trágica. Foi o nascimento de Elvis pouco antes do meio-dia, no dia 08 de janeiro de 1935, que colocou em foco o verdadeiro significado da pobreza branca do Sul. Gladys Presley durante a gravidez ficou gorda, muito gorda. Algumas pessoas em Tupelo, Mississippi, pensaram que ela iria ter gêmeos. O médico, no entanto ridicularizou a sugestão.
Agora, como muitas vezes acontecia com os Sulistas pobres, brancos e pretos, o parto não era caso de um hospital. Ir ao hospital para ter uma criança era privilegio dos ricos, não dos pobres, que davam à luz a criança na mesma cama onde foi concebida. Quando Elvis Aron Presley nasceu, na pequena casa de cômodos minúsculos, em Tupelo, Mississippi, A Sr. Presley ainda se contorcia de dor. O médico tentou acalmá-la. Enquanto Elvis era limpo, ela continuava a ter mai contrações.
 
 
 
 
 
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Era a mesma dor, porque havia outro bebê no interior. O médico então trabalhou na remoção do segundo filho da Sra. Presley. Infelizmente, o pequeno Jesse Garon Presley, gêmeo idêntico de Elvis Aron, veio ao mundo sem vida.
Red West recorda de momentos em que Presley em clima de desânimo diria: “Merda, man, meu pequeno irmão morreu e minha mãe quase morreu porque não podíamos nos dar ao luxo de ir a algum maldito hospital.” Por esses tempos, Elvis Presley raramente viajava sem seu médico pessoal. Red recorda que as impressões mais marcantes de Presley foram os sacrifícios que sua mãe fez por ele.
Houve um estoicismo valente em Gladys Presley que Red West nunca pode esquecer. Ela pareceu bastante preparada para reconhecer que a boa vida nunca viria no seu tempo, mas ela fez tudo que estava ao seu alcance para que seu filho tivesse uma chance de algo melhor. Enquanto Presley, anos mais tarde, mostrou insensibilidade em relação aos outros, ele estava bem consciente de cada segundo de sacrifício de sua mãe. Ele revivia cada segundo de sacrifício com o qual ela enfrentou as dificuldades. Quando seu filho estava batalhando na Humes High School, como ela poderia saber que a casa onde ele nasceu caberia, um dia, na cozinha de qualquer uma de suas muitas moradas? São os ingredientes de que os sonhos são feitos na América, as coisas que Elvis Presley tornou realidade - possivelmente tarde demais.
Porque se Presley queria riquezas para si mesmo, ele queria muito mais para a sua mãe, uma mulher que merecia carros, diamantes e peles mais do que as mulheres com quem Presley tem dado presentes exóticos.
Talvez essa seja a chave para a sua imensa generosidade. Ele tem que dar para alguém, porque a única pessoa que merece tudo não está mais aqui para receber.

Vernon Presley também tinha sonhos. Eles se mostrariam raramente, mas quando Vernon notou a vida sombria que o cercava,
 
 
 
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consumindo-o com pouca esperança de algo melhor, ele buscaria alívio temporário em algumas cervejas. Ele nunca foi um bêbado, apenas uma cerveja a mais do limite, quando a desesperança se tornava muito implacável. E então, o jovem Presley viu o drama de um homem que queria algo mais da vida do que somente um relógio de ouro da United Paint Company. Por essa época, salvo algumas exceções, Elvis Presley raramente se entregaria a bebedeira.
Então, também, o jovem Elvis tinha a sua própria complexidade. Ele estava em uma cidade difícil, em um bairro pobre, em uma escola dura, mas ele não era conseqüentemente difícil. Ele estava cercado por atletas de corte militar, mas ele não era um deles. Talvez, se Elvis Presley tivesse nascido em Nova York, Boston ou mesmo Chicago, ele poderia ter se encaixado muito melhor. Nas grandes cidades há mais tolerância para um garoto que quer ser diferente. Mas não na Memphis dos anos 50. “Era,” diz Red West, “como se dissesse para si mesmo, maldição, man, se eu não posso ser como vocês, vou ser diferente.” E ele foi.
 
 
 
Quando Red estava dirigindo por aí, com Elvis no velho cupê verde amassado, naquele dia após o jogo de futebol de Red contra Bartlett, Red olhou para as roupas extravagantes, o penteado selvagem, e pensou, man, vai haver algum show, estando na estrada com Elvis. “Elvis não lhe disse,” ele recorda, “mas me pedir para acompanhá-lo foi a sua maneira de dizer obrigado por eu o ter livrado das complicações, quando outros jovens o azucrinaram. Ele quis alguém da sua própria idade na qual ele pudesse confiar, e não acho que ele conhecesse alguém da sua idade assim. Vamos ser realistas, até então não tínhamos sido amigos realmente íntimos, mas aposto que era o amigo mais próximo que ele tinha. Ele era um cara solitário. Era a sua forma de dizer obrigado.
“Elvis nunca reconhecerá de forma direta uma divida com alguém. Não em palavras. Mas ele nunca se esquece. Quando ele conheceu Dave, e Dave o ajudou em alguns momentos embaraçosos nos tatames, ele não disse
 
 
 
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obrigado, mas sabe que Dave foi a favor dele. Ele nunca se esquece. Deste modo, você estará com ele e de repente ele irá agradecer, em uma ação, como um presente fantástico.
“Ele gosta de ver a sua reação quando lhe dá algo, mas não fala sobre ela. Ele nunca dirá, ‘Lembra quando lhe dei tal coisa?’ Ele está bem assim. Ele lhe dará um presente sensacional e se esquecerá. Em troca ele espera a devoção total e a lealdade total. Algo que, por causa do seu humor, é muito difícil dar o tempo todo.
“Depois que um estado de nervos se abranda, ele nunca dirá, ‘Ei, man, eu estava errado, me desculpe.’ Mas então um dia você estará andando por uma concessionária de automóveis e ele dirá algo como, ‘Ei, man, que grande carro, não?
“E alguém lhe dirá de volta, ‘Sem dúvidas, Elvis.’ No minuto seguinte, ele lhe dirá, ‘olhe, arrume a papelada, é seu, você merece.’ É isso aí. Não há nenhum argumento, apenas ‘é seu, man.’ Quando ele faz coisas como essa, eu já vi caras durões engasgar-se de emoção. Eu vi ele fazer isso, dezenas de vezes.”
Até o final de 1954, Elvis Presley esteve por baixo tanto tempo que finalmente começou a aparecer. Com o dinheiro extra que ganhava como motorista de caminhão e shows ocasionais, ele tinha sido capaz de contribuir para as finanças da família ao ponto que seu pai e sua mãe puderam se mudar para um apartamento em Lamar. Não era nenhum palacete, mas melhor do que Lauderdale Courts. Alguns dólares estavam entrando. O disco que ele gravou, “That’s Alright, Mama,” vendeu respeitáveis sete mil cópias. Presley tinha se tornado uma pequena celebridade com o apoio de Sam Phillips na Sun Recording Company e do disc jockey Dewey Phillips, e outro disc jockey popular chamado Bob Neal. Presley estava com grande demanda nos auditórios das high school e para shows de uma noite. Bob Neal
 
 
 
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tinha uma enorme fé no potencial de Presley, e ele assumiu a sua direção. Em um negócio onde tubarão come tubarão, Bob Neal foi, antes de mais nada, muito honesto, tinha muitos contatos locais, e um afeto genuíno pelo cantor, o jovem de cabelos compridos. E quem não tinha?
O jovem Presley era o sonho de qualquer gerente. Pontual, educado e sem o menor traço de arrogância. Ele subiria e realizaria o seu show, ficaria fora de bares, e nunca se misturaria com o povo “mau” que infestava a música country naquele tempo. E havia um povo ruim. Embora os grupos de rock atuais sejam reconhecidos como altos sacerdotes da geração de drogas, o country and western engolia anfetaminas como amendoim, já em meados dos anos 1950, muito antes da geração de Mick Jagger deixar o primário.
Depois de um show, a coisa mais pecaminosa que Presley e Red fariam era sair para comer um hambúrguer ou um duplo malte.
“Ele saia de vez em quando, como qualquer um”, lembra Red, “mas ele não era um mulherengo. Na maior parte ele tinha uma namorada firme. Ele tinha uma belezinha local de cabelos escuros nos primeiros tempos e, se bem me lembro, ela deu o fora nele. Ela não sabia o que ele seria ou teria agido de outra forma. Muitas pessoas pensaram que ele poderia ter-se casado com ela, mas não aconteceu desse jeito. Ele era apenas um garoto muito bom, que gostava de coisas muito simples.
“Além de seus casacos extravagantes, a maior parte de seu dinheiro ia para uma única mulher em sua vida que importava mais do que tudo – sua mãe. Ele não era um grande gastador, esbanjador, nada disso.”
Apesar das exigências da população local, o jovem Presley gostava de cantar músicas gospel. Ocasionalmente, ele cantava com grupos de igrejas locais, e em festas ele seria visto com uma coca-cola na mão, harmonizando com cantores de música gospel, como o quarteto conhecido como os Blackwoods. Muitas vezes fariam o apoio para Presley, e se alguém tivesse gravado as sessões valeria
 
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uma fortuna hoje. Mesmo cantando um número gospel altamente inspirativo, Red notou, o jovem Presley tinha um modo altamente não espiritual de entregar as suas canções. Era algo no jeito como sua perna esquerda tremia e no modo como balançava os seus quadris.
Red recorda: “Elvis me disse mais tarde que ele costumava tremer e bambolear em vez de ficar parado. Ele disse que fazia isso porque se ele ficasse parado a audiência iria vê-lo tremer e tremer de medo. Naturalmente, mais tarde não foram os nervos que o fizeram tremer.”
O próprio Presley disse do hábito, “Lembro-me, por vezes, na igreja você escutaria o coro e todos teriam grandes vozes. Mas muitas vezes era o pregador, que não tinha uma boa voz, que pulava em volta e fazia com que todos se elevassem, que era o centro de tudo. Parecia-se bastante com um show. E bom.”

Até o final de 1954, apesar da generosa mordida de sucesso, o jovem Elvis estava fazendo apenas dinheiro “extra”. Ele ainda tinha o seu emprego como motorista de caminhão. Várias vezes na semana, quando ele cantava em Memphis, em complexos de restaurantes locais como o Eagles’s Nest, o dinheiro nunca foi mais do que quinze dólares por noite. Bom dinheiro para a época, porém nenhuma recompensa real. No começo, se apresentando para o público adulto em salas semi-escurecidas, Presley era recebido educadamente, mas sem grande entusiasmo.
“Ele fez um show muito bom,” diz Red, “mas as audiências mais velhas no Sul eram muito conservadoras, e ansiavam pelo country and western tradicional e baladas sérias. Elvis subiria ao palco com mais energia do que dez homens, mas ele realmente não enlouquecia o público mais velho. Mas quando ele entrou no circuito profissional da high school (ensino médio), abertura de drogarias e coisas assim, foi diferente.”
 
 
 
 
 
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O seu entusiasmo genuíno, natural, banhou as multidões mais jovens. Elvis era deles. Ele não era uma roupa usada de outra geração, ele era realmente deles. “A primeira vez que o vi inflamar aqueles jovens,” diz Red, “eu não sabia o que ele tinha, mas ele tinha de sobra.”
Os deveres de Red naquele tempo foram bastante definidos. Revezando com Presley no volante. Garantindo que todo o equipamento estivesse devidamente embalado e, geralmente, assegurando que as coisas corressem bem. A facilidade de condução foi melhorada quando Presley comprou um Crown Victoria rosa. Red recorda: “De todas as dúzias e dúzias de carros que Elvis comprou, em minha opinião era pelo Crown Victoria que Elvis parecia ter mais amor. Tenho certeza que se alguém lhe perguntar hoje, ele provavelmente concordaria comigo. Agora que parei para pensar nele, eu amei esse carro, também.”
Quando Red pegou a estrada com Presley, lá estava ele para companhia e amizade. Embora Presley nunca tivesse pedido para ele ser outra coisa, tudo saiu de forma diferente.
“Eu estava na estrada com ele fazendo noitadas durante aproximadamente um mês em 1955,” diz Red, “quando percebi que Elvis era um pacote realmente quente. As meninas simplesmente enlouqueciam por ele quando ele estava lá em cima no palco. Ele ainda era muito tímido, mas gradualmente as ondas de aplausos e loucura em volta dele começaram a liberá-lo um pouco mais. Ele adquiriu muito mais confiança. Repentinamente, para essas gatinhas Elvis era Marlon Brando e James Dean em um só. Eu tive uma idéia que o futuro seria assim, quando vi essas gatinhas pulando no palco tentando beijá-lo, eu sabia que teríamos algumas batalhas medievais.
“Agora, no Sul naquele tempo, se uma menina estava com um cara e se levanta e tenta beijar o homem que está no palco, era como lhe chamar para uma briga. Posso ver a cara de alguns daqueles namorados sentados lá enquanto suas namoradas enlouqueciam por Elvis, e, man, eles ficavam tão bravos como um trovão.
 
 
 
 
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“Quando Elvis viu as gatinhas reagindo a tudo se movendo e pulando em volta, ele realmente as provocou. As meninas ficaram mais selvagens, e os namorados tornaram-se mais zangados.”
Isto foi no Sul em 1955, quando as virgens não eram necessariamente uma espécie em extinção, como são hoje. A coisa mais louca que uma garota de boa família fazia naquele tempo, antes que se casasse, era dar um beijo de língua.
Para muitas dessas meninas, o jovem Presley praticamente despia-se na frente delas e dava-lhes o que elas queriam, mas tinham medo de deixá-lo ir. O culto a Elvis ainda estava longe de atingir a mídia, mas no circuito do ensino médio e em auditórios locais, as meninas varriam a poeira do palco onde Presley tinha estado para guardar como lembrança.
O instinto disse a Red para não se esquecer de como dar um soco, porque Presley ia ser objeto de inveja bastante violenta. Seus instintos estavam corretos. “Para ser justo,” Red diz, “Elvis não queria que isso acontecesse, ele não me queria como um protetor. Ele fazia um gesto, um gesto gentil me convidando para um passeio. Mas muito antes me dei conta que meu trabalho era cuidar de sua bunda. Eu o fiz de bom grado.”
A primeira semana de Presley com o novo Crown Victoria houve o problema de que Red esperava. “Chovia como o inferno,” recorda Red, “e todos nós tivemos que ir para Granada, Mississippi, cerca de noventa milhas de Memphis. Estávamos atrasados, e de repente ficamos presos na lama. Enfim, entro no assento do motorista e engato a engrenagem para nos tirar da lama. O velho ‘E’ está atrás empurrando o carro, quase morrendo, quando ele me ouve rasgando as engrenagens por todas as partes. Ele estava convencido de que eu estava destruindo o carro. Ele estava quase tendo um ataque cardíaco. De qualquer maneira escapamos, mas não antes dele adquirir uma pequena mancha em sua calça. As calças, se bem me lembro, eram cor de rosa claro, ficaram manchadas.
 
 
 
 
 
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E realmente a lama destacou-se nelas. A mancha simbolizou algo que estava para acontecer naquela noite.”
Presley fez o show molhado e com a mancha em suas calças. As meninas na audiência fizeram a sua rotina de distúrbio habitual. “Aqueles rapazes do Mississippi estão de olho no velho ‘E’ estão indo arrancar-lhe a cabeça”, diz Red. “Essas garotas estavam abraçando-o e beijando-o e Elvis está retribuindo, o que só fez piorar a atmosfera. Os rapazes estão ficando irritados, cada vez mais irritados.”
Depois do show Presley sugere a Red visitarem um par de meninas que ele tinha conhecido na viaje anterior. Elas viviam juntas em uma casa. “Sentamo-nos, conversamos, tomamos algumas Cokes, mas não passou disso. Nenhuma gracinha. De qualquer maneira, levantamo-nos e fomos a uma loja de conveniência em um posto de gasolina para comermos um hambúrguer.
“Bem no meio do hambúrguer, dois caras caminham rapidamente e eu sei que vai haver problema. Eles começam a falar alto sobre Elvis. Então um deles diz apontando para a mancha nas calças de Elvis, ‘Ele está tão assustado que já está se cagando.’ Oh, Senhor, eu sei que alguma coisa está para acontecer. Então um deles cita o cabelo de Elvis e suas roupas extravagantes.”
Presley tornou-se um bocado tenso, e ele disse para Red, “Venha Red, vamos sair daqui.”
Red não concordou. Ele caminhou até os dois e disse, “Qual o problema com vocês?”
O maior disse, “Vocês estão brincando com nossas garotas? E isso vai lhes causar grandes problemas, ao menos que vocês deixem a cidade.”
Red ainda estava bastante calmo em sua resposta: “Man, não sabíamos que aquelas garotas eram comprometidas.”
O grandalhão respondeu, “Bem, elas são nossas garotas e você e sua namorada de cabelos compridos é melhor irem para o inferno fora daqui antes que comecem algo que não possam terminar. Olhe para ele ali, tão assustado que está cagando nas calças.”

 
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Red lançou um olhar para Presley. Ele tinha aquele mesmo olhar em seu rosto que fez Red se lembrar da Humes High School. Se aquele olhar provocou a reação em Red ou se ele simplesmente ficou nervoso, ninguém sabe. Mas se o grande Red precisou de uma desculpa para socar o grandalhão, foi lhe dada segundos depois.
O falastrão pegou uma faca no bolso, e disse, “tenho algo aqui para você.”
Isso foi um erro. Red lhe aplicou um gancho no queixo. O boca mole caiu por cima das mesas em uma onda de sangue. Red pulou em cima dele. Assim que o fez, o outro brigão pulou por trás dele. Red virou-se e lhe acertou com dois socos projetando-o através do comensal.
Red levantou-se e bateu no segundo cara mais uma vez, mandando-o inconsciente por suas costas, sua cabeça batendo entre os pés de Elvis Presley, que ainda estava sentado.
Por agora o primeiro cara tinha corrido para trás do balcão, onde ele ergueu suas mãos gritando, “Tudo bem, cara, tudo bem. Não queremos mais problemas.”
Isto mostrou alguma sabedoria. Red se afastou pagou a conta e virou-se para Presley. Elvis levantou-se atravessou o local de forma inconsciente e ambos caminharam para o Crown Victoria estacionado do outro lado da rua. Red acabara de terminar a batalha de Granada.
“Agora, tudo aconteceu muito rápido para Elvis fazer alguma coisa,” Red recorda-se, “Mas talvez ele estivesse com medo ou talvez ele foi inteligente o suficiente para preocupar-se com os possíveis danos causados em seu rosto, mas Elvis realmente não era um cara corpulento. Não o culpo, pois naquele tempo Elvis nunca começaria algo e esperaria que eu terminasse. Ele sempre fora prudente, e nunca se aproveitou de quem ele era. Ele nunca daria em cima de uma garota de outro cara – embora o fizesse depois. Ele, eu percebi, não merecia entrar em qualquer tipo de luta porque ele era um perfeito cavalheiro.”
Antes de sair para uma apresentação, Red sempre passava na casa de Presley na Lamar Avenue para pegar Elvis.
 
 
 
 
 
ELVIS: O QUE ACONTECEU?


“Eu gostava de ir àquela casa, somente para ver a Sra. Presley. Ela estava doente, muito ruim, mas sempre que eu entrava, ela me recebia. Ela se levantava, me servia um pedaço de torta ou fazia-me uma xícara de café e sempre parecia genuinamente interessada no que eu estava fazendo. Ela era muito calorosa e você poderia ver o amor brotar nela cada vez que falasse de Elvis. Se alguma vez passássemos a noite em um show, ele sempre ligaria para a sua mãe em casa e falaria com ela durante um tempo. Ela não dormiria enquanto ele não fizesse aquela ligação. Sempre que íamos para longe, ele sempre lhe comprava alguma coisa.
“Muitos fãs de Elvis lhe presenteavam, muitos deles com ursos de pelúcia. Man, ele tinha quartos cheios de ursinhos de pelúcia que ele sempre traria para a sua mãe. Ele adorava aquela mulher e eu também, ela parecia gostar muito de mim, embora eu ache que ela nunca ficou sabendo sobre as brigas e coisas assim. Isto a teria deixado doente. Mas em algum lugar no fundo de sua mente, ela sabia que tipo de interferência correu para ele, e quando saíamos da casa dos Presleys ela sempre dizia para mim, ‘Agora, Red cuide de meu filho, apenas cuide de meu filho.’ Essas foram palavras que eu nunca esqueci.”
Quando a popularidade de Presley cresceu, as lutas aumentaram rapidamente para Red. Havia sempre algum cara que tinha em sua mente que sua namorada estava apaixonada por Presley. Ele era a ameaça numero um das mulheres do Sul. Às vezes Red farejava as confusões e as esfriava antes que começasse. Outras vezes, se ficava contra a parede, ele passaria por dificuldades. Naqueles primeiros anos, Red chutou tantos caras que ele poderia ter alugado as solas de seus sapatos para espaço publicitário. Red está cheio de lembranças em sua mente, “Foram tempos divertidos, mas foram tempos violentos também. Man, uma noite em um clube chamado Rio Palmisle – penso que em algum lugar fora de Lubbock, Texas, não houve luta, houve guerra. 
No Texas eles fazem as coisas de maneira exagerada, deixe-me explicar. Naquela noite, ele teve sorte, todos nós tivemos, de não sermos mortos.
 
 
 
 
 
ELVIS: O QUE ACONTECEU?


“Elvis estava lá fazendo o seu show no palco é como me lembro, algum cara bêbado, dizia a outro para calar-se. Eles tem algo um com o outro. E logo o inferno está feito. Repentinamente o lugar todo entra em polvorosa. Parecia com uma daquelas cenas de filme que Elvis e eu costumávamos fazer. Simplesmente uma briga incrível com mesas e copos voando por todo o lugar. Devia ter mais de cem pessoas fora de si.
“Elvis está em um daqueles palcos baixos. E agora que todos os homens estão lutando, as meninas estão pulando no palco. Elas não ligaram a mínima para o que os seus homens estavam fazendo. A briga está chegando ao palco e Elvis ainda está cantando com as gatinhas em volta de seu pescoço. Um cara coloca o pé diretamente em cima de um dos violões de Elvis, e começa a ficar ruim. Alguns caras estão arrastando as mulheres do palco. Há socos e garrafas voando por todas as partes. O cara que colocou o pé no violão de Elvis me golpeou e grito para Elvis, ‘Vamos dar o fora daqui.’
“Elvis não estava respeitando nenhum aviso meu. Ele agora estava começando a dar autógrafos, e acho que a qualquer momento alguém vai pegá-lo. Ele estava cercado por garotas. Agarro-o no meio do círculo de garotas e o trago.”
Red meio arrastando, meio transportando Presley, ao mesmo tempo abrindo caminho com as mãos para escapar.
Red continua, “Quando chegamos a campo aberto, a briga tinha se espalhado pelo lado de fora. Man, um acre inteiro de caras lutando, caras recebendo garrafadas de cerveja na cabeça. Sangue por toda a parte. Levei Elvis para o carro e saí em disparada. À medida que escapávamos, Elvis ria como um louco. Ele nunca havia incendiado uma multidão assim antes, e ele adorou. Ele ria, e então comecei a rir também. Havia uma guerra civil lá atrás.”
Como Butch Cassidy e Sundance Kid, que saiam da cidade deixando o caos para trás.
 
 
 
 
ELVIS: O QUE ACONTECEU?


Foi uma das muitas experiências que fundiram o jovem Presley e Red, um ao outro.
Além de seu amor verdadeiro por Presley, Red sempre saltava para defendê-lo por outra razão. “Até hoje, man, nunca esqueci o rosto da Sra. Presley sentada ali e dizendo-me ‘Red, cuide do meu menino.’ Sempre esteve em minha mente, não importa onde eu estivesse com ele. E isto é o que fiz da melhor maneira que pude.”
Uma noite, depois de algumas cervejas no Hollywood’s Hyatt House, Red curvou os seus ombros e ajustou o coldre de ombro que transporta o seu .38, que está constantemente com ele. “Você sabe,” ele disse, “Eu acho que fiz o meu trabalho, mantendo a promessa que fiz para a Sra. Presley. Eu posso ver o seu rosto como se fosse ontem me dizendo para cuidar do seu filho. Não importa o que se passou entre eu e ‘E’, e se alguma vez achei que alguém iria prejudicá-lo fisicamente, eu apenas tinha que espantar o almofadinha.”
 

 
 
continua......
 
 

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